Impressão 3D em Hong Kong cria recifes artificiais que ajudam a regenerar ecossistemas marinhos degradados; tecnologia chamou atenção de comitiva brasileira (Alexandre Lopes/AT) A reta final da Missão Internacional Porto & Mar 2026, promovida pelo Grupo Tribuna, começou nesta segunda-feira (1º) com uma visita ao Hong Kong Science Park, um dos principais centros de inovação tecnológica da Ásia e responsável por reunir centenas de startups, empresas de tecnologia, centros de pesquisa e projetos voltados ao desenvolvimento de soluções para diferentes áreas da economia. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! Ao longo da manhã, empresários, executivos e autoridades brasileiras conheceram parte das iniciativas desenvolvidas no complexo, que atua em segmentos como inteligência artificial, robótica, biotecnologia, sustentabilidade, automação industrial e transformação digital. Entre as diversas apresentações realizadas, uma tecnologia voltada à recuperação de áreas marinhas foi a que mais despertou atenção da comitiva. O projeto utiliza impressão 3D para criar recifes artificiais capazes de auxiliar na regeneração de ecossistemas marinhos degradados. A solução vem sendo desenvolvida por empresas e pesquisadores ligados ao ecossistema de inovação de Hong Kong e utiliza estruturas produzidas em materiais compatíveis com a vida marinha para servir como base para fixação e crescimento de corais. As peças possuem formatos projetados digitalmente para favorecer a colonização de organismos marinhos e aumentar as chances de sobrevivência dos corais transplantados. Em alguns projetos desenvolvidos na região, os recifes artificiais são produzidos em terracota por meio de impressão 3D, permitindo criar superfícies complexas que imitam características encontradas em ambientes naturais. A tecnologia ganhou relevância após eventos climáticos severos que atingiram áreas costeiras de Hong Kong e provocaram danos significativos a ecossistemas marinhos locais. Estudos conduzidos na região apontaram taxas elevadas de sobrevivência dos corais fixados nessas estruturas impressas em 3D, reforçando o potencial da solução para projetos de restauração ambiental. Trabalho de instalação de peças no oceano: empresas do exterior procuram infraestrutura chinesa (Reprodução) Origem internacional Outro aspecto que chamou atenção dos integrantes da Missão Internacional Porto & Mar 2026 foi o fato de parte dessas iniciativas ter origem internacional. Uma das empresas apresentadas durante a visita possui origem italiana e escolheu Hong Kong como plataforma para expansão de negócios na Ásia, utilizando o ambiente de inovação local para desenvolver projetos ligados à impressão 3D, engenharia avançada e sustentabilidade. A presença de companhias estrangeiras dentro do Science Park reforça uma característica observada ao longo de toda a missão: a capacidade chinesa de atrair talentos, empresas e investimentos internacionais para ambientes voltados à pesquisa e desenvolvimento. Mais do que um centro tecnológico, o Hong Kong Science Park funciona como um ecossistema voltado à geração de inovação em larga escala. O complexo abriga milhares de profissionais e centenas de empresas que atuam de forma integrada em projetos de tecnologia aplicada, ciência e desenvolvimento empresarial. Peças fabricadas em impressora 3D criam superfícies que imitam características de ambientes naturais (Reprodução) Tratamento conjunto Para os integrantes da comitiva capitaneada pelo Grupo Tribuna, a visita permitiu observar como inovação e sustentabilidade vêm sendo tratadas de maneira conjunta em diferentes partes da Ásia. A utilização de impressão 3D para recuperação ambiental foi vista como um dos exemplos mais simbólicos dessa nova abordagem, mostrando que tecnologias inicialmente associadas à indústria também podem ser utilizadas para enfrentar desafios ligados à preservação de ecossistemas e à recuperação de áreas impactadas pela ação humana. Roberto Clemente Santini, Adilson Júnior, Eduardo Freire e Heber Spina Borlenghi (Reprodução) “Conseguimos trazer uma grande delegação para a China e tenho certeza de que o que vimos aqui poderá trazer desenvolvimento para a nossa região. O Porto de Santos é o maior do Brasil e possui grandes desafios. Vimos, além da parte portuária, muito sobre tecnologia e ela pode melhorar a qualidade do nosso porto, trazendo mais emprego e desenvolvimento”, Roberto Clemente Santini, diretor-presidente da TV Tribuna. “Eles entendem a cidade de Santos como um verdadeiro parceiro comercial. Mais do que isso, veem uma possibilidade de aumentar ainda mais essas relações e o Poder Legislativo tem um papel fundamental nessa parceria. Os chineses também têm desafios, mas aqui eles trazem a universidade e os professores para criar soluções”, Adilson Júnior, presidente da Câmara de Santos. “A agenda desta segunda-feira foi muito produtiva e conhecemos mais um avanço que eles têm aqui na China. O país está me surpreendendo positivamente. Eu não esperava o que nós estamos vendo e realmente a China está muito à frente de tudo na área tecnológica. Tenho certeza que tem muita coisa que posso levar e aplicar no Brasil”, Eduardo Freire, diretor-presidente do Grupo Yamam. “É muito bom a gente ver esse desenvolvimento todo, com organização, tecnologia e logística. Mas o mais importante de tudo são as pessoas. O povo chinês é humilde, trabalhador, muito disciplinado e o sucesso de tudo que nós vimos está muito ligado a essa disciplina. É muito bacana ver isso”, Heber Spina Borlenghi, diretor-executivo do Grupo Cesari.