Na esfera pública, agenda da sustentabilidade incluirá projetos, estudos e possíveis alterações regulatórias. Já com o setor privado, Governo propõe pacto voltado a empresas interessadas em adotar práticas ambientais, sociais e de governança (ESG) (Alexsander Ferraz/AT/Arquivo) Portos, aeroportos e hidrovias mais sustentáveis e estrategicamente competitivos. Com esse objetivo, o Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) lançou nesta segunda-feira (27), em São Paulo, uma política nacional de sustentabilidade com agenda anual voltada aos setores público e privado. Na esfera pública, segundo o MPor, será elaborada a agenda da sustentabilidade, que incluirá projetos, estudos e possíveis alterações regulatórias. Já com o setor privado, a implementação da política deve ocorrer por meio de um pacto pela sustentabilidade, compromisso voltado a empresas interessadas em adotar práticas ambientais, sociais e de governança (ESG). Entre os destaques citados pelo ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, no evento de ontem estão a eletrificação de portos para garantir energia limpa a navios que aguardam autorização para atracar e convênios internacionais, inclusive com a China, para promover o uso de SAF (combustível sustentável para aviões). “A eletrificação já é adotada por alguns portos pelo mundo e o Brasil tem tudo para se destacar nesta área”, afirmou o ministro, explicando em seguida que, enquanto os navios ficam à espera de autorização para atracar, seguem consumindo combustível fóssil. “São os chamados portos inteligentes, com infraestruturas e sistemas de energia limpa que abastecem o navio, reduzindo a emissão de gases de efeito estufa neste período”, complementou. Início de implantação O projeto, segundo a agenda de sustentabilidade do MPor, já começa a ser implantado este ano em alguns portos. Além disso, haverá uma medida de redução da emissão durante a COP30, que será realizada em novembro em Belém. Segundo a diretora de Sustentabilidade do MPor, Larissa Amorim, está em andamento a utilização de gás natural liquefeito (GNL) para abastecer as duas embarcações que serão utilizadas como hotéis flutuantes durante o evento. “É uma solução provisória, que ainda utiliza combustível fóssil. Mas a emissão de gases cai de 20 a 30% em relação ao uso de diesel”, comentou Larissa. Reconhecimento O reconhecimento às empresas participantes do pacto será por meio dos selos Bronze, Prata, Ouro ou Diamante, mediante a adoção de práticas relacionadas aos eixos ambiental, social e de governança (ESG), segundo informou o MPor. “Estamos observando iniciativas importantes no setor, voltadas não apenas para a redução do impacto ambiental, mas também para a transparência na gestão e a inclusão social. É nosso papel estimular essas ações, que beneficiam diretamente o cidadão brasileiro, mesmo aqueles que não utilizam transporte aéreo ou hidroviário”, destacou Costa Filho. Acordo de cooperação Parte do plano apresentado em São Paulo foi desenvolvido graças a um acordo de cooperação técnica (ACT) assinado há dois meses pela pasta federal com o MoveInfra, que reúne seis empresas de infraestrutura do País: CCR, EcoRodovias, Hidrovias do Brasil, Rumo, Santos Brasil e Ultracargo. O diretor de Comunicação e Relações Institucionais do MoveInfra, Fernando Diniz, destacou que “o Ministério de Portos e Aeroportos tem como finalidade reconhecer empresas que realizam práticas sustentáveis”. Ações conjuntas O ACT assinado entre a pasta federal e o MoveInfra em novembro é válido por um ano, prorrogável por mais um. Diniz explicou que o intuito é realizar ações conjuntas centralizadas em políticas de sustentabilidade. “A parceria prevê a troca e o compartilhamento de dados, informações, estudos e relatórios técnicos que tragam contribuições para as melhores práticas e inovações sustentáveis”. O diretor reiterou que “o MoveInfra tem como um de seus três pilares o compromisso socioambiental, trabalhando em projetos voltados ao desenvolvimento sustentável na infraestrutura”. Além disso, sem vínculo com o acordo firmado com o MPor, o MoveInfra pretende investir R\$ 38 bilhões em obras de rodovias, ferrovias, portos, aeroportos, hidrovias e mobilidade urbana em 2025 e 2026.