Wilson Sons faz construção e manutenção de rebocadores na Margem Esquerda do Porto de Santos, em Guarujá (Alexsander Ferraz/ AT) O estaleiro da Wilson Sons, localizado na Margem Esquerda do Porto de Santos, em Guarujá, no litoral de São Paulo, não para. Nos mais de 14,5 mil metros quadrados (m²), circulam em torno de 360 profissionais. Há em torno de 300 no operacional e outros 60 na administração, envolvidos na produção, reparos e serviços para aumento de potência de rebocadores da própria empresa. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! Das 83 embarcações do tipo da Wilson Sons – operador de logística portuária e marítima desde o ano passado sob o controle acionário da MSC – espalhadas pelo Brasil, sete estão no Porto de Santos. O local também serve como base de atracação. “O estaleiro é responsável por dar suporte técnico à frota. Desenvolvemos novos projetos, construímos e entregamos. A linha de produção está toda tomada no próximo ano, no seguinte e em 2029 para atender à demanda interna. Temos mais 14 rebocadores para entregar nesse período, em uma média de quatro por ano. Não dá para abrirmos para terceiros, embora a gente já tenha feito isso em outros tempos”, revela o diretor-executivo da empresa, Adalberto Luiz Renaux Souza. A exceção é um contrato ainda ativo para manutenção dos rebocadores da mineradora Vale. Os projetos vêm de uma longa parceria com os holandeses do Grupo Damen Shipyards. “Os grandes equipamentos não são fabricados no Brasil. Como eles são estaleiro maiores e têm um poder de compra ampliado – fazem 40 rebocadores por ano – usamos isso a nosso favor. Compramos o projeto e eles fornecem o que a gente chama de material package. Chegam desenhos em 3D, a lista de materiais de tubulação, do aço, ou seja, um pacote de informações técnicas”, detalha Adalberto. A matéria-prima essencial para a construção do rebocador - para fazer o casco, por exemplo - é o aço, comprado de uma usina no Brasil. “Compramos o aço e entregamos para um parceiro em Santos que o recebe, jateia (processo que remove impurezas, desgastes e proporciona acabamento liso e uniforme), pinta e corta. Tem um plano de corte que gera peças”, explica. O quebra-cabeça vai se formando, tal como aqueles brinquedos infantis. “Recebemos as peças prontas. Montar um barco é como montar um Lego. É um conjunto de peças que vamos montando”, completa o diretor-executivo do estaleiro. Os painéis elétricos são fornecidos há 30 anos pela WEG, fabricante brasileira com sede em Jaraguá do Sul, em Santa Catarina. O Estaleiro da Wilson Sons já entregou três rebocadores neste ano, depois de tudo montado e testado no mar. “Estamos preparados para entregar o quarto, o quinto e o sexto. No meu dique (seco) já está o quarto, enquanto nas minhas oficinas estão o quinto e o sexto. Acho que vamos terminar o ano com a média anual de quatro embarcações”, projeta. Em 2026, até o momento, foram 13 docagens da frota para serviços distintos, muitas vezes executados ao mesmo tempo, em razão da existência do dique seco, único no Estado. O Estaleiro da Wilson Sons já entregou três rebocadores neste ano (Alexsander Ferraz/AT) Expansão O estaleiro da Wilson Sons projeta investimentos em uma área ao lado das atuais instalações para dobrar a sua produção, segundo Adalberto Luiz Renaux Souza. “Se no atual eu construo quatro rebocadores por ano, com esse novo espaço vou para oito no mesmo período. Ou seja, vou dobrar a minha capacidade com mais essa área disponível”, afirma. “Se a nossa empresa não tiver demanda, certamente iremos atender a terceiros”, afirma. A área é greenfield (nunca recebeu construções) e já há um contrato de locação com o proprietário. O processo para licenciamento ambiental está sendo iniciado na Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). O projeto foi apresentado à empresa pública estadual em reunião realizada no final de julho. “A tendência é que não precise ser feito um Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental (EIA-Rima). Vai ser algo mais simples com a própria base de Santos. Estamos entrando com o nosso pedido de análise por parte deles”, estima o diretor. Adalberto acredita que, em seis meses, já esteja disponível a licença de instalação. “Queremos mais uma oficina, mais área de pátio livre e um cais. Hoje temos 78 metros de cais e, caso a gente estenda, pega mais 72 metros”, lista. Mão de obra Como Santos não é um polo de construção naval, diferentemente de, atualmente, Itajaí (SC) e do Rio de Janeiro, o diretor-executivo do estaleiro da Wilson Sons observa a mão de obra como principal dificuldade. Para resolver isso, a empresa acaba contratando contratar pessoas com pouca ou, por vezes, nenhuma - experiência e forma esses profissionais com a ajuda do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). “Temos hoje em dia, de segunda a sexta, o Senai aqui dentro formando nosso pessoal e dando instruções técnicas para que saia um montador, um soldador ou um caldeireiro, por exemplo, formado por eles. Como o diploma é do Senai não é só para trabalhar aqui, mas sim onde quiser”, explica. Menos poluente Souza revelou que já tem estudo para fazer um rebocador que economize nas emissões. “Seria um elétrico ou movido a etanol. Como não temos metanol aqui, mas sim lá fora, então seria etanol. Biodiesel a gente já usa. No Porto do Açu, no Rio de Janeiro, temos três rebocadores rodando com biodiesel e HVO (Hydrotreated Vegetable Oil ou óleo vegetal hidrotratado, diesel verde renovável de alta qualidade) e com ótimos resultados tecnicamente. A performance é a mesma e reduz as emissões”, revela