Trinta e seis complexos do setor, situados entre o Maine e o Texas, estão com as atividades paralisadas desde terça-feira (Matt Slocum/Associated Press/Estadão Conteúdo) A Autoridade Portuária de Santos (APS) não descarta consequências no Porto de Santos caso a greve dos trabalhadores portuários dos Estados Unidos dure muito tempo. Trinta e seis complexos do setor, situados entre o Maine e o Texas, estão com as atividades paralisadas desde terça-feira (2). Clique aqui para seguir agora o canal de Porto no WhatsApp! Em nota, a APS informa também que os impactos ainda estão sendo monitorados e avaliados, mas já é possível prever problemas. “No caso de a greve se prolongar, certamente haverá consequências, como atrasos nas operações por conta do aumento de navios, sobretudo de contêineres, em decorrência da importância da relação comercial entre Brasil e Estados Unidos”, afirma. A Autoridade Portuária também acrescentou que “o Porto de Santos está preparado para enfrentar este possível aumento de demanda”. Impactos nos custos Os custos para o Brasil podem aparecer de várias formas, segundo o diretor de vendas e expansão internacional da Narwal/Grupo Becomex, Vinicius Neves. Um diz respeito ao impacto nos custos comerciais. “Segundo estimativas da National Association of Manufacturers e da JP Morgan, a paralisação dos portos americanos pode gerar prejuízos econômicos de US\$ 3,8 bilhões (cerca de R\$ 20,6 bilhões) a US\$ 5 bilhões (aproximadamente R\$ 27,1 bilhões) por dia para a economia americana. Parte desse valor reflete o atraso na movimentação de mercadorias, o que pode aumentar significativamente os custos de frete e armazenamento para as empresas brasileiras que exportam ou importam pelos portos afetados”, explica. O outro está relacionado ao aumento de frete e atrasos. “O transporte marítimo mais caro pode elevar o preço final de produtos importados, como componentes industriais e insumos farmacêuticos. Estima-se que cada dia de greve pode exigir até cinco dias para recuperação plena das atividades, aumentando os custos operacionais de empresas brasileiras que dependem do fluxo contínuo de mercadorias”, projeta. Também existem custos indiretos para o Brasil, lembra Neves. Ele observa que empresas podem precisar recorrer a alternativas logísticas, como o transporte aéreo, que é mais caro, ou buscar mercados alternativos para reduzir perdas. Isso pode, segundo ele, adicionar custos que impactam diretamente o preço final dos produtos. O tempo de duração da greve também influencia o tamanho do efeito cascata. “Se a greve durar mais de uma semana, a normalização do transporte pode demorar de quatro a seis semanas, causando maior pressão inflacionária. Esses custos, além dos impactos nas cadeias produtivas, podem afetar preços, a disponibilidade de produtos e a competitividade das empresas brasileiras no mercado global”, calcula.