Acabar com a palavra temporada é a primeira meta para se destravar o crescimento dos cruzeiros no País, segundo o presidente da Associação Brasileira de Cruzeiros Marítimos (Clia Brasil), Marco Ferraz. E há demanda. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! “Espero que não demore muito. Com o Brasil é mais demorado sempre, mas estamos trabalhando e acho que a gente, aos poucos, vai chegar. Não duvido que, em um futuro de três a cinco anos, a gente chame a atenção de uma companhia para fazer um teste e ficar o ano inteiro”, afirmou Ferraz, nesta quarta-feira (26), no 8º Fórum Clia Brasil, em Brasília. Embora as companhias que atuam no Brasil continuem lucrando com a alta demanda, os custos são apontados como problemas a serem superados. Para se ter uma ideia, o presidente institucional da Costa Cruzeiros no Brasil, Renê Hermann, disse que o visto para tripulantes custou R\$ 1,5 milhão, sem contar outros custos, como trabalhistas. “Os vistos ainda são físicos. A gente precisa digitalizar, desburocratizar e simplificar esse processo”, ressaltou Ferraz. “Estamos trabalhando nessa questão de regulação”, emenda. Os valores envolvendo atracação também foram lembrados pelo presidente da Clia Brasil, citando Santos. “O navio fica parado a 1,5 km e o terminal tem que ter 70 ônibus fazendo o transporte de passageiros durante cada dia de operação. Isso é custo. E vai para o cruzeiro”. Investimentos em infraestrutura e na oferta de combustíveis, como GNL (gás natural liquefeito), além de shore power (rede elétrica terrestre), também são importantes, diz ele. “Mas o que pega mesmo é a falta de previsibilidade e a segurança jurídica. Temos que trabalhar isso com os ministérios da Justiça, de Turismo e de Portos e Aeroportos (MPor)”. Levantamento O mercado de cruzeiros no Brasil terá uma recuperação na temporada 2026/2027 (oficialmente de 31 de outubro a 9 de abril) em relação à anterior, que teve 602.864 passageiros. Segundo o Estudo de Perfil e Impactos Econômicos de Cruzeiros Marítimos no Brasil, realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) em parceria com a Clia Brasil e lançado nesta quinta-feira (26) no evento, a capacidade total chegará a 817.562 leitos, alta de 24%. Estão previstos 187 roteiros, frente a 160 na temporada 2025/2026. Os embarques e desembarques ocorrerão em sete portos. O Porto de Santos será líder em escalas, com 142, superando Búzios (RJ), com 94, e Rio de Janeiro, com 74. Serão oito embarcações: Diadema e Serena, da Costa; Splendida, Divina, Musica, Seaview, Virtuosa, da MSC; e Buenavista, da Corazul. Os dois últimos farão cruzeiros pela primeira vez no Brasil. Corazul A Corazul Cruzeiros, da Espanha e que deve ser novidade na temporada brasileira, desmarcou a presença no evento desta quarta-feira (26). Em vídeo, o diretor de Operações da empresa, Camille Appeldoorn, disse que a companhia está em preparação intensa para a estreia no Brasil este ano e espera apresentar novidades em breve. Nova no setor, a Corazul só tem um navio e cancelou cruzeiros na Europa e disse que vai iniciar as atividades pelo Brasil.