Diretor do Cecafé cobra maior oferta de capacidade nos portos brasileiros para exportação da commodity (Vanessa Rodrigues/Arquivo AT) Os exportadores de café tiveram prejuízo de R\$ 5,9 milhões em agosto devido à impossibilidade de embarque de 624.766 sacas – 1.893 contêineres – do produto, conforme levantamento realizado pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) junto a seus associados. Desse montante, 491.731 sacas - 1.490 contêineres - correspondem ao Porto de Santos - 78,7% de participação. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! O valor refere-se a armazenagens adicionais, pré-stacking (armazenagem da carga que possui uma data prevista para retirada) e detentions (taxa cobrada em exportações quando o contêiner é mantido pelo cliente por tempo maior do que estiver em contrato, após ser retirado do terminal para carregar a mercadoria). Em termos financeiros, o não embarque desse volume impediu que o Brasil recebesse US\$ 221,28 milhões, ou R\$ 1,205 bilhão, como receita cambial em suas transações comerciais apenas em agosto, considerando o preço médio Free on Board (FOB) de exportação de US\$ 354,18 por saca (café verde) e a média do dólar de R\$ 5,4463 no mês passado. “É um cenário que se repete e, infelizmente, tende a piorar nos próximos meses e anos se não houver investimentos rápidos nos portos do Brasil para aumentar a oferta de capacidade de pátio e berço”, lamenta o diretor técnico do Cecafé, Eduardo Heron. “A estrutura atual está esgotada. Precisamos de celeridade na oferta da capacidade nos portos”, emenda, defendendo agilidade no leilão do Tecon Santos 10, na Alemoa. Heron lembra que o agronegócio cresce a taxas expressivas, mas a infraestrutura portuária e a ampliação na diversificação de modais de transporte do País não acompanham. “Isso tem gerado prejuízos constantes aos exportadores, principalmente os que trabalham com cargas que dependem de contêineres para exportação”, acrescenta. Atrasos de navios Em agosto, 50% dos navios - ou 168 de um total de 335 embarcações - tiveram atrasos ou alteração de escalas nos principais portos do Brasil, conforme o Boletim DTZ, elaborado pela startup ElloX Digital em parceria com o Cecafé. O Porto de Santos, responsável por 80,2% dos embarques de café de janeiro a agosto, registrou índice de 67% de atraso ou alteração de escalas de navios, o que envolveu 122 do total de 182 porta-contêineres. O tempo mais longo de espera em agosto foi de 47 dias no complexo santista. No mesmo mês, somente 4% dos procedimentos de embarque tiveram prazo maior do que quatro dias de gate aberto por navios no Porto de Santos. Outros 59% possuíram entre três e quatro e 38% tiveram menos de dois.