Só em 2025 foram 186,4 milhões de toneladas, um aumento de 3,6% sobre o total operado em 2024 na movimentação de cargas no Porto de Santos (Vanessa Rodrigues/ AT) O Porto de Santos avança na movimentação de cargas – só em 2025 foram 186,4 milhões de toneladas, um aumento de 3,6% sobre o total operado em 2024 –, mas a infraestrutura de acesso e de recepção aos caminhões, principal meio de transporte das mercadorias, não anda – nem nunca andou – na mesma velocidade. A Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado de São Paulo (Fetcesp) alerta que os gargalos existentes já colapsam a logística no maior porto do Hemisfério Sul e cobra soluções com urgência. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! “O Porto de Santos mais uma vez demonstra sua força e capacidade operacional, mas quem vive o dia a dia da operação sabe que cada tonelada movimentada exige um esforço logístico enorme”, afirma a vice-presidente regional da Fetcesp e presidente do Sindicato das Empresas de Transporte Comercial de Carga do Litoral Paulista (Sindisan), Rose Fassina, em entrevista para A Tribuna. Rose menciona que, no pico, mais de 600 caminhões por hora circulam no Sistema Anchieta-Imigrantes (SAI), impactando diretamente a mobilidade da região. “Isso não significa que todos estejam indo para o Porto, mas a pressão sobre a infraestrutura é real e constante. Além disso, caminhões que chegam antes do horário agendado acabam gerando filas enquanto aguardam, tudo isso aumenta custos e traz reflexos para toda a cadeia”, alerta. Atualmente, existe apenas um acesso ao Distrito Industrial da Alemoa e aos terminais localizados na Margem Direita do Porto, em Santos, que é o Viaduto Paulo Bonavides. Diariamente, o local recebe a média de 12 mil caminhões, e, devido ao grande volume de tráfego, os congestionamentos são constantes. “Quando chove, a região alaga e o problema piora”, destaca Rose. Políticas de estado A executiva salienta que os projetos estruturantes previstos para a região, como a remodelação do trecho da Avenida Perimetral de Santos, na Avenida Engenheiro Augusto Barata (Retão da Alemoa), a expansão da Avenida Perimetral de Guarujá, os dois viadutos da Alemoa, a terceira pista da Rodovia dos Imigrantes e o túnel Santos-Guarujá, devem ser tratados “como políticas de Estado e não de Governo, para que avancem e garantam segurança jurídica”. Rose também lembra da importância do túnel imerso Santos-Guarujá para os veículos pesados. “E o recente acidente envolvendo um navio e duas balsas reacendeu os questionamentos sobre a urgência da construção desse túnel imerso”. A dirigente salienta ainda que a expansão da área do Porto para 14,5 quilômetros quadrados (km²) — com um ganho terrestre de 5,2 km² — é mais um ponto de atenção, uma vez que o aumento da capacidade para novos terminais exigirá ainda mais celeridade em obras de acesso. “Os acessos pela terceira pista da Imigrantes serão fundamentais para garantir o escoamento da carga, assim como a integração das vias perimetrais. É preciso esclarecer em qual projeto as perimetrais serão contempladas, assegurando que o fluxo pela Imigrantes e dentro de Santos ocorra sem repetir o caos registrado nos últimos anos”, afirma. Rose avalia que os acessos ao Porto já estão “colapsados” e calcula que as obras previstas estarão “obsoletas em oito ou dez anos, quando deverão ficar prontas”, mas acredita que há intenção real do poder público em concretizá-las. “Eu acredito muito que projetos como o túnel e a nova pista da Imigrantes saiam do papel”, enfatiza. Terceira pista deve ajudar As obras da terceira Rodovia dos Imigrantes deverão iniciar no final de 2026 após a finalização de todas as etapas de aprovação que englobam o projeto executivo, certificação técnica e emissão de licenças. Segundo a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), o projeto executivo está sendo elaborado pela concessionária Ecovias Imigrantes, com previsão de conclusão neste primeiro semestre, seguida da certificação técnica, que deverá ser apresentada à agência juntamente com o projeto. O licenciamento ambiental está em andamento junto à Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). A estimativa é de que todas as etapas de licenciamento ambiental em andamento junto à Cetesb, contemplando licenças Prévia e de Instalação, sejam concluídas até o final de junho. Quanto à cobrança de tarifas de pedágio, a agência esclareceu que eventuais definições sobre modelo de cobrança de pedágio serão tratadas no âmbito dos estudos e dos procedimentos regulatórios aplicáveis, não havendo deliberação no momento. Apenas ao final dessas etapas é que serão indicadas características precisas do empreendimento, os materiais a serem utilizados, técnicas de construção, prazo e custos para posterior realização das obras. A expectativa é de que as obras sejam iniciadas até o fim deste ano. Procurada, a Ecovias Imigrantes informa que pretende finalizar o projeto executivo nas próximas semanas, conforme o cronograma previsto. Após a conclusão, a concessionária “iniciará a certificação por empresa especializada e credenciada pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro). Como ocorre em projetos dessa complexidade, essa etapa pode resultar em eventuais ajustes”. Sobre o pedágio, a companhia reforça que “não há previsão de implantação. A nova estrutura integrará o SAI (Sistema Anchieta-Imigrantes), ampliando a capacidade e a eficiência operacional do sistema como um todo”. A nova ligação entre o Planalto e a Baixada Santista será construída no trecho de Serra e terá 21,5 km de extensão, englobando túneis que somam 17 km, o equivalente a 80% de todo o trajeto, além de 4 km de viadutos. Um dos túneis terá cerca de 6 km de extensão. A nova ligação deverá custar R\$ 8 bilhões e aumentará em mais de 140% a capacidade para veículos pesados no SAI. Alemoa Já em relação ao viaduto da Alemoa, que será construído na altura do km 61 da Via Anchieta, a Artesp informa que “o projeto teve o Relatório de Estudos de Tráfego aprovado, passando à etapa de elaboração do projeto executivo pela concessionária (Ecovias), com prazo estimado de quatro meses. Na sequência, está prevista a certificação técnica do projeto, com duração estimada de três meses e meio. A inclusão da obra no contrato de concessão dependerá da conclusão dessas etapas e de deliberação do Conselho Diretor”, informa a Artesp. Segundo explicou a Ecovias para A Tribuna, o projeto prevê adequações viárias no acesso da Alemoa à rodovia, incluindo a criação de um acesso da Rua Aurélio Batista Félix para a Avenida Bandeirantes e a implantação de uma faixa adicional na Via Anchieta. Até o momento, não há autorização para o início das obras. Quanto ao projeto funcional do viaduto de acesso ao Porto de Santos, a Artesp informa que “permanece em análise técnica. A autorização para o desenvolvimento do projeto executivo ocorrerá após a aprovação dessa fase, conforme os procedimentos contratuais”. A concessionária informou que a próxima etapa, após a aprovação do projeto funcional, “consiste no desenvolvimento do projeto executivo”. Custo do transporte Vice-presidente regional da Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado de São Paulo (Fetcesp) e presidente do Sindicato das Empresas de Transporte Comercial de Carga do Litoral Paulista (Sindisan), Rose Fassina aponta que os gargalos que travam o trânsito e prejudicam a relação Porto-Cidade também resultam em prejuízos financeiros para os transportadores rodoviários de cargas, que arcam com altos custos que envolvem insumos, frete e até multas geradas por atrasos. “Transportadores da Baixada Santista enfrentam prejuízos com a multa de ‘no show’, que é aplicada pelo terminal portuário quando o caminhão perde a janela de agendamento, mesmo em casos de trânsito, panes ou interdições. A penalidade só é suspensa quando a Autoridade Portuária de Santos (APS) implanta o plano de contingência — até lá, o custo recai integralmente sobre o operador rodoviário”, explica a executiva, que espera ver projetos saírem do papel para maior mobilidade regional. Os viadutos Dois novos acessos na Alemoa estão em análise desde 2024 na Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp): o segundo viaduto da Alemoa e do viaduto de acesso ao Porto de Santos. A Ecovias Imigrantes, concessionária do Sistema Anchieta-Imigrantes (SAI), será responsável pelas duas obras. O projeto executivo do viaduto da Alemoa, localizado na altura do km 61 da Via Anchieta, encontra-se em análise junto à Artesp para aprovação e inclusão no contrato de concessão. Já o viaduto de acesso ao Porto de Santos aguarda aprovação do projeto funcional pela Artesp. A próxima etapa será o desenvolvimento do projeto executivo, atualmente em tratativas. Essa intervenção tem como objetivo solucionar conflitos entre os sistemas viário e ferroviário. A localização definitiva da estrutura ainda não foi definida. Hoje, o Viaduto Paulo Bonavides é o único acesso ao Distrito Industrial da Alemoa.