Quatro rebocadores conduziram navio pelo canal do Porto de Santos em pouco mais de uma hora e meia (APS/Divulgação) O navio oceanográfico Professor W. Besnard foi rebocado, na manhã desta sexta-feira (23), do Parque Valongo para um estaleiro situado em Vicente de Carvalho, em Guarujá, na Margem Esquerda do Porto de Santos. Quatro rebocadores conduziram o navio pelo canal do complexo portuário santista, que ocorreu sem transtornos e em baixa velocidade, em pouco mais de uma hora e meia. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! A operação foi acompanhada pela Guarda Portuária, Marinha do Brasil e técnicos da empresa Marfort Serviços Marítimos - esta última proprietária da base marítima para onde foi levado o navio. A ação envolveu 80 pessoas. “Tivemos toda a atenção com a segurança da navegação e liberações diversas, unindo todas as empresas”, afirma o diretor da Marfort Serviços Marítimos, Alexandre Salamoni. “Neste momento, agora com a embarcação já atracada, está à disposição da Autoridade Portuária de Santos (APS) para as soluções que ela decidir”, emenda. A ideia é que o navio passe por uma perícia que avaliará se haverá condições de reforma. “Não para voltar a navegar, mas para que possa ser rebocado de volta ao Valongo e ali ser contemplado em melhores condições e com toda a atenção que merece”, afirmou o presidente da APS, Anderson Pomini. História O navio foi lançado ao mar em 1966 em um estaleiro na Noruega. Encomendado pelo Governo do Estado, chegou a Santos em 1967, tornando-se o primeiro navio oceanográfico da Universidade de São Paulo (USP). Foram mais de 150 viagens à Antártica, entre outras missões. A embarcação está sem uso desde 2008. Em 2016, a Prefeitura de Ilhabela recebeu a titularidade, mas não teve dinheiro para a reforma, dando início a uma batalha judicial. Em julho de 2023 a Justiça determinou que a Administração da cidade do Litoral Norte desmontasse o navio por oferecer risco ambiental e não ter condições de navegabilidade. Uma audiência conciliatória, com a anuência do Ministério Público de São Paulo (MPSP), realizada em novembro do mesmo ano, suspendeu as obrigações impostas à Ilhabela e o navio ficou com o Instituto do Mar. Sem sair de Santos, a embarcação foi atracada em 2024 no Parque Valongo. Exposição A intenção da Autoridade Portuária de Santos (APS) é que a embarcação fique em exposição permanente no Parque Valongo. “Já acertamos este novo destino do navio com o Concais, que também será transferido para o Valongo. Assim, teremos mais uma atração no local que vai emocionar os turistas que chegarem a Santos pelos navios de cruzeiro”, afirmou o presidente da APS, Anderson Pomini, referindo-se à futura mudança do terminal de passageiros de Outeirinhos para o Valongo. Marfort Serviços Marítimos foi contratada pela APS para executar o serviço, orçado em R\$ 8,6 milhões (APS/Divulgação) Transferência após sete meses exigiu cuidados A ida do navio oceanográfico Professor W. Besnard para um estaleiro em Guarujá marca mais uma etapa na história da embarcação. Desde que o navio adernou (virou) e ficou parcialmente submerso até ser rebocado, passaram-se pouco mais de sete meses. No final daquele mesmo mês, a Marfort Serviços Marítimos foi contratada para executar o serviço, orçado em R\$ 8,6 milhões e contratado sem licitação, de maneira emergencial, pela Autoridade Portuária de Santos (APS). Inicialmente, mergulhadores fizeram uma grande faxina dentro da embarcação e, depois, foram realizados o mapeamento e o tamponamento de todas as janelas para que fosse feito o trabalho de reflutuação, concluído com sucesso em 15 de junho. O plano de reboque foi arquitetado e realizado nesta sexta-feira (23). Trabalho delicado O diretor da Marfort, Alexandre Salamoni, disse que a operação envolvendo o navio oceanográfico Professor W. Besnard ocupa um lugar especial em sua vida, embora a empresa já tenha realizado trabalhos de maior complexidade. “Foi um trabalho delicado, tanto pelas condições da embarcação quanto pela responsabilidade de lidar com um patrimônio de tamanha importância histórica e científica. Muitas pessoas e empresas envolvidas, além das autoridades”, afirma. Alexandre considerou que trazer o navio Professor W. Besnard novamente à superfície foi “uma realização extraordinária”. “Para nós, existe uma satisfação profissional pelo resultado e uma satisfação humana por contribuir para a preservação de uma parte da história da pesquisa oceanográfica brasileira. Esse é o grande significado dessa operação para a empresa e legado para a história”.