Navio, que voltou a flutuar na segunda-feira após três meses parcialmente submerso, está com amarras (Alexsander Ferraz/AT) A Marfort, empresa responsável pela operação de reflutuação do navio oceanográfico Professor W. Besnard, deverá apresentar o plano de reboque da embarcação à Capitania dos Portos de São Paulo (CPSP) até nesta sexta-feira (19). O plano será concluído após avaliação técnica da estabilidade do navio, que voltou a flutuar na segunda-feira após ficar três meses parcialmente submerso. O Professor W. Besnard adernou (virou) em 13 de março, em frente ao Parque Valongo, no Porto de Santos. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! Segundo o diretor da Marfort, Alexandre Salomoni, em entrevista nesta quarta-feira (17), no Parque Valongo, os testes previstos para os próximos dias têm como objetivo verificar a estabilidade da embarcação e confirmar sua capacidade de permanecer flutuando sem o auxílio dos equipamentos utilizados durante a operação de resgate. “São avaliadas a estabilidade e a condição do navio de flutuar sem nenhum acessório preso nele, de uma forma natural. Nesse primeiro momento, é saber simplesmente se ele flutua sozinho. Depois disso, a gente passa para a questão da navegabilidade dele”, explicou. A expectativa é concluir a avaliação nos próximos dias para encaminhar o plano de reboque à Capitania dos Portos até o fim da semana. “A gente pretende apresentar o plano detalhado de reboque à Capitania dos Portos para avaliação e liberação”. Após aval da Autoridade Marítima, o Professor W. Besnard deverá ser rebocado para um estaleiro na Margem Esquerda do Porto, em Guarujá, onde permanecerá para novas avaliações por aproximadamente três meses. Questionado sobre eventuais custos adicionais, o diretor da empresa esclareceu que a permanência da embarcação no local já está prevista contratualmente. “Não tem nenhum custo adicional. Já está dentro do contrato”. Estudos O presidente da Autoridade Portuária de Santos (APS), Anderson Pomini, conversou com jornalistas antes de conferir as condições do navio, nesta quarta-feira (17). Ele explicou que, no estaleiro, serão realizados estudos que subsidiarão a decisão sobre a destinação definitiva do Professor W. Besnard. Entre as possibilidades estão a preservação integral da embarcação, sua revitalização parcial ou o aproveitamento de partes da estrutura para preservação da memória histórica. Pomini ressaltou que a Autoridade Portuária atua como articuladora do processo de preservação, já que o navio pertence à iniciativa privada. “A Autoridade Portuária está intermediando essa recuperação, principalmente em homenagem à história desse navio”. Ele complementou que, nos próximos meses, a APS deverá reunir representantes dos proprietários da embarcação, entidades ligadas à preservação da memória marítima e integrantes da comunidade portuária para discutir a melhor alternativa. “A história não pertence ao Porto, não pertence a uma prefeitura ou à ONG que administra esse navio, mas pertence ao Brasil”, concluiu. História A embarcação foi usada durante 40 anos pelo Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (USP) em mais de 150 viagens à Antártica, entre outras missões oceanográficas. Está sem uso, porém, desde 2008. Em 2016, a Prefeitura de Ilhabela recebeu a titularidade da embarcação da USP, mas não teve dinheiro para a reforma, dando início uma batalha judicial. Em julho de 2023 a Justiça determinou que a Administração da cidade do Litoral Norte desmontasse o navio por oferecer risco ambiental e não ter condições de navegabilidade. Uma audiência conciliatória, com a anuência do Ministério Público de São Paulo (MPSP), realizada em novembro de 2023, suspendeu as obrigações impostas à Ilhabela e o navio ficou com o Instituto do Mar. Sem sair de Santos, ele foi atracado em 2024 no Parque Valongo e recebeu reparos na parte externa. O Instituto do Mar buscava recursos para a completa Como foi O navio Professor W. Besnard, atracado no Parque Valongo, em Santos, adernou (tombou) por volta das 19 horas do dia 13 de março. Metade da embarcação ficou submersa. A Autoridade Portuária de Santos (APS) isolou a área em terra e instalou barreiras de contenção no mar para evitar eventual acidente ambiental. Segundo a APS, a embarcação, de propriedade do Instituto do Mar, estava inoperante e ocupava um espaço cedido, enquanto aguardava uma possível restauração. Durante esse período, o navio não representou risco para a navegação no canal do Porto de Santos. Foi realizado reforço nas amarrações para impedir que a embarcação se soltasse em direção ao canal do estuário.