Os estudos e modelagens socioeconômicas dos 18 projetos ferroviários previstos pelo Governo foram conduzidos pela estatal Infra S.A. (Alexsander Ferraz/AT) O Ministério dos Transportes projeta a atração de R\$ 262,6 bilhões em capital privado para 29 grandes projetos de infraestrutura viária em 2027. O setor ferroviário assume o papel central no planejamento, concentrando a maior fatia dos aportes para ampliar a capacidade de escoamento da produção nacional, conectar áreas produtoras aos portos e estimular o transporte regional. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! Os estudos e modelagens socioeconômicas dos 18 projetos ferroviários previstos foram conduzidos pela estatal Infra S.A., estruturando as iniciativas para etapas de consulta pública, análise dos órgãos de controle e realização dos leilões. A carteira de trilhos soma R\$ 160 bilhões em investimentos e combina diferentes modelos de contratação: oito grandes concessões e nove trechos por chamamento público via regime de autorização, além da oferta permanente de terminais greenfield (novas instalações em trechos desocupados) e trechos ociosos. Entre os destaques da malha de concessões está o Anel Ferroviário do Sudeste, focado na ligação da malha nacional a portos no Rio de Janeiro e no Espírito Santo. O planejamento inclui ainda ativos estratégicos como a Malha Oeste, o Corredor Leste-Oeste, a Ferrogrão, a Extensão Norte da Ferrovia Norte-Sul e três eixos da Malha Sul (Paraná-Santa Catarina, Rio Grande e Mercosul). No modelo de chamamento público validado pelo Tribunal de Contas da União (TCU), a iniciativa privada assume trechos e apresenta planos de requalificação com a possibilidade de aportes públicos. Leilões rodoviários Paralelamente ao avanço sobre trilhos, o modal rodoviário projeta o aporte de R\$ 102,68 bilhões distribuídos em 11 contratos. O planejamento engloba nove leilões de novas concessões, com previsão de 373,87 km em duplicações e 513,36 km em faixas adicionais, e duas otimizações contratuais. A Infra S.A. respondeu pela estruturação técnica de lotes estratégicos como Rota Portuária do Sul, Rota Vale do Café, Rota Portuária Itaqui, Rota do Açu, Rota Centro-Sul Baiano e a Malha Catarinense (dividida nos lotes Vale do Itajaí, Catarinense e Meio Oeste). Os editais das novas concessões devem ser publicados entre março e agosto, com leilões agendados entre junho e dezembro. Para sanar ativos estressados, o Ministério dos Transportes aplicará o mecanismo de otimização contratual aprovado pelo TCU na Rodovia Transbrasiliana (BR-153/SP) e na Rota Planalto Sul (BR-116/PR/SC), somando a duplicação de 195,2 km e a implantação de 36,93 km de faixas adicionais. O Governo lançou ainda a Política Nacional de Conectividade em Rodovias. A iniciativa estabelece a expansão do acesso à internet ao longo das rodovias federais concedidas. A meta é garantir infraestrutura digital para reforçar a segurança viária, otimizar o monitoramento de frotas e cargas. Verbas O setor ferroviário contará com R\$ 808,61 milhões de verba pública direta, o transporte aquaviário terá R\$ 640,73 milhões e o aéreo receberá R\$ 212,61 milhões. No caso das estatais, os investimentos para o setor aquaviário recuam de R\$ 1,79 bilhão para R\$ 1,04 bilhão, e os do setor aéreo caem de R\$ 522,44 milhões para R\$ 412,95 milhões. A CNT alerta que os R\$ 12,46 bilhões destinados às rodovias sob gestão direta do Governo Federal cobrem apenas uma fração do necessário. Segundo estimativas da entidade, seriam precisos R\$ 49,93 bilhões para atender às demandas de manutenção e recuperação da malha pública, montante quatro vezes superior ao previsto na lei orçamentária. CNT aponta queda em recursos públicos para o setor Enquanto a carteira de R\$ 262,6 bilhões apresentada pelo Ministério dos Transportes reflete a estimativa de investimentos privados a serem atraídos por meio de concessões e leilões até 2027, os recursos públicos diretos previstos para o setor apontam em direção oposta. Um levantamento da Confederação Nacional do Transporte (CNT) no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027 mostra que o orçamento da União e das empresas estatais terá R\$ 16,07 bilhões para os transportes, valor que representa uma retração de 4% em relação à proposta de 2026 (R\$ 16,73 bilhões, em valores corrigidos pela inflação). A diferença entre os dois montantes se explica pela natureza do capital: a meta do governo aposta na infraestrutura concedida ao setor privado, enquanto o levantamento da CNT mensura o orçamento do Estado. A queda de 4% nas verbas públicas é puxada principalmente pelo recuo nos investimentos das empresas estatais da área, como Infraero e Companhias Docas, que caem de R\$ 2,31 bilhões na proposta de 2026 para R\$ 1,45 bilhão no projeto de 2027. No orçamento direto da União, por outro lado, há um pequeno avanço, passando de R\$ 14,42 bilhões para R\$ 14,61 bilhões. Na divisão dos recursos públicos pelas subfunções do setor, a malha rodoviária federal absorve a maior fatia, somando R\$ 12,46 bilhões, o que equivale a 85,2% do orçamento direto da União.