Análise técnica feita pela Aliança Navegação estima que este ano a seca deve prejudicar Manaus entre o fim de outubro e início de dezembro (Divulgação/Grupo Chibatão) As empresas de cabotagem (navegação entre portos de um mesmo país), que também atuam no Porto de Santos, têm antecipado a movimentação de cargas em Manaus para amenizar as consequências negativas causadas pela já esperada estiagem (seca) nos rios do Amazonas, na Região Norte do País. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! Enquanto isso, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) afirma que obras serão finalizadas neste ano para garantir a navegabilidade em rotas estratégicas em períodos de seca. Nos últimos dois anos, a estiagem causou prejuízos ao setor de cabotagem. “A indústria sempre se prepara para a seca. É um fenômeno sazonal. Os dois últimos anos foram muito graves e severos. 2023 e 2024 causaram quase R\$ 3 bilhões de custos para as indústrias”, afirma Augusto Rocha, coordenador da comissão de logística e competitividade do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam). Segundo o diretor-executivo da Associação Brasileira de Armadores de Cabotagem (Abac), Luís Fernando Resano, os navios de cabotagem estiveram impossibilitados de atingir os terminais em Manaus durante 45 dias em 2023, deixando de movimentar aproximadamente 45 mil contêineres. No ano passado, houve uma estratégia para tentar diminuir o impacto da seca. “Em 2024, por iniciativa dos terminais e das empresas de navegação, operamos com píer flutuante em Itacoatiara, o que possibilitou a manutenção da logística para a região. Porém, causou filas de espera, uma vez que a infraestrutura era uma contingência”. Segundo ele, como Manaus e Santos são os principais portos de movimentação de contêiner na cabotagem, ocorreu um grande impacto na logística, “com o acréscimo de custo do serviço”, afirma Resano. Previsões Uma análise técnica realizada pela Aliança Navegação e Logística estima que este ano a seca deve prejudicar Manaus entre o fim de outubro e o início de dezembro. Analisando o gráfico do Serviço Geológico do Brasil (SGB) sobre a seca no Rio Amazonas, Augusto Rocha conclui a expectativa desse ano é de que a seca não seja tão severa. “Esperamos que os aprendizados dos anos anteriores sirvam para que a indústria sofra menos, os armadores e terminais portuários terem um melhor equilíbrio de custo e que o Governo faça um investimento de correção dessa deficiência estrutural”. Para o coordenador do Cieam, é necessária uma obra subaquática que permita alterar a hidrodinâmica do rio para que não fosse necessário dragar. Segundo ele, o foco da dragagem atual é a segurança da navegação e não no aprofundamento do canal. Já Resano diz que no ano passado, durante a seca, foi identificado um cabo de comunicação que impediu algumas operações de dragarem. “Há necessidade de planejar o reposicionamento do cabo, que passa a envolver também, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Nosso posicionamento e cobrança ao Dnit é para que haja transparência do planejamento das ações para que possamos acompanhar”, diz o diretor-executivo da Abac. Ele acredita que a Região Norte não está preparados para enfrentar períodos de seca severa. “Infelizmente não vejo infraestrutura suficiente para momentos críticos como ocorreu em 2023 e 2024. As medidas adotadas, pelo setor privado, foram para mitigar o problema grave que ocorreu em 2023. Foi satisfatório, mas precisamos trabalhar para manter o fluxo logístico normal. Resano afirma que a solução adotada em 2024 encareceu as operações, aumentou o tempo de trânsito e gerou gargalos. Custos Nos dois anos anteriores, a seca em Manaus gerou custos de R\$ 3 bilhões para as indústrias. O pior cenário foi em 2023, quando os navios de cabotagem ficaram impedidos de atingir os terminais em Manaus durante 45 dias, deixando de movimentar aproximadamente 45 mil contêineres.