Apesar da participação feminina no setor de comércio exterior crescer progressivamente, a presença delas em cargos de gestão ainda é tímida (Sílvio Luiz/AT) A participação da mulher no mercado de trabalho do comércio exterior cresce progressivamente, mas ainda é ínfima em cargos de gestão. Num setor majoritariamente masculino, faz-se necessário discutir mudanças na cultura corporativa para aumentar essa margem. Essa visão é compartilhada entre mulheres que fazem carreira no setor e participaram nesta quarta-feira (15) do Intermodal Women Network. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! O evento foi realizado pela Intermodal em parceria com o Grupo Tribuna, por meio do projeto Mulheres a Bordo, com o Georgia Ports Autorithy e com o Movimento Mulheres que Movem o Supply Chain. O encontro começou com rodas de conversa, onde as mulheres puderam trocar experiências sobre os seus setores e como tentam conciliar carreira, família, filhos e um tempo para cuidar si mesmas. Elas também aproveitaram para elaborar perguntas aos temas pertinentes ao bate-papo realizado a seguir que discutiu sustentabilidade, desafios, diversidade e equidade no ecossistema corporativo. As integrantes do Movimento Mulheres que Movem o Supply Chain apresentaram o livro homônimo lançado no ano passado, que reúne depoimentos de mulheres que superaram desafios e apontam soluções na cadeia de suprimentos. O grupo, formado por 24 executivas, também realiza um podcast que pode ser acessado em canais e aplicativos como o YouTube, Spotify, LinkedIn e Instagram. (Sílvio Luiz/AT) Integração das profissionais A representante do Georgia Ports Authority e do projeto Mulheres que movem o Supply Chain, Karin Mickenhagen, disse que o encontro na Intermodal representa uma oportunidade para a integração das profissionais. “Reunimos mulheres de diversos setores da logística e do supply chain para discutir temas atuais”. Karin foi a moderadora do painel Construindo Juntos um Ambiente mais Humano e Sustentável. Em seu discurso, ressaltou que, para além da inclusão feminina, a discussão sobre diversidade deve focar na equidade. “Mulheres e homens devem caminhar juntos”. Participaram do painel a presidente do comitê do Mulheres a Bordo, Flávia Takafashi, a diretora de Operações do Mercado Livre, Regina Rufino, e o diretor de Negócios do Grupo Tribuna, Demetrio Amono. Flávia contou que o seu maior desafio no início de sua gestão como diretora da Antaq foi ter que aprender sozinha como ocupar o seu espaço. “Eu não tinha referências, de outras mulheres que abriram caminho antes de mim, pois eu fui a primeira. Eu caminhava no escuro. Não foi fácil. Muitas vezes, eu era a única mulher nas reuniões e eu me sentia só”, declarou. Para a diretora de Operações do Mercado Livre, Regina Rufino, que também faz parte do Movimento Mulheres que Movem o Supply Chain, poder contar sua experiência profissional em cargos de liderança, atuando em setores predominantemente masculinos, é um orgulho. “Eu tinha a chamada síndrome do impostor”, disse Regina ao destacar sua insegurança no início da carreira atuando em setores predominantemente masculinos. Já o diretor de Negócios, Demetrio Amono, afirmou que a mudança no mercado de trabalho, com progressão da diversidade, é positiva e que o potencial de cada colaborador é o que realmente conta. “Eu sou publicitário. Quando eu comecei, na Rede Globo, lá atrás, o quadro era 100% de homens. Hoje, no meu setor de marketing, 80% são mulheres. Recentemente, admitimos uma pessoa trans. O que importa para mim é a competência, o que entrega, independentemente do gênero”. A sororidade é importante, mas não basta: também são necessárias políticas que incentivem a diversidade (Sílvio Luiz/AT) “Ambientes mais diversos trazem bem-estar e resultados financeiros” A participação feminina no setor portuário brasileiro ainda é um desafio, mas iniciativas como o projeto Mulheres a Bordo, do Grupo Tribuna, vêm contribuindo para mudar esse cenário. A afirmação é da gerente executiva de Comunicação Corporativa e Sustentabilidade da Santos Brasil, Beatrice Dupuy, empresa patrocinadora do projeto do Grupo Tribuna. Presente ao Intermodal Women Network, Beatrice disse que o Mulheres a Bordo tem relevância não só para as mulheres, mas também para o setor. A executiva ressaltou que o projeto vai ao encontro da política de diversidade da Santos Brasil, que tem investido na ampliação da presença feminina em diferentes níveis hierárquicos. “A Santos Brasil é uma empresa que foca na diversidade e na inclusão de mulheres na alta liderança e, também, em toda a cadeia de valor”, destacou. Ela observou que ambientes mais diversos trazem ganhos concretos. “Ambientes mais diversos geram mais bem-estar para os colaboradores e, também, mais resultados financeiros para a empresa”, afirmou. A executiva lembrou ainda que a companhia foi pioneira ao apoiar a iniciativa. “A gente foi a primeira empresa a acreditar e patrocinar esse projeto”, disse Beatrice, ressaltando o simbolismo de representar a organização e a união entre mulheres no setor. “Representar a Santos Brasil e a sororidade das mulheres nesse setor tão importante para a economia brasileira é muito significativo”. Beatrice comentou ainda que, apesar dos avanços, o cenário ainda está em transformação. “É um setor historicamente masculino, mas isso vem mudando. A diversidade está chegando aos poucos e já atingimos cerca de 20% de mulheres na liderança”, pontuou. Para ela, o número ainda é baixo, mas representa evolução. “A gente está vindo de praticamente zero, então, é preciso reconhecer esse avanço”, frisou. Beatrice também destacou o papel de políticas institucionais e regulató-rias nesse processo. “Dependemos não somente da sororidade, mas também de leis e diretrizes que incentivem a diversidade dentro das empresas”, reiterou.