Rogério Oliveira, diretor de Negócios da Transtec World, destaca a constante expansão das atividades (Sílvio Luiz/ AT) Aos 62 anos, Rogério Oliveira tem longa experiência, iniciada em 1984, no planejamento e execução de atividades relacionadas ao segmento do comércio exterior e logística. Está há mais de 30 anos em cargos executivos de diretoria, como no caso da Transtec World Logística, onde é o diretor de negócios. Nesta entrevista ao jornal A Tribuna, ele fala sobre a expertise da empresa, tecnologia, investimentos no Porto de Santos, como a dragagem e o Tecon Santos 10, além de fazer projeções para o complexo santista. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! A Transtec tem mais de dez anos de atuação. Como nasceu a empresa e como foi o crescimento? A empresa nasceu em 2008 atuando no transporte municipal de contêineres vazios entre os depots (depósitos) e terminais Redex (Recinto Especial para Despacho Aduaneiro de Exportação). Posteriormente, passamos ao transporte de contêineres cheios, mas apenas no transporte local dos terminais Redex para os terminais portuários. Em 2010, iniciamos uma atividade de armazenagem de contêineres vazios para transportadoras, a fim de atender a uma demanda específica de um volume de contêineres que não podia ser entregue nos depots, pela limitação à época de horário de atendimento deles, e evitar que os con-têineres ficassem carregados sobre rodas aguardando a entrega no dia útil seguinte. Com o crescimento desta atividade de armazenagem, prospectamos a possibilidade de adaptarmos nossa infraestrutura para atuar como um depot diretamente para os armadores e, por meio da expertise adquirida, mitigar ou eliminar os gargalos operacionais que ocorriam nesse segmento. Para quem não conhece esse segmento, qual é o papel de um terminal especializado em con-têineres vazios? Utilizamos a analogia de uma locadora de veículos, em que a locadora é o armador e os veículos seriam os contêineres. Você vai à locadora, retira um veículo limpo, abastecido e em boas condições de uso, no local indicado, utiliza durante o tempo contratual e tem o compromisso de devolver este automóvel em algum local indicado pela locadora, nas mesmas condições em que foi retirado. Basicamente é a mesma sistemática de atuação do depot nomeado pelo armador, no tratamento sistêmico quanto à liberação ou recebimento de con-têineres vazios. Quais serviços a Transtec oferece e quais os principais diferenciais em relação ao mercado? Os serviços básicos são de movimentação dos contêineres vazios de acordo com as indicações e autorizações dos armadores, vistorias de condições, execução de estimativas, reparos estruturais de pequeno e grande porte, higienização, teste de funcionamento de máquinas de con-têineres reefers (refrigerados), armazenagem, controle eletrônico de estoque de entrada e saída. Os diferenciais que a Transtec trouxe para o mercado foram segregação de pátios para movimentação de tipos diferentes de contêineres por pátio; flexibilização de horários de atendimento em dias úteis para 16 horas ininterruptas de trabalho – das 7h às 23h; operação 24h ininterruptas em dias úteis para atendimento aos reparos; implantação de plataforma própria de agendamento eletrônico; garantia de produtividade diária de entrega de contêineres; oferta de espaço dedicado para armadores com grande volume de movimentação. Como está estruturada a empresa hoje? Em quais cidades atua, quantos colaboradores possui e quais são os números mais relevantes da operação? A empresa opera hoje aproximadamente 345 mil metros quadrados (m2), distribuídos em 10 pátios, sendo na Baixada Santista (Santos, São Vicente, Praia Grande e Guarujá) e no interior de São Paulo (Rio Claro e Suzano). Nestes pátios temos hoje aproximadamente 650 colaboradores diretos, um parque de 45 a 50 equipamentos de grande porte, que atendem a um volume médio diário de 3 mil contêineres, que resultam em uma média mensal de 70 mil contêineres e anual de 850 mil contêineres. Como a tecnologia vem transformando o mercado de logística e de contêineres vazios? A Transtec tem adotado inúmeros avanços utilizando a tecnologia, tais como controle eletrônico de entrada e saída de con-têineres dos pátios e controle eletrônico em tempo real das movimentações e estoque, permitindo disponibilizar essa informação aos armadores. Implantação de aplicativo de vistoria de contêineres com relatório fotográfico, identificação e classificação de avarias, estimativa de reparos, com transmissão das informações ao sistema e ao armador em tempo real. Implantação de sistema eletrônico de agendamento via site por disponibilização de janelas de atendimento, permitindo controlar e diluir o fluxo operacional de chegada de veículos, evitando congestionamentos. Controle de KPIs (parâmetros) relativos à eficiência e à produtividade operacional, controle eletrônico de volume estático, permitindo otimizar o planejamento de espaço físico e capacidade de atendimento, dada a dinâmica operacional da atividade, e controle eletrônico dos parâmetros dos equipamentos (telemetria) para acompanhar sua operação e otimizar sua utilização de forma que reduza a manutenção e a aspersão de poluentes. Quais são os planos de expansão da Transtec World para os próximos anos? Existe um planejamento de expansão física para a Baixada Santista, visando o aumento de demanda esperado, em especial, com a licitação de mais um terminal de contêineres na Margem Direita (Tecon Santos 10), que resultará em mais escalas de navios e volume de contêineres. Para tanto, em função até mesmo da escassez de áreas prontas, serão necessários investimentos em áreas ainda pouco impactadas (licenciadas) e sem nenhum impacto (greenfield), em especial mais distantes dos terminais portuários às margens das rodovias que cortam a Baixada Santista. Nosso planejamento também considera a expansão desta modalidade criada de depot ou espaço dedicado, a fim de oferecer aos armadores - mesmo os de médio volume - a oportunidade de terem um espaço exclusivo para as movimentações de seus contêineres. Como o senhor avalia o momento do Porto de Santos e quais obras considera mais urgentes? Estamos muito atrasados nos investimentos em infraestrutura, chegando quase a um colapso logístico. Portanto, todos os investimentos federais, estaduais e municipais planejados e programados são mais do que necessários e precisam ser executados para que, quando ficarem prontos, não estejam já insuficientes para a nova realidade operacional. Considerando este iminente colapso logístico, a prioridade sempre será para aquela obra que puder ser iniciada e executada no menor espaço de tempo possível. Neste momento, não podemos estabelecer prioridades por ordem de importância, sob pena de deixar de executar uma obra de forma imediata para aguardar licenciamento e autorização para uma outra maior. Qual a importância da dragagem do canal do Porto para 16 metros? Com o aumento da profundidade, o Porto de Santos poderia começar a receber navios maiores, com maior capacidade de carga. Isto representaria um melhor fluxo de navegação e atracação, considerando que se carregaria a carga atual ou até superior, em uma quantidade menor de navios e escalas. Um navio com maior capacidade de carga tem um resultado de frete marítimo maior, o que também contribui com uma economia de escala para o armador, tornando o tráfego mais competitivo e atraente para o mercado internacional. Qual é sua avaliação sobre o projeto do Tecon Santos 10? A necessidade de mais um terminal de contêineres em Santos é indiscutível, nos moldes que operam esses terminais no Brasil (com oferta de serviços de armazenamento e movimentação de carga de importação), ou seja, para atender toda a demanda de exportação, faz-se necessário aumentar a estrutura portuária para absorver este volume total de contêineres de exportação em uma condição minimamente viável operacionalmente, em termos de prazo de pré-stacking (gate aberto). O atual gargalo experimentado com a quantidade atual de terminais portuários resulta em prazos muito curtos de pré-stacking de exportação, para agendamento e entrega de contêineres, muitas vezes apenas três dias com um final de semana no meio, o que resulta em congestionamentos pontuais que poderão ser dissipados com mais um grande terminal operador para distribuição dos fluxos logísticos. O início da operação do Tecon Santos 10 se viabiliza apenas se alguns requisitos básicos específicos forem atendidos, tais como o viaduto de saída da Alemoa; o segundo viaduto de acesso ao Porto de Santos; e a eliminação das passagens de nível da linha férrea, que cruzam estas áreas onde estão os terminais portuários. A logística terrestre continua sendo um dos principais gargalos do Porto de Santos. O que precisa avançar? No acesso rodoviário, é necessário concluir a execução dos projetos das perimetrais das margens Direita e Esquerda, respectivamente; construção da terceira pista da Imigrantes; construção do segundo viaduto de acesso ao Porto; construção do viaduto de saída da Alemoa; construção de um viaduto de saída do terminal portuário da DP World para a rodovia com descida no sentido Cubatão; e construção da estação elevatória da entrada da cidade para terminar com os alagamentos da Avenida Nossa Senhora de Fátima, que ainda faz parte do corredor logístico do Porto. Já no acesso ferroviário, é necessária a construção de ramal ferroviário de utilidade pública, pela parte externa da Alemoa (lado do canal), para atender à demanda dos terminais portuários alocados naquela região, podendo chegar à BTP e ao Tecon Santos 10; e construção de pequenos viadutos nas passagens ferroviárias de nível fronteiriças aos terminais portuários. É necessário incentivar a criação de novos pátios reguladores, em especial para operações concentradas em uma única região, como os terminais que operam granéis líquidos.