Em busca de novas tecnologias para a Baixada Santista, o prefeito de Praia Grande, Alberto Mourão, ouve as explicações da equipe da SenseTime (Alexandre Lopes/AT) A agenda técnica da Missão Internacional Porto & Mar 2026 em Xangai contou, nesta quarta-feira (27), com uma visita à SenseTime, uma das maiores empresas de inteligência artificial da China e referência global em reconhecimento facial, visão computacional e automação inteligente. A programação impressionou a comitiva brasileira logo nos primeiros minutos. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! Ainda na entrada da empresa, empresários, executivos e autoridades tiveram contato com sistemas totalmente automatizados de compra por reconhecimento facial, em uma espécie de loja inteligente onde o próprio sistema identifica o consumidor, registra os produtos escolhidos e realiza automaticamente o processo de pagamento. Na sequência, outro equipamento chamou atenção dos participantes: um robô humanoide utilizado como atendente de loja. A tecnologia conversa, recebe pedidos, entrega produtos e realiza tarefas de atendimento de maneira totalmente automatizada. O impacto visual das demonstrações reforçou entre os integrantes da missão a percepção sobre o nível de avanço da IA aplicada ao cotidiano urbano e comercial na China. Fundada em 2014 por pesquisadores ligados à Universidade Chinesa de Hong Kong, a SenseTime se consolidou como uma das gigantes globais de inteligência artificial, atuando em áreas como reconhecimento facial, cidades inteligentes, direção autônoma, segurança pública, computação visual e monitoramento inteligente. A empresa se tornou símbolo da estratégia chinesa de expansão em IA e ganhou notoriedade internacional pelo desenvolvimento de plataformas avançadas de análise de imagens e reconhecimento facial em larga escala. Um robô humanoide como atendente de loja é a prova do ganho obtido pelos chineses ao aplicar a inteligência artificial em tarefas da rotina da população (Alexandre Lopes/AT) Soluções Na apresentação de nesta quarta-feira (27), representantes da companhia mostraram sistemas capazes de identificar pessoas a partir de redes urbanas integradas por milhões de câmeras espalhadas pelas cidades chinesas. As demonstrações incluíram aplicações voltadas à segurança pública, monitoramento urbano, gerenciamento de trânsito e controle inteligente de mobilidade. O nível de integração tecnológica impressionou a delegação brasileira, mas também chamou atenção pela capacidade de monitoramento em larga escala. Outro ponto que despertou interesse dos participantes foi a aplicação da inteligência artificial no setor automotivo. A empresa apresentou sistemas embarcados capazes de monitorar comportamento de motoristas, identificar sinais de fadiga, distração e riscos de acidente em tempo real. As soluções fazem parte da estratégia chinesa de ampliar a integração entre inteligência artificial, mobilidade inteligente e segurança viária. Delegação brasileira teve contato comas mais modernas possibilidades envolvendo a IA, incluindo o uso em larga escala em vários segmentos (Alexandre Lopes/AT) Oportunidades Além do impacto tecnológico, a visita também teve forte componente de relacionamento institucional e possibilidade de negócios. Um dos mais interessados nas soluções apresentadas foi o prefeito de Praia Grande, Alberto Mourão (MDB), que conversou com representantes da SenseTime sobre possíveis aplicações dessas tecnologias na Baixada Santista, especialmente em áreas ligadas à segurança, mobilidade e gestão urbana inteligente. Ao longo da visita, integrantes da missão destacaram como a China vem transformando inteligência artificial em aplicações práticas de larga escala, integrando tecnologia, infraestrutura e serviços públicos de maneira altamente acelerada. A agenda na SenseTime reforçou uma percepção que vem se repetindo ao longo da Missão Porto & Mar 2026: a China deixou de ser apenas um centro industrial de produção em massa para se posicionar como uma das principais protagonistas globais da corrida tecnológica. Mais do que inovação futurista, os sistemas apresentados em Xangai demonstram como inteligência artificial, automação e análise de dados já fazem parte da rotina urbana chinesa — muitas vezes em um nível ainda distante da realidade observada em grande parte do Ocidente. Bruno Stupello, Luciana Guerise e Ricardo Arten (Reprodução) “Estar na China traz uma mudança de mindset. Vimos como país focado no desenvolvimento de tecnologia está à frente em relação ao que nós temos de aplicações no Brasil. Aqui, a inteligência artificial é muito profunda e ela pode ser aplicada também nos terminais, nos portos, enfim, em qualquer indústria”, Bruno Stupello, diretor de Desenvolvimento de Projetos Estratégicos da Santos Brasil “Nós temos um equipamento todo eletrificado e de controle remoto. Isso já ajuda em várias questões, principalmente em termos de meio ambiente e produtividade. Fico muito feliz de estar na ZPMC, porque da janela você já vê dois equipamentos preparados para ir a Santos. Serão dois chegando em agosto e mais dois no próximo ano. Isso dará mais produtividade ao nosso terminal e ao Porto”, Luciana Guerise, Relações Institucionais da DP World “A ZPMC faz equipamentos pesados, tanto na parte de STS, colocando e retirando contêineres do navio, quanto RTGs, que movimentam na retaguarda. É uma indústria que transforma as nossas operações em eficiência. Os nossos equipamentos produzidos na ZPMC são operados remotamente, com segurança ao trabalhador e à operação”, Ricardo Arten, presidente do Porto Itapoá