Espaço de cerca de 100 metros quadrados tem mercadorias retidas recentemente pela Receita Federal (Alexsander Ferraz/AT) Poderia ser uma grande loja do varejo. Tem de tudo: acessórios automotivos, roupas de grife, camisas de futebol, pares de tênis, caixas de som, brinquedos e perfumes. Mas não é: todas as peças são falsificadas. Esse é o Museu da Alfândega de Santos (Malf), que será aberto ao público no próximo dia 7 de janeiro. Um espaço de cerca de 100 metros quadrados tem centenas de itens oriundos de apreensões recentes da Receita Federal. De acordo com a Divisão de Repressão ao Contrabando e Descaminho (Direp) da Alfândega de Santos, em 2023, o prejuízo do crime organizado foi de R\$ 107 milhões, graças a 61 apreensões de mercadorias. Neste ano (até novembro), o montante é de R\$ 210 milhões em 68 apreensões de mercadorias. “Temos uma equipe de campo que vai procurar essas cargas, e a de gerenciamento de risco, tentando ser o mais cirúrgico possível para não causar transtornos no comércio exterior. Nossa equipe deve ter atualmente 45 servidores, e atua com vigilância e pressão”, explica o auditor fiscal da Receita Federal, delegado Richard Neubarth. Brinquedos, controles para videogame, pares de óculos e perfumes estão no acervo (Alexsander Ferraz/AT) A ideia de montar o Museu da Alfândega ganhou forma em uma parceria da Alfândega de Santos com o Instituto Sociocultural Brasil-China (Ibrachina) e a Associação Paulista dos Empreendedores do Circuito das Compras (Apecc). O foco, segundo ele, não está apenas nos produtos ilegais, mas em mostrar a história da Aduana em Santos. “Resolvemos fazer algo mais completo e falar do trabalho da alfândega. Grande parte do museu tem essa exposição de produtos falsificados, para a sociedade entender a importância de combater esse vício. Mas há uma linha do tempo desde 1530 que traz fatos marcantes da Alfândega”, acrescenta Neubarth. Um óculos de realidade virtual “põe” o visitante na rotina dos servidores da receita, em operações terrestres ou com o uso de drones. Experiência O Museu da Alfândega, que fica num espaço dentro do prédio da Receita, chama a atenção desde sua entrada. O formato de contêiner ajuda a compor um ambiente todo voltado para o mar, com vídeos em escotilhas com o balanço de uma embarcação, além de peixes “passeando” sob o piso. Um pouco de tudo Logo de cara, as peças para veículos de médio e grande porte podem ser vistas. Há filtros de combustível, óleos lubrificantes e de transmissão falsificados, bem como partes de motor. Existe uma parede dedicada ao vape, instrumento para utilização de cigarros eletrônicos. Também é possível encontrar mochilas e falsificações dedicadas a produtos de grife (Alexsander Ferraz/AT) Mais adiante, as falsificações dedicadas a produtos de grife, como bolsas, casacos de luxo e outros itens. O espaço é vizinho ao dedicado a camisas de clubes e seleções, além de chuteiras e pares de tênis de origem ilícita. Brinquedos, controles para videogame, pares de óculos, perfumes ajudam a compor o “shopping” do crime. “A gente tem também a exposição de uma destinação sustentável dos produtos aprendidos”, emenda o auditor. O Museu da Alfândega de Santos vai funcionar a partir de 7 de janeiro, de terça a sexta, das 16 às 17 horas. O endereço é Praça da República, s/no, no Centro de Santos.