Debates, palestras e histórias de vida marcaram o evento O Porto é Delas, realizado ontem pela Santos Brasil no auditório do Grupo Tribuna (Vanessa Rodrigues/Santos Brasil) Sustentabilidade e o papel da mulher na transformação dos setores portuário e marítimo nortearam os debates no workshop O Porto é Delas, realizado nesta quinta-feira (12) pela Santos Brasil. O encontro, em sua terceira edição, reuniu representantes dos setores público e privado no auditório do Grupo Tribuna. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! A diretora de Planejamento de Operações da Santos Brasil, Evelyn Santo de Lima, destacou que o workshop tem se consolidado como um espaço importante para ampliar o debate sobre diversidade e fortalecer a presença feminina no setor portuário. Segundo ela, o objetivo é reunir profissionais de diferentes áreas — empresas, governo e entidades do setor — interessadas em discutir carreira, liderança e oportunidades para as mulheres. “O mais interessante do workshop é que ele cria um ambiente para falar daquilo que a gente faz bem, da nossa parte técnica e dos temas ligados ao porto e à navegação”. Para Evelyn, além de promover discussões qualificadas, o encontro também permite a troca de experiências entre profissionais. “Nesses eventos, a gente ouve relatos de mulheres que chegaram a posições de liderança, e isso inspira outras profissionais. É uma troca constante”. A diretora também ressaltou o crescimento do interesse pelo evento ao longo das edições. “Hoje conseguimos lotar uma sala para falar sobre a indústria portuária, mesmo sabendo que o setor ainda tem apenas cerca de 17% de participação feminina no Brasil”, observou. Para ela, esse cenário reforça a necessidade de as empresas avançarem nas políticas de diversidade e inclusão. Evelyn defende que o debate vá além da criação de programas institucionais e alcance a cultura das organizações. “Diversidade é um motor de novas ideias e de inovação, mas o grande desafio é reter esses talentos dentro das empresas”, afirmou, reiterando que “a diversidade precisa fazer parte da cultura da empresa, da alta gestão até os níveis mais operacionais”. Diálogo Primeira comandante de navio da Marinha Mercante brasileira, a capitã de longo curso e idealizadora do Grupo Mulheres Aquaviárias do Brasil, Hildelene Bahia, destacou a importância de espaços de diálogo sobre diversidade no setor marítimo. “Fiquei feliz em participar dessa edição do O Porto é Delas e poder compartilhar um pouco da minha experiência. Hoje, falar de diversidade é extremamente importante”, afirmou. Para Hildelene, encontros como o workshop fortalecem o networking e mostram que a presença feminina no setor é cada vez mais consistente. “A mulher tem capacidade de atuar em qualquer área da atividade marítima. Esse potencial fica claro quando a gente se reúne e troca experiências”. Ela ressaltou ainda que o avanço da participação feminina na navegação já pode ser percebido ao longo dos anos. “Na minha época quase não havia mulheres comandando navios. Hoje já vemos várias comandantes. Esse avanço é muito significativo”. Ela defende que o debate sobre diversidade e sororidade (conceito que se refere à empatia, solidariedade e acolhimento entre mulheres) precisa continuar para ampliar oportunidades. “O importante é que as mulheres sejam valorizadas pela competência. Não se trata de dividir espaço entre homens e mulheres, mas de ter as mesmas condições para disputar uma vaga ou um cargo”, afirmou. Formada há 26 anos, Hildelene lembra que integrou a primeira turma com presença feminina na formação. Ela assumiu o comando de um navio em 2009 e se tornou uma das referências para novas gerações de profissionais do setor. “O mais importante é abrir caminhos para que cada vez mais mulheres possam chegar a esses espaços”, concluiu. A escritora, velejadora, ativista ambiental e fundadora do Instituto Voz dos Oceanos, Heloisa Schurmann, compartilhou experiências pessoais (Vanessa Rodrigues/Santos Brasil) Desafios e decisões A escritora, velejadora, ativista ambiental e fundadora do Instituto Voz dos Oceanos, Heloisa Schurmann, compartilhou experiências pessoais e falou sobre os desafios enfrentados pelas mulheres para equilibrar vida familiar e profissional. Segundo ela, assumir riscos e tomar decisões difíceis faz parte da trajetória de quem escolhe caminhos pouco convencionais. “As pessoas falam muito de coragem, mas a coragem vem da vulnerabilidade. Eu costumo dizer que vou com medo mesmo, porque não tem outro jeito”, disse ela à Reportagem pouco antes do início de sua palestra. Heloisa tem 79 anos e disse que tem orgulho de ser uma “mulher diferente”, mesmo tendo sofrido muitas cobranças da sociedade ao longo de sua vida. Ela comentou que reunir mulheres para discutir liderança e carreira no ambiente portuário já representa uma mudança significativa. “Quando você vê um evento só de mulheres falando de porto e liderança, percebe o quanto isso já mostra uma transformação em um espaço que sempre foi masculino”, afirmou. A ativista também abordou sua atuação na expedição Voz dos Oceanos, que percorre o mundo alertando sobre a poluição marinha e os impactos das mudanças climáticas. Apesar das preocupações ambientais, ela destacou o protagonismo feminino na defesa do planeta. “Em muitos lugares, quem está na linha de frente da proteção dos oceanos são mulheres. Ver esse engajamento me dá esperança de que ainda podemos transformar esse cenário”, concluiu.