Canal do Panamá liga os oceanos Atlântico e Pacífico há mais de 100 anos e se estende por 82 quilômetros (AdobeStock) O presidente do Panamá, José Raúl Mulino, elevou o tom contra o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que desde o ano passado vem falando em retomar o Canal do Panamá. Nesta semana, em publicação nas redes sociais e durante mesa-redonda do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, o panamenho reiterou que o canal “não é uma concessão nem um presente” e garantiu que um dos corredores logísticos marítimos mais importantes do mundo “continuará a pertencer ao Panamá”. “O Panamá está avançando, o Panamá não se distrai com esse tipo de pronunciamento”, declarou Mulino, que reagiu de forma ríspida ao ser questionado por um jornalista se temia uma invasão militar norte-americana para retomar o canal - hipótese não descartada por Trump em recente entrevista. “Fala sério, fala sério”, bradou. Na rede social X, Mulino destacou que “rejeita de forma integral as palavras do presidente Donald Trump sobre o Panamá e seu canal. (...) Não há presença de nenhuma nação no mundo que interfira na nossa administração. O canal não foi uma concessão de ninguém, e sim o resultado de lutas geracionais que culminaram em 1999, produto dos tratados Torrijos-Carter (assinados em 1977 e que viabilizaram ao Panamá assumir a ligação 22 anos depois)”. No ataque Em seu discurso de posse, na última segunda-feira, Trump voltou a bater na tecla de que o Canal do Panamá, construído pelos norte-americanos no começo do século 20, não poderia seguir sendo operado pela China e cobrando altas tarifas dos navios dos EUA. “A China está operando o Canal do Panamá. Mas não o demos à China. Demos ao Panamá e vamos recuperá-lo”, discursou o republicano, em Washington.