Olhar atento ao aprendizado: os participantes da comitiva receberam explicações detalhadas do modelo de negócio baseado no futuro (Rodrigo Nardelli/TV Tribuna) Carros sustentáveis e com vários recursos tecnológicos, aeronave elétrica, a busca incessante pela segurança no transporte e a preocupação com o aquecimento do planeta. Esses foram alguns dos pontos que os participantes da Missão Internacional Porto & Mar Brasil – Coreia do Sul 2024 viram na visita técnica que fizeram na tarde ontem no Hyundai Motor Studio, em Seul, capital do país. O espaço é uma experiência que a montadora coreana oferece. O local parece uma galeria. Os carros de última geração ficam expostos e chamam a atenção com painel de LED, câmera reproduzindo a imagem do local onde ficava o retrovisor, além de outros recursos que dão mais segurança para motoristas e passageiros. -Veja vídeo (1.423344) O Studio tem uma área dedicada a falar, de forma didática, sobre os impactos do aquecimento global. Uma mesa interativa reproduz imagens da evolução da poluição no planeta e como a humanidade pode conseguir reverter a situação. É aí que entram os investimentos em tecnologia e inovação. Espaço é uma experiência que a montadora oferece, um mergulho na tecnologia e na inovação que faz parte da estratégia coreana de sucesso (Rodrigo Nardelli/TV Tribuna) Hidrogênio O vice-presidente da Hyundai Motor, Ricardo Martins, disse que, com quatro quilos de hidrogênio é possível rodar 800 quilômetros a um custo de R\$ 16,00 (valor é sem imposto). Para isso, seriam necessários dois cilindros, cada um do tamanho daqueles de GNV. Martins explicou que tirar hidrogênio do etanol é um processo simples. Mas ele disse que o desafio que a empresa e parceiros estão tentando fazer no Brasil é que o carro transforme o etanol do tanque em hidrogênio. Para isso, a montadora precisaria desenvolver um reformador interno para transformar os combustíveis. Por estar desde 2011 na empresa, Martins conhece a cultura da Coreia do Sul. “O motivo de investir em automação e robotização é evitar desperdícios de produção. Você consegue usar menos energia e menos material”, explicou. (Rodrigo Nardelli/TV Tribuna) ESG O diretor da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), Wilson Lima Filho, observou que a empresa está muito focada nos preceitos ESG (sigla em inglês para ambiental, social e governança). “Interessante a preocupação<QA0> com a transição energética e o meio ambiente. Em que pese não ser uma empresa voltada para a atividade marítima, nós podemos verificar muitos aspectos interessantes que podemos transferir para o mundo marítimo, como, por exemplo, a preocupação com inovação e pesquisa”, justifica. O secretário de Assuntos Portuários e Emprego de Santos, Elias Júnior, ressaltou que a robotização não tira vagas de trabalho, contrariando um conceito geral. “Ela traz também a quantidade de empregos que são gerados para que essa robotização aconteça, com programadores e para a manutenção de toda a tecnologia implementada no ambiente portuário, trazendo novas oportunidades”, argumentou. (Rodrigo Nardelli/TV Tribuna) Coreia do Sul tem mil robôs para cada 10 mil trabalhadores Dados da World Robotics 2022 mostram que na Coreia do Sul, para cada 10 mil trabalhadores, existem mil robôs. Singapura vem em segundo, com 670 e Japão em terceiro, com 399. É comum a Hyundai levar funcionários do Brasil para treinamento na Coreia. O vice-presidente da empresa, Ricardo Martins, que é responsável pela fábrica da companhia em Piracicaba, no Interior de São Paulo, disse que o investimento em tecnologia e inovação permite um piso salarial mais alto do que o das principais concorrentes. O aumento na robotização também permite uma eficiência maior. A lógica é simples: tudo o que o robô faz é armazenado num banco de dados. E a inteligência artificial analisa os dados e identifica mudança de padrão, se houver. No trabalho manual, a chance de ter desvios e até mesmo de acidentes é maior. Com isso, os empregos das áreas que passam a ser robotizadas migram para a análise de dados e para o desenvolvimento de soluções para os novos problemas. “A robotização, que foi um grande exemplo mostrado aqui, traz também a quantidade de empregos que são gerados, também, para que ela aconteça. Então, a programação de toda esta tecnologia que é implementada no ambiente portuário traz também oportunidades de emprego a todos”, disse Elias Júnior, secretário de Assuntos Portuários e Emprego de Santos, que é um dos participantes da Missão Internacional Porto & Mar Brasil - Coreia do Sul 2024. Flavio da Rocha Costa, diretor de Logística da Eldorado Brasil, ficou impressionado com a quantidade de tecnologia na Coreia do Sul. “Da forma que a indústria automobilística está enxergando o futuro, buscando soluções para reduzir a emissão dos gases poluentes, os navios poderiam fazer o mesmo”. O espaço visitado apresenta também os robôs em ação na montagem dos veículos. Há ainda um simulador de uma aeronave que poderá substituir os helicópteros, reduzindo a emissão de poluentes. A conscientização também ocorreu numa sala imersiva. Nas paredes, projeções que mostravam, por exemplo, a força das águas (chuva, rios e mar). No centro, vários cilindros “brotavam” do chão. Eles subiam e desciam, demonstrando desde um carro passando até a ação das forças da natureza. Para a realização da visita monitorada, os integrantes da comitiva receberam um fone de ouvido sem fio. A guia tinha um microfone com ela. Isso diminui o barulho durante as visitas. Para criar os fones e muito do que foi visto no Studio, trabalhadores desenvolveram soluções com o uso de ferramentas modernas para tornar tudo isso possível.