Desde outubro de 2020, o Srakane, de bandeira do Panamá, está atracado nas adjacências de um estaleiro na Margem Esquerda, em Guarujá (Alexsander Ferraz/AT) Presente na Baixada Santista há quase quatro anos, desde outubro de 2020, o navio Srakane, de bandeira do Panamá, segue com futuro indefinido. A embarcação está atracada nas adjacências do estaleiro Wilson Sons, na Margem Esquerda do Canal do Porto de Santos, em Guarujá, em um terreno originalmente de propriedade da Cooperativa Mista de Pesca Nipo Brasileira. Clique aqui para seguir agora o canal de Porto & Mar no WhatsApp! Há dois meses, A Tribuna contou esta história. A Reportagem chegou bem perto do navio, por mar, e viu uma embarcação em péssimo estado, degradada e tombada. Na última terça, haveria uma reunião entre o capitão dos Portos Marcus André de Souza e Silva e a Autoridade Portuária de Santos (APS) em que o Srakane seria um dos assuntos debatidos. Porém, o encontro foi cancelado e uma nova data ainda não foi agendada. A Capitania dos Portos de São Paulo (CPSP) segue em tratativas junto à proprietária do navio, a Vintage Trading SRO, empresa com sede na Eslováquia e representada legalmente no Brasil pelo escritório de advogados Varea & Dionísio, para mitigar os riscos que venham a surgir decorrentes da situação atual do Srakane. A companhia Thurf Comercial estava interessada na aquisição do casco. De acordo com a CPSP, as providências relacionadas ao navio, acertadas em reuniões e promovidas ao longo dos anos, foram a realização periódica de esgotamento de água, a fim de assegurar a estabilidade. e a manutenção e acompanhamento das espias (cabos) de amarração. Ainda foram realizados reparos emergenciais, de modo a garantir a estanqueidade (evitar vazamentos). A Capitania não confirma boatos de que ele seria retirado do local em breve, informa que segue monitorando a embarcação e garante que não há outra na mesma condição de abandono Porto de Santos. Tripulantes Em 2021, o Srakane apareceu com destaque na imprensa por causa das dificuldades enfrentadas pelos tripulantes, que chegaram a ficar sem água, alimentos e combustível e conseguiram ser repatriados para seus locais de origem. Em maio de 2021, a embarcação tinha uma dívida, por conta dos salários atrasados dos tripulantes, que superava a marca de US\$ 111 mil, o equivalente a R\$ 602 mil, na cotação da época. Em 22 de maio deste ano, um simulado de combate a incêndio em navio, feito pelo Corpo de Bombeiros e que durou duas horas e meia, voltou a despertar as atenções para o navio. Todas as autoridades competentes foram avisadas do exercício, segundo os bombeiros, e a atividade não alterou a rotina do Porto de Santos. O fogo, no entanto, assustou muita gente, que achou ser uma ocorrência real. “Não há impedimento normativo emitido pela CPSP que proíba a realização de exercícios ou simulações a bordo de navios, cabendo a seus proprietários ou representantes legais a observância dos regulamentos afetos a cada tipo de atividade”, afirma a Capitania. Sem condições A embarcação não se encontra em condições de navegabilidade por questões estruturais e deficiências de maquinário, além de não possuir tripulação, atesta a Capitania. “Ressalta-se que desde sua chegada ao Porto de Santos, em 2020, o navio havia sido rebocado em virtude de um contrato de manutenção firmado com o estaleiro, visando sanar discrepâncias apontadas pela Marinha do Brasil, após ser submetido à inspeção pela Delegacia da Capitania dos Portos de São Sebastião”, justifica. Como nada foi resolvido, diante da inexistência de contrato vigente de manutenção, além da repatriação da tripulação, que configurou o abandono do navio, tem-se, no olhar da CPSP, “um navio fora de operação com graves problemas de estanqueidade e estabilidade, preocupando, assim, este agente da Autoridade Marítima e as demais autoridades do Porto de Santos, pelos riscos apresentados à segurança da navegação”.