Em março deste ano foram feitas sondagens no solo do canal do estuário para estudos dos sedimentos, que antecedem obra do túnel imerso (Sílvio Luiz/AT) A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) confirmou nesta sexta-feira (8) que dará sequência aos trâmites para emissão da licença ambiental prévia (LP) do projeto do túnel imerso Santos-Guarujá, prevendo a emissão do documento na próxima semana. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! A medida acontece após aprovação do parecer técnico ambiental do túnel pelo Conselho Estadual de Meio Ambiente (Consema), na última quinta-feira. A LP, diz a Cetesb, atesta a viabilidade ambiental do projeto e autoriza o avanço da Parceria Público-Privada (PPP), cujo leilão está previsto para 5 de setembro, na sede da Bolsa de Valores de São Paulo (B3). “Com isso, o futuro consórcio vencedor já disputará a concessão com a segurança de um licenciamento ambiental inicial aprovado, medida que ajuda a reduzir riscos e atrasos na implantação do projeto”, informa, em nota, a companhia. A liberação da LP antes do leilão é considerada estratégica para atrair investidores e dar previsibilidade ao cronograma de execução da obra. “A Cetesb analisou criteriosamente os impactos socioambientais do projeto e estabeleceu condicionantes claras para que a obra ocorra com responsabilidade e segurança. Trata-se de um empreendimento estruturante para a mobilidade e o desenvolvimento sustentável da Baixada Santista”, afirma o diretor-presidente da Cetesb, Thomaz Toledo. A licença prévia define os parâmetros ambientais que deverão ser rigorosamente cumpridos pelo consórcio vencedor, como exigência para as próximas etapas do licenciamento: a licença de instalação (LI), que autoriza o início de obras, e a licença de operação, para que o empreendimento funcione. “Durante a análise técnica, foram avaliados aspectos como impactos sobre manguezais, ruído, desapropriações, unidades de conservação e efeitos sobre a fauna e flora da região”, explica a Cetesb. A futura concessionária será responsável por apresentar projetos detalhados de mitigação e compensação ambiental, além de programas de comunicação com a população local. Somente após cumprir essas exigências será possível obter as licenças necessárias para iniciar as obras. O túnel Com investimento estimado em mais de R\$ 6 bilhões, o projeto prevê a construção de um túnel de 870 metros sob o canal portuário, ligando Santos e Guarujá. A estrutura contará com três faixas por sentido, sendo uma delas reservada ao Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), passagem para pedestres e ciclistas e galeria de serviços. Consema não aprovou comitê de impacto regional Durante a reunião do Consema que aprovou o parecer técnico da Cetesb para a emissão da licença prévia do túnel, na quinta-feira, os conselheiros rejeitaram a criação do Comitê Regional Permanente de Monitoramento de Impactos Ambientais. O comitê foi proposto na reunião pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a partir de proposta da Autoridade Portuária de Santos (APS). O comitê contemplaria mecanismos para a participação ativa da população da Baixada Santista durante as obras do túnel, assegurando a gestão compartilhada dos impactos e solução de conflitos. Os integrantes do encontro entenderam que o Conselho Socioambiental, já previsto pela Cetesb, é suficiente para o acompanhamento do empreendimento nas fases de instalação e operação. “Não se confunde o Conselho Socioambiental, previsto no parecer técnico da Cetesb, com o comitê regional de impacto permanente. Na minha opinião, os conselheiros foram levados ao erro. Essa votação precisa ser recolocada”, afirma o superintendente de Meio Ambiente, Saúde e Segurança do Trabalho da APS, Sidnei Aranha. “No Conselho Socioambiental não estamos falando de regionalização. Ele também não tem o condão de discutir fenômenos como uma possível especulação imobiliária na região. Na minha opinião, restringe a participação popular”, diz Aranha. Ele ressalta que tentará pautar novamente o assunto no Consema. “Vou procurar o Ministério Público para esclarecer. Há uma confusão aí”. “No Conselho Socioambiental não estamos falando de regionalização. Ele também não tem o condão de discutir fenômenos como uma possível especulação imobiliária na região. Na minha opinião, restringe a participação popular” Sidnei Aranha, Superintendente de Meio Ambiente, Saúde e Segurança do Trabalho da APS (Sílvio Luiz/AT)