Presidente da APS, Anderson Pomini (no centro), explica detalhes sobre o porto para o ministro Wellington César Lima e Silva (de gravata) (Alexsander Ferraz/AT) A preocupação do governo dos Estados Unidos em cooperar com o Brasil no combate ao tráfico internacional de drogas, a partir do Porto de Santos, não é desprezada pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, e pelo secretário nacional de Segurança Pública, Francisco Lucas Costa Veloso, o Chico Lucas, desde que não ameace a soberania nacional. Os dois visitaram o complexo portuário santista nesta sexta-feira (14), mas não anunciaram novidades na segurança. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! Silva disse que a posição brasileira é sempre de cooperação, mas aposta na dedicação das forças especializadas brasileiras. “Temos uma das polícias federais mais reconhecidas de todo o mundo e forças específicas com tecnologia brasileira, como também aqui no Porto de Santos, que acaba sendo replicada por outros países”. O secretário nacional de Segurança Pública reforçou o interesse na ajuda dos Estados Unidos, mas deixou claro que não será aceita uma intervenção e que o país da América do Norte não é o maior exemplo de combate às drogas, que ele classifica como um problema mundial. “Não dá falar dos portos como um ente isolado. Na verdade, ele faz parte de um ecossistema muito maior, onde vem mercadorias de vários estados da federação, de várias origens. Precisamos conversar com outros estados, outras forças de segurança e outras agências”, detalha. Chico Lucas acrescenta que o Ministério da Justiça atua com outros entes na articulação em prol das fronteiras terrestres. Um deles é o Gabinete de Segurança Institucional (GSI), órgão de apoio estratégico encarregado da segurança de magistrados, promotores, instalações físicas e de atividades de inteligência contra ameaças institucionais. “Temos que ter uma atenção especial para o Porto de Santos, o maior ponto da fronteira marítima brasileira”, afirma. União de forças A passagem do ministro e do secretário pela região deu continuidade às discussões realizadas em 17 de julho, no Escritório Nacional Antifacção, em São Paulo. Na ocasião, representantes de órgãos de segurança pública, fiscalização, inteligência, regulação e operadores da infraestrutura logística discutiram medidas de cooperação para fortalecer a atuação integrada em portos, aeroportos e rodovias. “O combate ao crime organizado pressupõe a integração de todas as forças. Além disso, é preciso investimento em tecnologia e inteligência para diagnosticar o tipo de ação do crime organizado e, assim, estabelecermos estratégias com os mais diversos parceiros para que as lideranças sejam combatidas com precisão e especificidade”, afirma o ministro. “Estamos sempre trocando informações e unificando o banco de dados. Vamos adaptando as respostas conforme o crime organizado também vai mudando as suas estratégias”, emenda Lima e Silva. APS cita R\$ 300 milhões para a segurança A Autoridade Portuária de Santos (APS) planeja destinar até 2030 quase R\$ 300 milhões na modernização e no fortalecimento da segurança portuária, com investimentos e contratações voltados à ampliação da capacidade operacional, tecnológica e de resposta da Guarda Portuária. Do total previsto, R\$ 90 milhões estão relacionados a equipamentos e renovação da frota. O planejamento contempla 17 viaturas operacionais, um caminhão guincho, uma base móvel, oito motocicletas (havia quatro no local de 800 cilindradas), dois caminhões de bombeiros, duas embarcações blindadas (que ainda estão sendo preparadas, segundo a APS), além de armamentos para a Guarda Portuária (314 pistolas calibre 9mm, 10 carabinas 9mm e 10 espingardas 12mm). “A vinda do ministro e do secretário é muito importante justamente para destacar o Porto de Santos como grande laboratório e principal janela de conexão com o mundo”, afirma o presidente da APS, Anderson Pomini. O Sistema de Gerenciamento de Informações do Tráfego de Embarcações (VTMIS, na sigla em inglês) também está nessa conta. Aguardado há 15 anos, o sistema deverá entrar em operação no Porto de Santos a partir de 2027, reforçando o monitoramento do trânsito de embarcações em tempo real, coibindo, inclusive, o tráfico internacional de drogas. O contrato, assinado no início do mês e no valor de R\$ 89 milhões, é válido por cinco anos. “Depois que for implementado, teremos as antenas instaladas e a cobertura de um raio de, pelo menos, 60 quilômetros. São dados sensíveis que serão utilizados por todas as instituições que combatem o crime organizado”, comenta Pomini. Garantia da Lei e da Ordem O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, não considera que a Garantia da Lei e da Ordem (GLO) sirva de base para novas ações no Porto. Ela foi colocada em prática por sete meses (entre novembro de 2023 e junho de 2024) em portos - como o de Santos - e aeroportos, com as Forças Armadas atuando diretamente na segurança pública, contra o crime organizado. “São coisas distintas. No Porto de Santos temos que ter uma estratégia de permanência, não de excepcionalidade. O trabalho tem que ser contínuo e intenso. Inteligência, tecnologia e integração são as palavras-chave. Não se inventa em matéria de segurança pública nem existem soluções mágicas nem pontuais. Só teremos resultados consistentes na medida em que tenhamos realmente essa integração e essas soluções que são orgânicas, permanentes e duradouras, integradas em um conjunto bem diversificado de providências”, explica.