Tecon Santos 10, no cais santista, é um marco entre os leilões que são repetidamente anunciados e adiados (Alexsander Ferraz/AT) O Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) tem se tornado especialista em repetir anúncios. O novo enredo protagonizado pela pasta é a carteira de investimentos para o setor portuário entre 2027 e 2030, anunciada pelo ministro Tomé Franca no início deste mês. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! A quantidade e os números impressionam de imediato: 34 leilões com R\$ 20,6 bilhões em investimentos por parte das empresas nos ativos, 70 autorizações para empreendimentos privados, com recursos de R\$ 33,1 bilhões, além de 18 obras públicas portuárias, que somam R\$ 2,15 bilhões. O problema é que os principais projetos já integravam a agenda deste ano, que está terminando. Ou seja, foram anunciados, mas não saíram do papel. Entre eles estão o Terminal de Contêineres (Tecon) Santos 10, no cais do Saboó (STS10), no Porto de Santos, uma antiga novela com previsão de R\$ 6,45 bilhões em investimentos por parte do vencedor do leilão; o SSB01, terminal multipropósito no Porto de São Sebastião (SP), que prevê que o arrendatário gaste R\$ 3,84 bilhões; e o ITJ01, projeto de arrendamento definitivo do terminal de contêineres e carga geral do Porto de Itajaí (SC), com R\$ 2,66 bilhões em recursos privados a serem investidos no local. Também integram a carteira o VDC10, destinado à movimentação e armazenagem de granéis sólidos e líquidos no Porto de Vila do Conde (PA), em Barcarena, com R\$ 1,93 bilhão, e o IQI15, terminal no Porto do Itaqui (MA) para a movimentação e armazenagem de granéis sólidos vegetais, com R\$ 1,22 bilhão. As duas instalações também não são novidade: a paraense chegou a ser prevista para o ano passado e a maranhense para 2026. O secretário nacional de Portos, Alex Sandro de Ávila, foi questionado por A Tribuna sobre o assunto durante o 2º Mulheres a Bordo 2026, realizado na semana passada, no auditório da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), em Brasília. Ele minimizou a situação e evitou chamar o processo de “repetição”, tratando-o como “continuidade”, apesar de atraso ter sido a palavra de ordem no MPor ao longo dos anos. Ávila justificou que, enquanto o leilão não acontece, o projeto segue na carteira de desenvolvimento “para que chegue a um nível de maturidade em que tenha todas as aprovações e autorizações para que possa ser submetido ao mercado”. “Continuo vendo e avaliando que se trata de uma carteira de projetos que tem muita simetria e sinergia com as necessidades logísticas dos vários tipos de carga, principalmente nas regiões Norte e Nordeste do País, até porque as projeções indicam uma tendência muito grande do agronegócio continuar crescendo e se desenvolvendo principalmente para essa região”, afirma ele. Ávila destaca que é importante ter um planejamento. “Por isso que vemos isso como uma continuidade”, comentou. A Reportagem procurou o MPor para obter mais detalhes a respeito de todos os investimentos previstos da carteira na área portuária. Inicialmente, a pasta pediu um prazo mais longo responder, o que foi atendido. Ainda assim, o Ministério não cumpriu o prazo e não prestou esclarecimentos.