[[legacy_image_158643]] O conflito entre Rússia e Ucrânia terá consequências para todos os setores da economia, inaugurando uma nova era da ordem internacional. A recuperação lenta e incerta da pandemia pode ser ainda mais difícil graças aos desdobramentos do conflito que envolve um dos maiores produtores de petróleo e gás do mundo. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! https://assine.atribuna.com.br/ O impacto imediato foi um choque no preço do petróleo que passou de US\$ 90 para US\$ 130 em poucos dias, nível comparável aos maiores choques de preços desta commodity no último século. A Petrobras também anunciou um reajuste de 24,9% no preço do diesel nas refinarias. Para o setor de logística, significa que haverá um novo reajuste no custo do frete, já que a lei estabelece uma revisão neste item sempre que houver uma oscilação superior a 10% no valor do diesel. Na mesma direção, dispararam os preços do óleo combustível utilizado no transporte marítimo. Além dos impactos diretos, que já afetaram os preços dos combustíveis e consequentemente dos fretes, os desdobramentos da guerra podem ir muito além do conflito bélico, como nos volumes de Guerra e Paz, do escritor russo Liev Tolstói na época das invasões napoleônicas contra a Rússia. Neste primeiro quartel do século 21, os ataques cibernéticos e sanções financeiras podem ter efeitos mais devastadores do que uma batalha campal ou uma ocupação militar. Antes da guerra, ataques cibernéticos a sites ucranianos já haviam ocorrido. Tais eventos podem inviabilizar operações como o observado no sistema de distribuição de petróleo da costa leste dos EUA em maio do ano passado. Atualmente, os sistemas logísticos e operacionais de grandes e pequenas empresas dependem da rede mundial de computadores, tornando-as vulneráveis aos ataques de hackers. Lembre-se que um ataque hacker paralisou um duto que transporta 2,5 milhões de barris de petróleo por dia, obrigando a empresa operadora dos dutos a desembolsar US\$ 4,4 milhões para o grupo hacker. Embora sem ligações comprovadas com o governo russo, o grupo hacker responsável pelo ataque, o DarkSide, estaria supostamente baseado na Rússia. O governo dos EUA acusou a Rússia por ataques a sites públicos e privados da Ucrânia dias antes da invasão. Em 2015, por exemplo, um ataque hacker deixou 250 mil pessoas sem energia elétrica na Ucrânia. Do lado contrário, durante os dias que antecederam a invasão russa, um ataque ao sistema ferroviário de Belarus atrasou a movimentação de tropas russas na fronteira com a Ucrânia. O setor portuário não está imune a esta guerra do futuro tão concreta no presente. Neste caso, a distância física do conflito pouco importa. Basta estar conectado à internet ou depender de sistemas de informações e processamento ligados à rede global. Ataques a complexos portuários não podem ser descartados Sua ocorrência agravaria a desorganização das cadeias produtivas já tão afetadas pela pandemia e agora sujeitas às mazelas da guerra. A atual conjuntura de guerra apenas reforça iniciativas igualmente prioritárias em tempos de paz: a mitigação de risco de ataque cibernético.