Percurso de duas horas pelo estuário do Porto de Santos fez parte da programação do Simpósio Regional de Recursos Hídricos da AEAS (Vanessa Rodrigues/AT) A expansão do modal hidroviário no estuário do Porto de Santos, para além da mobilidade, seria um indutor de desenvolvimento econômico, gerador de emprego e renda. Essa é a avaliação do diretor do Departamento de Gestão Hidroviária da Secretaria Nacional de Hidrovias e Navegação (SNHN), Eliezé Bulhões de Carvalho, após visita técnica realizada nesta sexta-feira (27) pelo canal de navegação. Clique aqui para seguir agora o canal de Porto no WhatsApp! Durante duas horas, o diretor do Departamento de Gestão Hidroviária percorreu o Porto em uma embarcação junto com técnicos da Autoridade Portuária de Santos (APS). Foi a última programação do 10º Simpósio Regional de Recursos Hídricos - Infraestrutura de Hidrovias como Meio de Desenvolvimento Tecnológico Sustentável, realizado pela Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Santos (AEAS), entre quarta-feira e ontem. O percurso foi da Praia do Góes, em Guarujá, até o canal de Piaçaguera, entre Cubatão e a Área Continental de Santos, na altura do Terminal Integrador Portuário Luiz Antonio Mesquista (Tiplam), da VLI. Carvalho afirmou que o projeto de crescimento do Porto de Santos deve evoluir em conjunto com um modal de transporte adequado às características da região. Ele explicou que Santos e outros portos brasileiros que estão em áreas estuarinas, ou seja, banhados pelo mar e por rios, têm potencial para hidrovias. “O modal hidroviário é a principal alternativa não somente ao deslocamento de pessoas e cargas, mas também para o turismo”, aponta, referindo-se à demanda de usuários que se deslocam diariamente entre Santos e Guarujá, por catraia ou barcas. Ele afirma ainda que o modal hidroviário pode impulsionar a economia regional. “A gente tem que dar qualidade de vida para as pessoas que moram na região”, salientou, complementando que, para o transporte de cargas, poderia ser implementado um sistema multimodal, integrando barcaças, que não necessitam de tanta profundidade de calado. O gerente de controle de acessos logísticos da APS, Felipe Fray Buschinelli, fez uma apresentação a bordo, explicando as características da região, dos terminais e dos tipos de cargas operadas em cada ponto das duas margens do complexo portuário santista. Segundo ele, uma das vantagens do modal hidroviário é que o custo de implementação é menor. “O investimento é menor do que o de uma rodovia ou ferrovia, até porque a água já serve como um pavimento para navegação. Basicamente, tem que ter pontos de embarque e desembarque”. “A gente opera navios cada vez maiores, com cargas que vêm de vários países, às vezes, de cabotagem (navegação costeira), para chegar e sair de Santos. Mas, existem estudos que podem ser feitos justamente para a multimodalidade dessas cargas, de viabilidade das hidrovias”, comentou Fray. O diretor de Portos da AEAS, engenheiro Eduardo Lustoza, ressalta a necessidade da multimodalidade para se obter uma logística eficiente. “Hoje, temos 63 berços com potencial para chegarmos a 90 dentro e fora da área do Porto Organizado, especialmente na região do Largo Santa Rita, operando todo tipo de carga”.