Capacitadas, as novas colaboradoras da BTP foram admitidas com mais 35 homens, após passarem por um processo seletivo interno da companhia (Vanessa Rodrigues/AT) Bruna Fernanda Pereira de Souza, de 27 anos, saiu da Bahia para o Estado de São Paulo e trabalhou por anos como operadora de caixa na Baixada Santista. Já Lais Capaldi dos Santos, de 35 anos, nasceu em Santos e atuou em muitos setores. Juntas, elas realizaram o mesmo sonho: atuar no setor portuário. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! Além delas, outras sete mulheres foram contratadas no mês passado como operadoras de bordo pela Brasil Terminal Portuário (BTP), especializada em contêineres no Porto de Santos. A possibilidade de assumir a função veio depois que o Órgão Gestor de Mão de Obra (Ogmo) de Santos formou, em junho, a primeira leva feminina da estiva: foram 13 estivadoras. Capacitadas, as novas colaboradoras da BTP foram admitidas com mais 35 homens, após passarem por um processo seletivo interno da companhia, além de um curso para aperfeiçoamento de operador de bordo que durou 54 horas, na Fundação Centro de Excelência Portuária de Santos (Cenep). “Meu sonho sempre foi atuar no setor portuário. O concurso da estiva me abriu as portas”, conta Lais, que antes atuou nas áreas administrativa e bancária. No dia a dia, a todo momento há alguma operadora de bordo atuando no terminal, já que elas são divididas em cinco equipes para cumprir quatro turnos de 6 horas por dia, sendo que em quatro deles, duas atuam, enquanto no quinto, há uma trabalhadora. De acordo com Bruna, que trabalha no mesmo turno que Lais, elas são responsáveis por fixar ou soltar os contêineres, além de acompanhar a carga e descarga dos navios. Jornada As operadoras entraram no processo seletivo do Ogmo em outubro de 2024 para uma capacitação de oito meses. Durante o período, passaram por seis etapas: prova objetiva, avaliação de títulos, teste de avaliação física, teste de avaliação psicológica, apresentação de documentos, comprovação de requisitos para exercício da atividade de trabalhador portuário avulso e exame médico. “Foi um processo bem longo, mas chegamos até aqui. Foram meses de espera e expectativa”, afirma Lais. Para ela, não há barreiras quando se quer fazer a diferença. “Eu me sinto bastante realizada, porque, com foco, determinação e força de vontade, somos capazes de atuar em qualquer área. Não importa se é um setor predominantemente masculino”. Já Bruna destaca que chegar ali e ser uma representante das mulheres é uma grande vitória. “Espero que seja uma forma de todas se empoderarem junto com a gente”, diz, com orgulho. Mudança de cenário Diretor administrativo da BTP, Joel Contente afirma que a contratação das novas funcionárias faz parte de um processo natural de inclusão, que começou há anos. “A primeira função em operações que a gente trouxe mulheres foi motorista de caminhão. Temos ainda uma bombeira e mecânicas na manutenção. Quando o Ogmo lançou esse edital e mulheres apareceram, naturalmente também nos interessamos em ter mulheres na função de operador de bordo”, conta o diretor. A BTP possui 1,7 mil colaboradores, sendo que 200 são mulheres, o que representa aproximadamente 12%. Além disso, 56% das posições gerenciais são femininas. Segundo Joel, a atividade estiva é considerada de categoria diferenciada pela lei. Por conta disso, a companhia é obrigada a contratar pelo Ogmo, que nunca havia registrado mulheres na função. “As empresas, por mais que tivessem a iniciativa ou desejo de fazer essa inclusão, não era possível para algumas funções”. Todos os admitidos na empresa possuem um acompanhamento especial, homens e mulheres. De acordo com Joel, cada equipe dos turnos possui um dos funcionários como padrinho dos novos. “O padrinho é um colaborador da função de operador de bordo mais experiente que vai acompanhar cada um desses 44 novos nos próximos 30 dias”. O diretor destaca que acreditar e inovar são conceitos que devem estar nas práticas da companhia. “Estamos praticando, e não tem problema nenhum se outras empresas copiarem tudo que a gente tem feito aqui. Ficamos orgulhosos disso. Estamos ajudando a transformar esse mundo portuário”, diz ele. Operador A função de operador de bordo é essencial para a movimentação de contêineres no Porto de Santos. Os profissionais são responsáveis pela peação (prender) e despeação (soltar) dos contêineres que estão a bordo dos navios, quando as embarcações estão atracadas no terminal.