Módulos formam um sistema de cerca de 1,7 quilômetro de extensão, com mais de 4 mil metros de correias (Claudio Neves/Portos do Paraná) Com o içamento do último dos 54 módulos de galerias metálicas que compõem o sistema de transporte de grãos e farelos vegetais, o Moegão, no Porto de Paranaguá (PR), atingiu a marca de 95% de execução. É a maior obra portuária em execução no Brasil. São mais de R\$ 650 milhões em investimentos, com recursos próprios da Portos do Paraná e financiamento concedido pelo BNDES. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! Os módulos formam um sistema de cerca de 1,7 quilômetro de extensão que abriga mais de 4 mil metros de correias transportadoras já instaladas. As galerias, criadas exclusivamente para o Moegão, contam com três linhas de esteiras que vão operar simultaneamente, de forma independente, levando os produtos descarregados dos vagões para os terminais de exportação. O edifício da moega está concluído, assim como o Sistema de Prevenção e Combate a Incêndio (SPCI), indispensável para a segurança operacional. Outra parte da estrutura que está pronta é a torre de elevadores, responsável por levar os produtos recebidos na moega para as correias transportadoras aéreas. O complexo da moega também é dotado de inúmeros equipamentos que já estão instalados e prontos para entrar em funcionamento. Muitos ficam no subsolo, distribuídos em diversos níveis que totalizam 14 metros de profundidade, estrutura equivalente a um prédio de quatro andares. O projeto reúne características inéditas na engenharia ferroviária e portuária, ao centralizar em um único local o recebimento de cargas de granéis vegetais transportadas por trens para posterior embarque em navios. Ampliação O Porto de Paranaguá tem capacidade para receber até 550 vagões por dia. Com o funcionamento do Moegão, serão até 900 vagões descarregados ao longo de 24 horas. O ganho de eficiência operacional será de 63%. Quando entrar em operação, o Moegão elevará o potencial de recebimento de grãos e farelos pelo modal ferroviário no Porto de Paranaguá, que poderá movimentar até 24 milhões de toneladas ao ano. Hoje são pouco mais de cinco milhões de toneladas. Com este investimento, além de atender à demanda atual, o porto paranaense estará preparado para o aumento do fluxo previsto para os próximos anos. A obra foi projetada para atender à ampliação da Ferroeste, que terá um de seus ramais saindo do estado de Mato Grosso do Sul, e da Malha Sul, que também será reestruturada. O Moegão atenderá a 11 terminais portuários do Corredor de Exportação Leste (Corex), responsáveis pela armazenagem e pelo embarque dos produtos nos navios. Cada empresa ficará responsável por se conectar ao sistema de recebimento de carga nas torres de transferência. Sem poluição As galerias são dotadas de equipamentos que evitam a dispersão de poeira no ambiente durante o transporte dos produtos. Da mesma forma, a moega possui equipamentos que farão a captação do material particulado gerado durante o descarregamento dos vagões. Os resíduos retornarão à moega, contribuindo para a qualidade do ar e evitando perdas de carga. Complexo em Paranaguá conta com três linhas férreas que funcionarão de forma independente (Claudio Neves/Portos do Paraná) Linha férrea ainda este mês As equipes que executam as obras trabalham de forma simultânea em diferentes frentes, como na finalização da linha férrea. “Agora faltam poucos metros de trilhos. Devemos entregar essa parte até o final de julho”, explica o diretor de Engenharia e Manutenção da Portos do Paraná, Victor Kengo. As obras dos prédios de administração e de manutenção, que ficam ao lado da moega, estão em execução. Outro elemento fundamental para o funcionamento da megaestrutura é a montagem da subestação de energia elétrica, totalmente dedicada ao funcionamento do Moegão. Pera ferroviária O complexo conta com três linhas férreas que funcionarão de forma independente, possibilitando o esvaziamento simultâneo de três vagões em cada uma delas. Atualmente, a recepção de grãos e farelos pelo modal ferroviário não é centralizada. Os vagões são direcionados para os terminais, com a necessidade de manobras das composições. Essa operação, por vezes, interrompe o trânsito nas ruas da região portuária por mais de 40 minutos. Sem a necessidade de divisão da composição, as passagens de nível (onde os trilhos cruzam as ruas) serão reduzidas de 16 para cinco. Com isso, o trânsito ficará interrompido apenas por alguns minutos, tempo suficiente para a passagem do trem, que leva, em média, de 10 a 15 minutos. O Moegão poderá abrigar até 180 vagões de uma só vez. Instalado em uma área de 600 mil metros quadrados (m²), o complexo para receber os trens foi desenvolvido em formato de pera, com acessos por dois pontos. Esse projeto circular evita o bloqueio das ruas, facilita o fluxo de entrada e saída das composições por ambos os lados e traz mais agilidade às operações de descarga.