Complexo sul-coreano movimenta uma variedade de mercadorias, além de controlar o volume de água para melhor eficiência dos navios que embarcaram e desembarcam cargas (Rodrigo Nardelli/TV Tribuna) A variedade de cargas movimentadas e o controle do volume de água para melhor eficiência dos navios foram muito valorizados durante a visita dos integrantes da Missão Internacional Porto & Mar Brasil – Coreia do Sul 2024, promovida pelo Grupo Tribuna, ao Porto de Incheon, na região metropolitana de Seul, nesta segunda-feira (17). A viagem, de ônibus, durou quase uma hora. A distância é menor do que ir de São Paulo a Santos. “A Coreia do Sul entendeu, diante dos seus desafios terrestres, a importância de investir na infraestrutura portuária. O Porto de Incheon é uma grande demonstração da importância de se ter um porto multipropósito, com carga geral, voltada para a importação, mas também com cargas voltadas para a exportação, que é uma vocação do país”, afirma o secretário de Assuntos Portuários e Emprego de Santos, Elias Júnior. O presidente da Federação Nacional das Operações Portuárias (Fenop), Sergio Aquino, lembrou que nem tudo é tecnologia ou contêineres quando o assunto é porto, algo que simboliza bastante a visita ao complexo de Incheon. “Temos que ter clareza que no mundo não existe somente terminal de contêiner automatizado. Continuam existindo portos com cargas variadas, que é o que nós vimos aqui”, observa. “A carga geral precisa continuar”, emenda. Em termos de movimentação de contêineres, houve em Incheon aumento de 10% em um ano, comparando o mês de abril deste ano com o mesmo período do ano passado. Já de carga a granel, o crescimento foi de quase 30%. A exportação de veículos chamou a atenção. São carros de montadoras sul-coreanas e de empresas de outros países que construíram fábricas no país asiático, compondo um modelo de negócio que gera riqueza para os coreanos. Comportas O grupo conheceu o Porto de Incheon numa embarcação que possui um auditório, algo comum em países desenvolvidos. “Como seria interessante que isso estivesse no Porto de Santos e no Porto do Rio de Janeiro. Já vi navios como esse nos portos de Roterdã (Holanda) e de Kent (Inglaterra). É a primeira lição que estou levando para o Brasil”, comenta o diretor da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), Wilson Lima Filho. No local, o volume de água é controlado. A variação de maré pode chegar a 10 metros. Por isso, comportas atuam de um lado, e áreas que funcionam como grandes piscinões ajudam do outro, recebendo toda a água que pode ser, inclusive, bombeada. São as chamadas eclusas. “Vimos um navio com capacidade para receber de 5 mil a 7 mil veículos. E isso pode levar até cinco, seis dias. Isso (o sistema de comportas) deve aumentar a produtividade do embarque. Imagine se o navio ficasse subindo e descendo ao longo do dia? Então aquilo, para aquela quantidade de veículos, é uma excelente solução”, elogia o diretor executivo da Associação Brasileira dos Terminais e Recintos Alfandegados (Abtra), Angelino Caputo. Diretor-presidente da Associação de Terminais Privados (ATP), Murillo Barbosa também valorizou o sistema. “Eles mantêm a circulação da água. Não fazem uma troca. E o Panamá está pagando esse preço porque está perdendo águas, está reduzindo o ritmo de operação lá porque eles não têm o sistema de eclusas fechadas”, compara. União A integração Porto-Cidade também é destacada Sergio Aquino em Incheon. “É um porto antigo, mas que está todo rodeado pela cidade. Há os prédios que são de moradias e de alta qualidade, além de existir atividades, mostrando boa convivência do porto com a cidade. Também temos que valorizar isso”. Grupo que faz parte da missão conheceu o Porto de Incheon numa embarcação que possui um auditório, algo comum em países desenvolvidos (Rodrigo Nardelli/TV Tribuna) Semelhante ao de Santos O modelo de administração do Porto de Incheon é semelhante ao de Santos. O complexo portuário, junto com a cidade, faz parte de um projeto de revitalização que, depois de pronto, pretende gerar 20 mil empregos. Ele está em andamento e a ideia é transformar a região em um complexo turístico, com a construção de um resort e a existência de uma série de atividades. Planos e áreas que lembram, guardadas as devidas proporções, o que está sendo feito com o Parque Valongo, em Santos. Para o presidente da Federação Nacional das Operações Portuárias (Fenop), Sergio Aquino, a simbologia para comparação está nos conceitos, lembrando justamente que tem de ser dada viabilidade financeira, econômica e atividade. “A gente precisa recuperar a viabilidade do Centro Histórico como um instrumento forte e viável. Para isso, é fundamental que aquela região tenha uma conexão adequada com o município, com a área urbana. Para isso, vamos ter que resolver questões, talvez a médio e longo prazo, como, por exemplo, envolvendo a circulação de caminhões”, afirma. Aquino lembra que ouviu de especialistas, durante encontros na Prefeitura de Santos, que com caminhões há não revitalização e sem isso não existe Centro recuperado. “O Centro Histórico de Santos somente terá competitividade turística quando aquela região estiver resolvida na atividade urbanística e, para isso, não adianta ocupar a área portuária como eles mostraram, eles vão criar atividades no entorno. Nós temos atividades (em Santos) que são o patrimônio histórico, que é atividade turística viável, mas que nós temos de condições de aproveitamento e atratividade”, lembra. Para isso, observa o presidente da Fenop, a presença de caminhões tem de ser resolvida naquela área. “Eles (caminhões) não podem continuar lá e não podem parar o Porto. Se a ideia é viabilizar efetivamente o turismo ali, vai ter que existir um mergulhão e passagens de níveis, mais adequadas com relação à ferrovia. Aí a gente vai poder falar em recuperação e atividade turística de médio e longo prazo no Centro Histórico”, argumenta.