As negociações trabalhistas diretas entre sindicatos e operadores portuários nos Estados Unidos foram discutidas no 3º Congresso do Trabalhador Portuário, realizado na semana passada, em Santos. Com o lema “Ajustando a Rota para Novos Horizontes” e foco no futuro do trabalho portuário, o encontro reuniu mais de 100 pessoas. Automação, inteligência artificial, presença feminina, segurança, legislação, qualificação profissional e as perspectivas para a mão de obra também pautaram o evento. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! O congresso foi promovido pelo Papo de Porto 013, em parceria com o Sindicato dos Estivadores de Santos, São Vicente, Guarujá e Cubatão (Sindestiva) e demais entidades de trabalhadores portuários. Contou com a participação de sindicalistas, trabalhadores, especialistas e representantes de diferentes segmentos do setor. Entre os palestrantes, a desembargadora do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-2), Ivani Contini Bramante, que ministrou a palestra “Acordo negociado sobre o legislado: avanço ou retrocesso dos direitos trabalhistas no Brasil”. Idealizador e organizador do congresso, o estivador Luiz Fabiano Silva destacou as experiências apresentadas por representantes da International Longshoremen’s Association (ILA), da Costa Leste dos Estados Unidos, e do International Dockwor-kers Council (IDC). “Eles trouxeram exemplos de ações coletivas que foram vitoriosas para os trabalhadores portuários”, afirmou Silva. Para ele, a negociação direta entre sindicatos e operadores poderia ser ampliada no Brasil. “Lá nos Estados Unidos eles não têm a intermediação de um terceiro. Poderíamos importar isso para ter essa negociação direta com os operadores portuários, no caso dos terminais de uso privado (TUPs)”, observou. Silva ressaltou que o objetivo do encontro é ampliar o diálogo entre capital e trabalho. “É agregar, juntar, fortalecer as relações capital e trabalho, a parte laboral e a parte empresarial, para que a gente consiga, juntos, atenuar alguns temas tão importantes para o Porto e para Santos, diminuindo as tensões”, comentou. Outro destaque foi a participação de mulheres de diferentes portos no painel sobre os desafios do trabalho contemporâneo. De acordo com Silva, um dos assuntos discutidos foi a necessidade de políticas de equidade de gênero. “As trabalhadoras portuárias têm medo da gravidez porque não sabem como ficará o afastamento delas perante a Previdência Social”, ressaltou. O presidente do Sindestiva, Bruno dos Santos, também destacou a presença de mulheres portuárias no evento. “Foi muito importante a participação das trabalhadoras braçais nesse congresso”, enfatizou. O líder sindical lembrou que a negociação direta entre sindicatos e operadores já foi uma realidade no Porto de Santos. “Isso já funcionou muito, aqui, antigamente e, por isso, não tinha tanta briga judicial como se tem hoje. A legislação criou intermediários entre armadores e sindicatos, aumentando os conflitos nas relações trabalhistas”, disse Santos.