Navio com contêineres ingressando no Porto de Santos: entidade ligada ao café aponta dificuldades para exportação do produto nacional (Vanessa Rodrigues/AT) Mais de 1,6 milhão de sacas de café de 60 quilos cada, acondicionadas em 4,9 mil contêineres, deixaram de ser exportadas entre janeiro e novembro do ano passado. Desse total, 964,2 mil sacas (60%), armazenadas em 2,9 mil contêineres, estão concentradas no Porto de Santos. É o que aponta levantamento realizado pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) junto a 27 empresas associadas, que representam 75% das remessas totais ao exterior. Segundo o Cecafé, atrasos constantes, alterações de escala de navios para exportação e frequentes rolagens de cargas levaram ao acúmulo de produtos não embarcados nos 11 primeiros meses de 2024. “Devido a esses entraves na logística, nos portos brasileiros, os exportadores de café tiveram um prejuízo portuário de R\$ 11,9 milhões somente em novembro, que envolvem gastos extras com armazenagens adicionais, detentions, pré-stacking e antecipação de gates”, informou a entidade, em nota. O órgão calcula que, com um preço médio Free on Board (FOB) de exportação de US\$ 290,66 por saca (café verde) e a média do dólar em R\$ 5,8065 em novembro, o não embarque do produto implica que o Brasil deixou de receber, de janeiro a novembro, US\$ 469,53 milhões (R\$ 2,726 bilhões) como receita cambial. “Os entraves na logística e os prejuízos acumulados por nossos exportadores externam que os principais portos brasileiros para exportação de café e demais cargas que demandam contêineres não acompanharam a evolução do agronegócio no País, sendo nítida a falta de infraestrutura portuária adequada”, afirmou o diretor técnico do Cecafé, Eduardo Heron. Heron salientou que é necessário expandir pátios e berços, investir em rodovias, ferrovias e hidrovias e dragar os canais dos portos para receber navios maiores. “A infraestrutura portuária brasileira apresenta sinais de esgotamento e é emergencial ampliar investimentos e adotar medidas que visem atender à demanda crescente do agronegócio nacional, proporcionando mais eficiência e competitividade aos setores”. Atrasos em novembro Conforme o Boletim Detention Zero (DTZ), elaborado pela startup ElloX Digital, 66% dos navios, ou 200 de um total de 304 porta-contêineres, tiveram atrasos ou alteração de escalas que impactaram no resultado das exportações de café, nos principais portos do Brasil, em novembro passado. A espera mais longa, de 68 dias, foi registrada em Santos. Além disso, 46 navios sequer tiveram abertura de gate no cais santista em novembro. Já no acumulado de 11 meses, de acordo com o boletim, 125 embarcações de um total de 160 registraram atraso ou mudança de escala, ou seja, 78%. O complexo portuário santista responde por 67,6% dos embarques de café. Ainda em novembro, apenas 9% dos embarques tiveram prazo maior do que quatro dias de gate aberto por navios. Outros 46% possuíram entre três e quatro dias e 44% tiveram menos de dois dias. Exportação recorde Heron destacou que, mesmo com os entraves logísticos, o Brasil exportou 46,4 milhões de sacas no acumulado de 2024 até novembro, superando o recorde anual de 2020, de 44,7 milhões de sacas. Nos 11 primeiros meses de 2024, observou-se, ainda, um crescimento de 24,6% nas exportações realizadas por Santos e de 53,2% pelo complexo portuário do Rio Janeiro (RJ). O que diz a APS Em nota, a Autoridade Portuária de Santos (APS) informou que as escalas de navios, em especial os de contêineres, são decididas pelos operadores de acordo com a conveniência de mercado, bem como o recebimento e embarque das cargas, sujeitos, é claro, às anuências das diversas autoridades. “Quem atua no Porto entende que não há atraso de navios devido à infraestrutura, o que existem são condições que determinam quando e quais navios farão quais linhas e em quais portos atracarão”, destacou a estatal responsável pela gestão do complexo portuário santista. Contudo, a APS esclareceu que está atenta e “vem intermediando conversas com os principais envolvidos”, como o Cecafé, administrações de outros portos, Sindicato dos Operadores Portuários do Estado de São Paulo (Sopesp), armadores, terminais de contêineres, entre outros, a fim de se encontrar soluções para mitigar os problemas, esclarecendo que “não é responsável pela execução das operações”