[[legacy_image_19111]] A armadora Maersk, líder mundial no transporte marítimo de contêineres, prevê uma alta de 7% nas importações e de 3,5% nas exportações no próximo ano. O índice é considerado positivo e viável, diante da recuperação das operações observada a partir do final do terceiro trimestre deste ano. As informações foram divulgadas na manhã desta quarta-feira (16), em coletiva virtual com executivos da empresa. Clique e Assine A Tribuna por R\$ 1,90 e ganhe acesso ao Portal, GloboPlay grátis e descontos em lojas, restaurantes e serviços! “Esse é um número bastante otimista, tendo em vista os números de 2020”, disse José Salgado, diretor principal da empresa para Brasil, Uruguai, Argentina e Paraguai. Ele aponta que o crescimento está muito voltado às exportações do agronegócio e de proteína animal. O balanço indica que a exportação se manteve positiva ao longo de todo ano, com crescimento de 4% no primeiro trimestre, 1% no segundo (período em que houve o pico da pandemia) e 7% entre julho e setembro. O resultado, segundo Salgado, se deve a fatores como: a guerra comercial entre Estados Unidos e China, a valorização do dólar e a uma seca nas zonas produtoras norte-americanas, o que também favoreceu a exportação de soja e demais produtos básicos. O executivo destacou, ainda, a força da carga refrigerada brasileira, que demonstrou uma retomada mais forte. “Percebemos uma evolução de crescimento mais rápido na refrigerada, principalmente na parte de frutas e proteína animal, que estão diretamente ligadas ao consumo. Apesar do covid-19 e da crise, ela (exportação) vem recuperando”, aponta. A carne de porco teve aumento de 63% nas exportações, na comparação dos terceiros trimestres de 2019 e 2020. A China, por exemplo, aumentou em 125% o volume de importações do produto brasileiro - muito disso se deve à febre suína no país asiático. Em relação às frutas, a alta foi de 15%. Já a madeira registrou um crescimento de 28%, o açúcar, de 88%, e o café, de 10%. Importação Na contramão da exportação, a importação, que vinha em alta desde 2019 e inclusive fechou o primeiro trimestre com 9% de crescimento, sofreu uma queda brusca. A retração no segundo e terceiro trimestres foi de 21% e 22%, respectivamente. “A importação foi a grande preocupação ao longo de 2020. Ela foi muito impactada pelos produtos químicos (-12%)”, disse Mariana Lara, diretora comercial da empresa no Brasil. Outras setores que estão em baixa, também na comparação dos terceiros trimestre de 2019 e 2020, são: automobilístico (-42%), eletrônicos (-13%), têxtil (-32%). Logística Os executivos da Maersk destacaram, na coletiva, que vão intensificar as atividades aéreas e anunciaram o começo do transporte de carga fracionada em janeiro – neste modelo, a armadora pode usar um contêiner para acomodar a carga de mais de um cliente. Santos registra alta em embarques Os resultados da Maersk no Porto de Santos são semelhantes ao do balanço que leva em consideração todos os portos brasileiros. A exportação vem em alta de 4,7% e a importação, em queda de 26,9% - índices do terceiro trimestre de 2020 em comparação ao mesmo período do ano passado. No mês a mês, o envio de contêineres ao exterior só teve dois momentos de retração: em março (-1%) e em setembro (-6%). Em contrapartida, janeiro (10%), fevereiro (17%), julho (13%) e agosto (10%) registraram as melhores movimentações da temporada. A importação que começou bem o ano, com crescimento de 12% em janeiro, em comparação ao mesmo período de 2019, sofreu uma mudança de cenário em março (-9%), justamente quando a pandemia se agravou na Ásia e Europa. De maio a setembro, a oscilação variou entre -22% e -36%. O pior resultado foi registrado em junho.