Licitação que nunca vem: movimentação no Porto cresce enquanto área é alvo de disputa política (Alexsander Ferraz/AT) Os Estados Unidos defendem que as regras do leilão do Terminal de Contêineres (Tecon) Santos 10, no cais do Saboó (STS10), permitam a participação de empresas armadoras (donas de navios) europeias que hoje estão fora da disputa. A posição foi apresentada pelo cônsul-geral dos EUA em São Paulo, Kevin Murakami, durante visita ao Grupo Tribuna, em Santos, na semana passada. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! Ao comentar o modelo definido pelo Tribunal de Contas da União (TCU), que proíbe a participação de empresas que já possuem terminais em Santos e de armadoras, Murakami afirmou que espera um leilão justo, ressaltando que as restrições podem “prejudicar empresas transparentes”. Não há companhias dos Estados Unidos interessadas no Tecon Santos 10. Ele confirmou que se refere à dinamarquesa Maersk e à suíça MSC. Ambas têm participação no terminal da BTP e, por isso, não podem participar. Durante a entrevista, o cônsul-geral dos EUA em São Paulo também criticou a eventual participação de empresas chinesas na disputa pelo terminal. “Nossa preocupação é um leilão que dá vantagem a empresas chinesas estatais, que podem pôr em risco a soberania do Brasil sobre sua maior porta, o maior porto da América Latina”, afirmou. Kevin Murakami visitou Santos (Sílvio Luiz/AT) A gigante chinesa Cosco, interessada no ativo, é uma armadora controlada pelo governo da China, principal parceiro comercial do Brasil. Porém, pelas regras atuais, a Cosco também não pode disputar o certame. Foi justamente essa situação que causou um impasse dentro do Governo Federal, que vem adiando sucessivamente o leilão, sem data definida para acontecer. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenta uma saída para não desagradar aos chineses. A ideia seria não seguir totalmente a recomendação do TCU e liberar armadores, vetando apenas empresas que possuem ativos no Porto de Santos. Dessa forma, a Cosco poderia participar, mas Maersk e MSC continuariam proibidas. Com área de 621,9 mil metros quadrados, o terminal terá capacidade para movimentar até 3,25 milhões de TEU (unidade equivalente a contêiner de 20 pés) por ano e deverá elevar em cerca de 50% a capacidade de contêineres do complexo portuário. O contrato de arrendamento está previsto para 25 anos, com investimentos estimados em R\$ 6,45 bilhões.