Laire José Giraud completou 81 anos no último dia 19 de janeiro (Carlos Nogueira/Arquivo AT) O despachante aduaneiro Laire José Giraud morreu, na manhã desta segunda-feira (2), aos 81 anos de idade. Laire estava em casa quando sofreu uma parada cardiorrespiratória, foi socorrido, mas não resistiu vindo a falecer por volta de 10h30. Referência em assuntos do Porto de Santos, Laire deixa um legado importante, inclusive, com seis livros publicados. O amigo e ex-editor do caderno Porto & Mar, José Carlos Silvares, lembrou que Laire colaborou com o jornal A Tribuna escrevendo artigos sobre transatlânticos. “Conheci o querido amigo Laire nos anos de 1970, quando era editor da página Porto & Mar. Ele passou a colaborar com artigos sobre navios de cruzeiros, uma de suas paixões, e fizemos várias matérias juntos. Colecionador de cartões postais antigos e originais de Santos e de navios, compartilhamos também esse hobby”, disse o jornalista. Silvares comentou ainda que a parceria virou amizade. “Nossas famílias conviveram muito. Laire era um cara sempre otimista, brincalhão, e mantinha suas amizades com muita dedicação, zelo e gentileza. Usuário ativo das redes sociais, sempre fez questão de destacar os amigos em suas postagens. A Cidade perde um valoroso e apaixonado morador, e merece que se faça a ela todas as homenagens”. “Ele foi um ótimo pai!”, declarou emocionado o seu filho Gustavo Giraud. O presidente da Praticagem de São Paulo, Fábio Mello Fontes, expressou, em suas redes sociais, que Laire é “um amigo inesquecível”, relatando que a amizade dos dois remonta à década de 1970. “Foi um apaixonado por nossa Cidade, nosso Porto e pelos navios. Escreveu artigos em A Tribuna sobre navios com paixão. (Ele) me acompanhou perseguindo o sonho de também se tornar prático e por muito pouco não logrou êxito. Em compensação, no trabalho aduaneiro, brilhou muito mais e se destacou pela competência e seriedade. Laire foi um ótimo pai e um marido dedicado. À sua esposa e aos filhos apresento condolências e rogo a Deus que os cubra de coragem para enfrentar a tristeza que bem conheço como é”. Entrevista para A Tribuna Em entrevista para A Tribuna, publicada em 26 de janeiro de 2020, Laire compartilhou suas memórias sobre o maior complexo portuário do Hemisfério Sul, relatando as transformações que marcaram o Porto e a Cidade ao longo das últimas décadas. Nascido em 19 de janeiro de 1945, Laire contou que ficou fascinado pelo Porto de Santos ainda menino. Acompanhava a movimentação de navios na Ponta da Praia e pela janela do consultório médico de seu pai, localizado no Centro. O fascínio o predestinaria a seguir carreira no setor portuário. Anos mais tarde, Laire se inspirou em um tio e prestou o concurso para se tornar prático, queria manobrar navios no canal do Porto, mas não obteve classificação suficiente. Algum tempo depois, abriu uma comissária de despachos aduaneiros onde se estabeleceu profissionalmente. Livros Laire publicou seis livros dedicados à história do Porto e de Santos, reunindo imagens que retratam desde antigos trapiches até navios de cruzeiro. São eles: “Transatlânticos em Santos”, “Transatlânticos de Cruzeiros Marítimos”, “Photografias e Fotografias do Porto de Santos”, que reúne imagens antigas do Cais santista, “Cia Docas”, editado em comemoração aos 500 anos do Descobrimento do Brasil e que retrata a construção do segundo trecho do cais, entre Paquetá e Outeirinhos, em 1902, e “Memórias da Hotelaria Santista”, obra que resgata parte da história do turismo na Cidade. Velório e enterro O velório de Laire Giraud será realizado nesta terça-feira (3), na Memorial Necrópole Ecumênica, a partir das 8h, e o sepultamento está previsto para as 15 horas. O endereço é Avenida Dr. Nilo Peçanha, 50, no Marapé, em Santos. Laire Giraud deixa a esposa Creusa e os filhos Gustavo e Roberta.