Resultados foram revelados por Flavia Takafashi, diretora da Antaq, na terça-feira, no Grupo Tribuna (Vanessa Rodrigues/AT) A 2ª Pesquisa de Equidade de Gênero da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), divulgada na última terça-feira no evento Woman on Board, realizado na sede do Grupo Tribuna, em Santos, durante o lançamento do projeto Mulheres a Bordo, apontou uma queda na presença de mulheres nos altos escalões das organizações portuárias do Brasil. Na comparação do novo levantamento com a 1ª pesquisa, divulgada em 2023, o percentual em cargos de diretoria caiu de 16,7% para 15%. Já em relação às funções gerenciais, houve um leve aumento, de 22,5% para 25%, embora a participação ainda seja limitada. Em linhas gerais, o total de mulheres no setor portuário apresentou elevação de 0,5 ponto percentual, subindo de 17,3% para 17,8% em dois anos. Esses e outros dados apresentados no evento que reuniu em Santos autoridades, lideranças e empresárias do setor evidenciam a baixa representatividade feminina em posições de gerência e diretoria nas empresas. O levantamento é fruto de um acordo de cooperação firmado entre a Antaq e a Women’s International Shipping and Trading Association (Wista Brazil). “Estamos falando de um segmento que gera valor para a economia brasileira e mundial. Apesar de o levantamento não contemplar áreas como advocacia e comércio exterior, que integram a cadeia logística, ele já oferece um retrato importante da realidade do setor”, afirmou a diretora da Antaq, Flavia Takafashi. Ainda de acordo com ela, “quando abrimos espaço para as mulheres, fortalecemos o setor como um todo. Um setor mais diverso é também mais eficiente, inovador e competitivo. Os dados nos ajudam a avançar nesse caminho, e quem ganha somos todos nós, as empresas, o setor e a sociedade brasileira”. Quem também esteve no Grupo Tribuna e analisou os números foi a secretária-executiva do Ministério de Portos e Aeroportos, Mariana Pescatori. “Esse resultado mostra a persistência de barreiras estruturais no setor portuário, especialmente nos espaços de decisão. A sub-representação feminina em cargos de direção compromete a diversidade de visões estratégicas e a capacidade de inovação institucional — e precisa ser enfrentada com medidas concretas”. Ela classificou esse dado como o mais preocupante do estudo. “Isso revela um ‘teto de vidro’ ainda bastante resistente”, completou. Mariana ressaltou que políticas públicas são essenciais para enfrentar essas desigualdades estruturais, pois permitem alinhar expectativas sociais com normas, metas e incentivos claros. E é esse papel que o Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) busca desempenhar, atuando para alcançar avanços significativos. Atualmente, 39,4% dos cargos e funções comissionadas do MPor são ocupados por mulheres. De forma ainda mais expressiva, 47,2% das posições de alta gestão (FCE/CCE de nível 13 ou superior) já contam com lideranças femininas. Além disso, a Política de Sustentabilidade, lançada em janeiro de 2025, estabeleceu a responsabilidade social como um de seus pilares. Essa diretriz se materializa em ações afirmativas e incentiva as empresas do setor a também evoluírem, por meio do Pacto pela Sustentabilidade, que possibilita a obtenção do Selo de Sustentabilidade com base em compromissos sociais concretos, como adesão ao Programa Brasileiro Pró-Equidade de Gênero e Raça; Censo com recortes sobre mulheres negras, PCDs, transexuais e povos originários em cargos de liderança; e transparência salarial, conforme a Lei Federal 14.611/2023. “Para que mais mulheres alcancem cargos de liderança, é necessário construir ambientes institucionais que ofereçam oportunidades reais de crescimento, valorizem trajetórias e combatam estigmas de gênero. Isso inclui lideranças comprometidas, programas de mentoria e mecanismos de monitoramento orientados para resultados”, afirmou a secretária. Um ponto positivo foi o aumento no número de empresas que passaram a adotar políticas de equidade nos processos seletivos, que agora representam 47,5% do total. “O desafio, no entanto, ainda é considerável: a presença feminina nos Conselhos da Autoridade Portuária é de apenas 8,4%, e nos conselhos administrativos, não ultrapassa 17%. Isso mostra que a equidade ainda não alcançou os espaços mais estratégicos”, alertou Mariana.