A consolidação do projeto envolvendo a implantação da Zona Retroportuária de Guarujá (ZRG), no Distrito de Vicente de Carvalho, depende da revisão do Plano Diretor do Município, que não tem prazo definido pela Prefeitura. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! A ZRG é prevista pela Lei Complementar 156/2013, que instituiu o Plano Diretor, mas nunca saiu do papel. Como as regras de ordenamento urbano precisam ser atualizadas a cada dez anos (o que não ocorreu), um novo projeto foi enviado ao Legislativo para a revisão no final do mandato do ex-prefeito Válter Suman, em 2024. Em janeiro de 2025, porém, o atual prefeito Farid Madi (Pode) pediu à Câmara a retirada e devolução do projeto para reanálise do Executivo. Assim, o formato previsto para a ZRG deve ter alterações. Na lei de 2013, a zona retroportuária em Vicente de Carvalho é classificada dentro das Zonas Especiais de Interesse Público, e definida como “a leste da Via Cônego Domenico Rangoni”. O espaço previsto é de 4,5 milhões de metros quadrados (m2). Essa área já foi declarada como de utilidade pública, para fins de desapropriação, pelo Decreto 12.257/2017. Segundo a legislação em vigor, é necessário um projeto de lei específico, com definições de uso e ocupação de solo, aproveitando o regramento dessas atividades no Plano Diretor. “A implantação de novos empreendimentos na Zona Retroportuária e Industrial ou a expansão dos existentes requer o cumprimento das obrigações de licenciamento previstas na Macrozona de Proteção Ambiental”, diz o texto da legislação. O texto ainda estabelece que “as atividades retroportuárias existentes entre a Avenida Santos Dumont e a Rodovia Cônego Domenico Rangoni, em especial aquelas destinadas a armazenamento, movimentação e reparação de contêineres, deverão manter um afastamento mínimo de 50 metros das zonas onde são permitidos usos residenciais”. Importância Segundo a Prefeitura, o projeto impacta positivamente no Município, “melhorando a infraestrutura logística, fortalecendo a economia local e aumentando a geração de empregos na região”, afirma, em nota. “A Prefeitura ressalta que visa minimizar ao máximo o impacto à população, consultando munícipes, por meio de audiências públicas”, emenda. Não comentou Procurada, a Autoridade Portuária de Santos (APS) preferiu não se manifestar sobre o projeto, mas disse que a reorganização e ampliação das áreas do Porto representam uma tendência natural de evolução. “Ela (a tendência) pode ser observada em portos de outros países que já atingiram maior grau de maturidade, a exemplo de grandes portos da Europa, como Roterdã (Holanda) e Antuérpia (Bélgica)”, afirma. Segundo a APS, há uma migração para uma logística voltada à agregação de valor, onde os portos deixam de funcionar exclusivamente como elos de cadeias, passando a incorporar elementos intermediários entre a origem e o destino da carga”.