Aurizete Dias de Morais é coordenadora de Operações; A jornalista Célia Regina de Souza tem 48 anos de carreira no Porto de Santos; Fernanda Machado é especialista em Segurança Aduaneira e Regulatória (Divulgação) A presença feminina no setor portuário, apesar de pequena, é crescente. Com expertise técnica, sensibilidade e poder de conciliação, as mulheres são hábeis em articulações e estratégias e, com delicadeza própria, desbravam novos horizontes profissionais em um setor predominantemente masculino. Neste sábado (8), no Dia Internacional da Mulher, A Tribuna traz histórias de mulheres portuárias, que diariamente esbanjam talento e profissionalismo no cais santista. Neta e filha de imigrantes portugueses que se tornaram trabalhadores portuários e perto de completar meio século de carreira no Porto de Santos, a jornalista Célia Regina de Souza vivenciou as mudanças importantes no maior ativo portuário do Hemisfério Sul no período. Admitida em 1977 na então Companhia Docas de Santos (CDS), ela presenciou a transição da empresa privada para a estatal federal Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), hoje Autoridade Portuária de Santos (APS). “Quando entrei, em 1977, ainda vigorava a legislação portuária da década de 1930 (Decreto 24.599/1934), depois veio a Lei 8.630/1993 e ocorreram mudanças muito fortes no setor. Quando eu cheguei, a Autoridade Portuária era operadora e administradora do Porto e tinha 16 mil empregados. Hoje, são pouco mais de 800”, recorda ela, que atua no departamento de Comunicação da APS. Prestes a encerrar a carreira, Célia diz que sua relação com o Porto está além das margens do ofício: “O Porto é como um bichinho que entra na corrente sanguínea e não sai mais. É como um casamento que você se apaixona pelo marido e assim permanece até o final. O Porto é apaixonante!” Já para Aurizete Dias de Morais Souza, que é coordenadora de Operações da Svitzer em Santos e Vitória (ES), uma empresa de rebocadores, a expertise em gestão de pessoas foi um diferencial. “Em setores predominantemente masculinos, essa habilidade se torna mais relevante, pois permite a criação de uma cultura organizacional que valoriza a diversidade de ideias, promove a equidade de gênero e ajuda a equilibrar as relações de poder, abrindo portas à inclusão e fortalecendo o espaço das mulheres no setor”. Aurizete ingressou no setor portuário há nove anos, por acaso, e se apaixonou. “Trabalhar em um setor tão estratégico é motivador e proporciona uma sensação de contribuição à sociedade. O setor portuário é uma indústria bem estabelecida, com muitos empregos estáveis, especialmente nos grandes portos e terminais. Além disso, há boas chances de progressão de carreira à medida em que se adquire experiência.” A profissional encoraja mulheres que desejam ingressar na carreira portuária. “Há uma transformação em andamento no setor, historicamente masculino. Vemos mulheres comandantes de navios, de guindastes, tripulantes. A presença feminina no setor portuário é uma força transformadora. Sua contribuição será, sem dúvida, a chave para um futuro mais igualitário e inovador”. Especialista em Segurança Aduaneira e Regulatória, no Terminal Eldorado Brasil Celulose Logística (EBLog), Fernanda de Souza Machado, que atua em um ambiente historicamente masculino, afirma que é um desafio adicional reforçar a presença feminina em espaços de decisão. “Felizmente, vejo mudanças positivas e mais oportunidades para mulheres assumirem papéis estratégicos no setor”. Fernanda diz que a companhia estimula o crescimento de mulheres no quadro de pessoal. “Temos um ambiente que valoriza a equidade de gênero e incentiva o protagonismo feminino, permitindo que profissionais mulheres tenham voz ativa na tomada de decisões e na implementação de iniciativas transformadoras. É um privilégio fazer parte dessa mudança e contribuir para que mais mulheres tenham oportunidades de crescer e liderar no setor logístico e portuário”, destaca. Apenas 17,6% das vagas do setor aquaviário no País são ocupadas por mulheres, segundo pesquisa da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), feita em parceria com a Women's International Shipping and Trading Association (WISTA-Brazil), em 2023. A segunda pesquisa, de 2025, já foi concluída, mas ainda não há data prevista para a divulgação.