Segundo a APS, a embarcação está inoperante, ocupa um espaço cedido e não representa risco para a navegação no canal do Porto de Santos (Sílvio Luiz/AT) O navio Professor W. Besnard, atracado no Parque Valongo, em Santos, adernou (tombou) por volta das 19 horas de nesta sexta-feira (13). Metade da embarcação ficou submersa. A Autoridade Portuária de Santos (APS) informou que isolou a área em terra e instalou barreiras de contenção no mar para evitar eventual acidente ambiental. A Guarda Portuária mantém vigilância permanente no local. (veja vídeo mais abaixo) Segundo a APS, a embarcação, de propriedade do Instituto do Mar, está inoperante e ocupa um espaço cedido, enquanto aguarda uma possível restauração. “O navio não representa risco para a navegação no canal do Porto de Santos. Também foi realizado reforço nas amarrações para impedir que a embarcação se solte em direção ao canal”, informa a gestora do Porto. Testemunhas O estudante de engenharia química Jessé Lima da Silva, de 20 anos, morador do Guarujá, contou que estava fazendo um piquenique com amigos quando presenciou o momento em que o navio começou a virar. “Fez um barulho muito alto, vários ruídos. Inclusive o mastro do barco quebrou e caiu para o lado onde passam as pessoas. Poderia ter acontecido algo ruim. Graças a Deus não teve acidente”. O amigo dele, John Rychard Silva Machado, de 20 anos, também morador de Guarujá, foi quem chegou mais perto da embarcação para filmar o momento em que o navio inclinava e afundava. “O metal rangeu bastante. Uma das pilastras chegou a quebrar e cair. Outras partes do barco bateram no cais e começaram a romper”, contou. -video navio (1.505656) Responsável O presidente do Instituto do Mar, Fernando Liberalli, afirma que não há risco de o navio ir para o meio do canal, porque o local é raso e a embarcação já está apoiada no fundo e na murada do cais. Ele enviou um técnico naval nesta sexta-feira (13) para o local. Segundo Liberalli, o incidente ocorreu devido ao acúmulo de água da chuva dentro do navio. “Temos bomba que retira a água, porque a chuva enche o navio. Mas saquearam a fiação do ponto de luz da Prefeitura, que fornece energia para bomba”. Ele conta que o instituto solicitou o reparo da ligação elétrica antes do Carnaval, mas, segundo ele, nenhuma providência foi tomada até o momento. De acordo com Fernando, os saques têm sido constantes, porque não há vigilância constante do local da Guarda Portuária e da Prefeitura. A Tribuna questionou ambas, mas não teve resposta. A Administração Municipal informou apenas que a Marinha e a APS já tomaram as devidas providências. “Não houve feridos e não há riscos ambiental e à navegação”. A Marinha foi procurada, mas não se manifestou. Segundo a APS, a embarcação está inoperante, ocupa um espaço cedido e não representa risco para a navegação no canal do Porto de Santos. Navio chegou ao País em 1967 e participou da primeira viagem brasileira à Antártica, que ocorreu em 1982 (Alexsander Ferraz/AT) Ideia era restaurar e abrir para visitação O navio foi projetado no Brasil e construído na Noruega em 1966. A embarcação chegou ao País em agosto de 1967. Ela leva o nome do instalador e primeiro diretor do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (USP), Wladimir Besnard. O navio participou da primeira viagem brasileira à Antártica em 1982. No decorrer da sua história, navegou mais de 3 mil dias, sem interrupções durante os primeiros 23 anos. Foram centenas de viagens científicas, sendo seis para a Antártica. Atracado desde 2008 no Porto de Santos, o navio foi cedido pela USP para Ilhabela. Em 2016, a Prefeitura de Ilhabela recebeu a embarcação do Instituto Oceanográfico. Em julho de 2023 a Justiça determinou que a Administração da cidade do Litoral Norte desmontasse o navio por oferecer risco ambiental e não ter condições de navegabilidade. Uma audiência conciliatória e com a anuência do Ministério Público de São Paulo (MPSP), realizada no mesmo ano, suspendeu as obrigações impostas da Prefeitura de Ilhabela, já que o navio ficou com o Instituto do Mar. Em 2024, a embarcação foi integrada ao Parque Valongo, onde está atracada e passou por uma ampla restauração. Fernando Liberalli diz que o instituto vem fazendo a manutenção do navio. “A gente está custeando isso do próprio bolso. Tem voluntários que estão cuidando”. Sobre o futuro do navio, ele afirma que “na pior das hipóteses”, pode virar sucata. “Não queria isso. Lutei oito anos para salvar esse navio, que é um patrimônio histórico”. Para restaurar a embarcação e permitir visitação, ele estima que seriam necessários cerca de R\$ 3 milhões. Para que o navio volte a navegar, o custo poderia variar entre R\$ 8 milhões e R\$ 10 milhões.