Movimentação de açúcar foi de 8,83 milhões de toneladas no cais santista no primeiro semestre de 2025, queda de 26,8% em comparação a 2024, segundo a Autoridade Portuária (Alexsander Ferraz/AT) Associações ligadas ao agronegócio e à exportação de commodities defendem que as entidades que representam a carga precisam atuar de forma conjunta para cobrar soluções logísticas do Governo Federal e leis do Congresso Nacional que garantam maior competitividade ao Brasil no comércio internacional. Representantes das entidades debateram o tema na última quinta-feira, durante evento em Santos. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! O presidente do Comitê de Logística da Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea), Brenno Queiroz, defende a aproximação entre as entidades. Segundo ele, o setor de algodão, que em 2024 consolidou o Brasil como maior exportador mundial e terceiro em produção, já vivencia, há pelo menos cinco anos, um processo de debate estruturado. “O impacto é claro: quem perde competitividade é o Brasil. Somos nós, exportadores, que temos de justificar atrasos e custos adicionais ao mercado internacional. Em 2024, movimentamos mais de 200 mil TEU (unidade de medida equivalente a um contêiner padrão de 20 pés), com crescimento de 10% ao ano, mas a infraestrutura está atrasada em relação à produção. Precisamos nos unir e apresentar dados para pedir soluções para os gargalos”, ressaltou. Amadurecimento O diretor-presidente da Associação Logística Brasil, André Seixas, foi enfático. “Sem carga, não existe logística”. Para ele, o amadurecimento do setor passa pela capacidade das entidades de atuar de forma integrada, aceitando divergências e evitando protagonismos isolados. “Temos que agregar, e não excluir. Só vamos avançar quando as associações forem mais unidas. Outro ponto é a presença em Brasília: estamos discutindo portos, navegação e projetos de lei que impactam diretamente a logística. Se não atuarmos juntos, outros setores definirão as regras por nós”, advertiu. Seixas reforçou que as entidades precisam se dar conta de que o que acontece em Brasília recai diretamente sobre os custos do agro, da siderurgia, da mineração, de todos os setores”, disse. “Hoje, a carga tem voz. Mas, para ser ouvida, precisamos de investimentos, dados técnicos, atuação estratégica no Congresso Nacional e apoio dos associados às suas entidades. O fortalecimento das associações é fundamental para que possamos cobrar soluções efetivas e garantir que o Brasil não perca espaço no comércio global”, diz Seixas. Reflexos O diretor técnico do Conselho dos Exportadores de Café (Cecafé), Eduardo Heron, destacou que os gargalos logísticos se refletem diretamente no custo de transporte e armazenagem, elevando despesas como demurrage e detention (cobranças por sobre-estadia de contêineres na importação e exportação). “Se trabalharmos juntos, com uma pauta logística bem direcionada, podemos mostrar ao Governo a gravidade da situação. Apesar dos recordes de produção, o agronegócio brasileiro paga uma conta muito cara. É papel da carga identificar os problemas, se articular e evitar prejuízos que vêm se acumulando”, afirmou. Heron ressaltou que a Autoridade Portuária de Santos (APS), o Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) e a Agência Nacional de Transportes Aquviários (Antaq) têm acolhido discussões técnicas, mas frisou que a iniciativa precisa partir das associações. “É a carga que deve construir e conduzir uma pauta coordenada, porque os impactos recaem sobre o setor produtivo”, completou. Os representantes reforçaram que a defesa da modicidade tarifária — princípio que busca garantir preços justos e acessíveis para serviços portuários — deve estar no centro das discussões. A meta é equilibrar os interesses das concessionárias com os dos usuários, de modo a preservar a competitividade do país. A discussão ocorreu no 1º Sugar Day, promovido pela Associação Comercial de Santos (ACS), em parceria com a Associação de Exportadores de Açúcar e Álcool (Aexa). Participação Representantes das associações acreditam que é necessário uma presença mais forte do setor nas discussões políticas com o Governo Federal e integrantes do Legislativo. As entidades lembraram que o acontece em Brasília recai diretamente sobre os custos dos setores como agronegócio, siderurgia e mineração.