(Vanessa Rodrigues/AT) O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, arrasta o suspense sobre o que será feito com o STS10, não apresentando nenhuma informação concreta a respeito do espaço estratégico no Porto de Santos. Questionado na quinta-feira (22) por A Tribuna, ele afirmou apenas que deve ter, ainda este ano, uma avaliação conclusiva sobre a área. Clique aqui para seguir agora o canal de Porto & Mar no WhatsApp! O terminal, que é originalmente destinado para contêineres e que fica no cais do Saboó, está envolvido em polêmicas e disputas entre empresas portuárias. “A gente nunca descartou a possibilidade de fazer o STS10. O diálogo é sempre muito importante e temos ouvido todos”, disse o ministro durante a inauguração, na manhã de quinta (22), do viaduto de transposição da via férrea que liga o complexo de celulose da Margem Direita do Porto de Santos à Avenida Governador Mário Covas Jr (via perimetral). O discurso de indefinição é o mesmo que Costa Filho sustenta há meses, diante da pressão de gigantes portuárias contra e a favor de um megaterminal de contêineres no STS10. “Estamos construindo duas agendas. A primeira é como vai se dar o fluxo de veículos (para o STS10). A mobilidade urbana tem que entrar no projeto como prioridade. E o segundo ponto é o terminal marítimo (de passageiros), porque não tem sentido um estado como São Paulo, uma cidade como Santos, ter um terminal como tem hoje”, ressaltou. Na última quarta-feira (21), o ministro participou de leilões de cinco arrendamentos portuários de outros estados, na Bolsa de Valores de São Paulo (B3). Em pronunciamento após os pregões, Costa Filho deixou claro que pretende fazer o leilão do STS10 em 2025. Na quinta (22), o ministro nem sequer confirmou o que disse no dia anterior. Discursos diferentes? Realizar o leilão no ano que vem iria na contramão do que afirmou recentemente o presidente da Autoridade Portuária de Santos (APS), Anderson Pomini. Em 1º de agosto, ele garantiu que não havia como viabilizar o STS10 antes da construção de dois viadutos na Alemoa. Essas obras necessárias para desafogar o acesso ao Porto devem ficar prontas em quatro anos. Quinta (23), porém, Pomini garantiu que os discursos parecem divergentes, mas não são. E voltou a dizer que o STS10 vai demorar. “Ainda que o leilão ocorra no ano que vem, efetivamente essa operação acontecerá nos próximos três, quatro anos. Não pode ser imediata. Então, a gente consegue casar o início da operação desse novo terminal com a construção desses viadutos”. Ecoporto A situação do STS10 também passa pelo contrato com o terminal multipropósito Ecoporto, da Ecorodovias, que funciona em parte do espaço. O arrendamento venceu em 2023 e foi prorrogado por três vezes, com último prazo até dezembro deste ano. Em reportagem do jornal Valor Econômico, publicada na quarta-feira (21), o ministro disse que “já há decisão de não fazer a renovação” com o Ecoporto. Questionado por A Tribuna na quinta (22), ele também desconversou. “O Ecoporto foi e é muito importante para o Porto de Santos. A gente sabe das dificuldades jurídicas que estão colocadas em relação a esse processo. Nós vamos conversar na próxima semana com o presidente Pomini, Temos que ter um olhar para os nossos terminais e operadores, de modo que a gente busque, ao final, o melhor encaminhamento possível dentro de uma lógica jurídica e, sobretudo, pensando no crescimento do Porto”. O presidente da APS explicou que o plano de investimento do Ecoporto está sendo analisado.“É uma decisão que tem de ser tomada coletivamente, por toda a comunidade portuária e pelos órgãos de controle. Naquele local, é possível que tenhamos um terminal de passageiros e um outro terminal de movimentação de contêineres. Com a presença do Ecoporto? É o estudo que estamos fazendo”, afirma, seguindo a linha de Costa Filho. Caso o Ecoporto saia, a área do STS10 deve receber o novo terminal de cruzeiros de Santos e todo o restante do espaço possivelmente será destinado para empresas que movimentam contêineres,atendendo ao pleito do setor para aumento da capacidade no cais santista. A Reportagem entrou em contato com a assessoria do Ecoporto, mas a empresa preferiu não se manifestar sobre o assunto.