A presença feminina em cargos de liderança no setor portuário e de transportes aquaviários contribui para a redução da desigualdade e ao aumento de oportunidades, tornando empresas públicas e privadas mais diversas, inclusivas e com resultados econômicos satisfatórios. Quem afirma é a ex-secretária-executiva do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) e diretora Regulatória e Institucional da Hidrovias do Brasil, Mariana Pescatori. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! Primeira mulher a comandar a Secretaria Nacional de Portos e a secretaria-executiva do MPor, Mariana afirma que é preciso construir representatividade. “Não deveríamos comemorar o fato de sermos as primeiras ou as únicas a ocuparem essas posições”, declarou, destacando que a importância maior está nos efeitos práticos disso. “Mulheres em cargos de poder, nos setores público e privado, garantem a formulação de políticas públicas e estratégias corporativas, reduzindo disparidades e incentivando que mais mulheres se empoderem e se enxerguem nessas posições”. Segundo a executiva, a diversidade é também um ativo econômico. “Equipes mais diversas tendem a inovar mais, faturar mais e apresentar resultados financeiros até 35% superiores à média. Isso se refletirá na garantia de liberdade, autonomia e independência financeira para todos”, disse ela. Para ela, a mudança ocorre de forma gradual. “Em setores como infraestrutura, logística e engenharia, a predominância masculina ainda é marcante, sobretudo nos cargos de comando. A chegada de mulheres em posições de liderança demonstra que a competência está rompendo barreiras de gênero há muito tempo consolidadas. As mulheres precisam ocupar espaços de poder e puxar outras para essas posições”, declarou. No entanto, Mariana lembrou um dado relevante. “Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as mulheres chefiam 51,7% dos lares brasileiros, correspondendo a aproximadamente 41,3 milhões de domicílios”. Público e privado Com carreira iniciada no serviço público em 2007, como especialista da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Mariana acumulou 18 anos de atuação em diferentes funções estratégicas. Desde agosto de 2025, está licenciada do cargo para atuar na iniciativa privada. Na Hidrovias do Brasil, é responsável pela área institucional e regulatória, articulando a empresa com órgãos públicos e entidades do setor. A experiência no Governo Federal, segundo ela, é um diferencial. “Trouxe uma maior compreensão de como atuar institucionalmente para que projetos e programas possam evoluir”, afirmou. Visão do setor A executiva defende a aproximação entre os setores público e privado como condição essencial para o desenvolvimento da infraestrutura. “É fundamental entender as dores de quem faz a operação na ponta e traduzir isso em políticas públicas e marcos regulatórios mais eficientes”. Para Mariana, a regulação é elemento central na viabilidade de projetos de infraestrutura. “É a espinha dorsal que sustenta tanto os investimentos quanto a prestação de serviços adequados”, disse. Ela observou que regras claras e estáveis garantem segurança jurídica e previsibilidade, reduzindo riscos e custos de capital. Ela destaca o papel do MPor, das agências reguladoras e do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) na estruturação de projetos e atração de investidores. “A carteira de projetos bem definida traz previsibilidade e oportunidades concretas”. A executiva também citou avanços no setor, como o marco regulatório portuário e o programa BR do Mar, que impulsionaram investimentos e ampliaram a frota e a movimentação. Mas, de acordo com ela, há desafios: “Precisamos evoluir na regulação do setor hidroviário para garantir governança e viabilizar a intermodalidade”. Ao longo da trajetória no ministério, Pescatori participou de iniciativas como o planejamento portuário nacional, projetos de concessões e programas de inovação.