(Divulgação) Diversidade, equidade e inclusão precisam ir além da representatividade e ser encarados como estratégia real de negócios, afirma a gerente corporativa jurídica da APM Terminals, Jackeline Daros Abreu, que possui uma carreira consolidada no setor portuário no ramo do Direito. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! “Tem uma frase que escuto muito no grupo: ‘competência não tem gênero e diversidade gera impacto relevante e mensurável, independentemente do pilar que se considere’”, diz a executiva, formada em Direito administrativo e regulatório e que chefia a gerência jurídica da APM Terminals desde 2014. Há quase duas décadas na companhia, Jackeline explica que lidera “uma equipe jurídica que atende diferentes empresas do grupo no Brasil, que são subsidiárias da APM Terminals global, oferecendo suporte transversal às operações e aos projetos estratégicos”. Jackeline está comprometida, inclusive, com a implementação do Terminal de Uso Privativo (TUP) no Complexo Industrial Portuário de Suape, em Pernambuco, o primeiro 100% eletrificado da América Latina e que iniciará as operações no segundo semestre deste ano. Projetado para movimentar 400 mil TEU (unidade de medida equivalente a um contêiner de 20 pés) ao ano, o ativo envolve um orçamento estimado em R\$ 1,6 bilhão. O novo terminal proporcionará para Suape a retomada de rotas internacionais. “Operar integralmente com equipamentos elétricos, eliminando combustíveis fósseis, é uma decisão estratégica que reflete nossa visão de longo prazo e a responsabilidade que temos com a evolução do setor”, afirma, destacando que “inovação, inclusão e eficiência caminham juntas dentro da empresa”. Jackeline, que chefia um time formado integralmente por mulheres, diz que empresas que desejam transformar diversidade em vantagem competitiva precisam agir. “Em se tratando de equidade de gênero, é fundamental que as empresas avancem da intenção para a prática, criando espaços e oportunidades reais para as mulheres. Em setores tradicionalmente masculinos, estruturar condições para que mulheres ocupem posições de destaque representa uma transformação cultural profunda”. A executiva argumenta que “essa transformação traz efeitos diretos para os negócios: amplia perspectivas, qualifica decisões e fortalece os resultados das companhias. As mulheres contribuem com dedicação, foco e diferentes formas de enxergar, conduzir e executar o trabalho. Quando há diversidade de olhares e experiências, quem ganha é a organização como um todo”. A executiva ressalta que a agenda de diversidade, equidade e inclusão faz parte da estrutura da APM Terminals. Segundo ela, o Grupo Maersk, controlador da APM Terminals, atingiu, em 2025, a meta global de ter mais de 40% das posições de liderança ocupadas por mulheres. No departamento jurídico da empresa, elas representam 80% da equipe. Jackeline possui um histórico notável de contribuição ao setor portuário. “Antes de ingressar na APM Terminals, atuei de forma consultiva no projeto de expansão do Porto de Itajaí, em Santa Catarina, o que levou ao convite para integrar a empresa como advogada interna, em 2008. Atuei por cerca de oito anos na administração do Porto de Itajaí, onde participei da estruturação da área jurídica e da gestão do time”, comenta. Depois, dedicou-se à advocacia privada, nas áreas de Direito Público, licitações e regulação, assessorando empresas dos setores portuário e logístico. “Mesmo fora da administração, permaneci próxima da atividade portuária por meio da comissão paritária do Órgão Gestor de Mão de Obra (Ogmo), da qual fiz parte até 2023”. Ao falar sobre a presença feminina no setor marítimo e portuário, a gestora reconhece que muitas mulheres ainda enxergam a área como um ambiente restritivo, mas afirma que essa percepção precisa ser enfrentada. “Ambientes masculinos não tornam mulheres menos capazes. Ao contrário, as mulheres têm muito a acrescentar, com formas inovadoras e complementares de pensar e executar o trabalho”, enfatiza. Ela também defende maior apoio entre mulheres como forma de ampliar a ocupação desses espaços. “Muitas vezes, a insegurança vem justamente do fato de ninguém ter ocupado aquele lugar antes. Alguém precisa ser a primeira para abrir caminho e permitir que outras venham depois”, conclui.