Os empresários da Alemoa, em Santos, são contra o Corredor Porto-Indústria (Copi), proposto pela Prefeitura de Cubatão e atualmente em análise pelos governos Estadual e Federal. O motivo é que o traçado desemboca no bairro, na Avenida Albert Schweitzer, depois de partir da região do Sítio dos Areais, em Cubatão — onde termina a futura terceira pista da Rodovia dos Imigrantes. O Copi não passaria pelas rodovias Anchieta e Cônego Domenico Rangoni. Com cerca de 13,5 quilômetros de extensão prevê duas faixas de rolamento por sentido, dimensionadas para tráfego de caminhões. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! “Estamos próximos de conseguir o túnel Santos-Guarujá, o viaduto da Anchieta, no Saboó, e a terceira pista da Imigrantes. Aí surgem ideias como esse corredor logístico, entre outras, que acabam desviando o foco do que realmente é prioridade. No final, ficamos sem nada, até sem manutenções preventivas do que já dispomos”, afirma o presidente da Associação das Empresas do Distrito Industrial e Portuário da Alemoa (AMA), João Maria Menano. O empresário pontua que a Alemoa está totalmente ocupada. “Receber ainda um corredor de cargas - que não têm origem e destino no bairro - não tem sentido”, explica. Inviável A presidente do Sindicato das Empresas de Transporte Comercial de Carga do Litoral Paulista (Sindisan), Rose Fassina, considera inviável o Copi da forma como está previsto. “O problema é o próprio traçado: direcionar um corredor com capacidade para até 20 mil veículos por dia para desembocar na Avenida Albert Schweitzer é tecnicamente incompatível com a realidade da via. Essa avenida é um dos pontos mais críticos da malha viária da Alemoa. Não há como absorver esse volume adicional de tráfego numa via que já é estreita para a demanda atual”, diz. Rose soma a isso o fato de que a Alemoa, nos últimos anos, possui projetos de expansão previstos pela Autoridade Portuária de Santos (APS), além da possível ampliação de um Terminal de Uso Privado (TUP) e de novos berços públicos para granéis líquidos. “É uma área que já concentra múltiplos interesses e projetos concorrendo pelo mesmo espaço físico e pela mesma infraestrutura viária limitada. Qualquer novo corredor precisa ser pensado em conjunto com esse cenário. Como está proposto, o projeto resolve um gargalo em Cubatão criando outro, maior, na Alemoa. É uma transferência de problema”, afirma. A dirigente do Sindisan defende que o projeto seja revisto antes de avançar. “Para as indústrias e terminais instalados na Alemoa, isso significa mais atraso operacional, mais custo logístico e mais insegurança viária, os mesmos problemas que a região já enfrenta hoje, potencializados”, afirma. “O bairro da Alemoa opera, hoje, no limite da infraestrutura para a qual foi originalmente projetado”, sentencia. O secretário de Indústria, Porto, Emprego e Empreendedorismo de Cubatão, Fabrício Lopes, minimizou a questão do traçado do Corredor Porto-Indústria (Copi), justificando que “possui caráter conceitual e ainda demanda avaliações técnicas mais aprofundadas para análise da viabilidade sob os aspectos de engenharia, mobilidade, logística, meio ambiente e modelagem institucional” e que é uma “referência inicial para subsidiar os estudos que deverão apontar a solução mais adequada para a região”. “Essas avaliações, inclusive, já foram objeto de solicitação formal tanto ao Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Parcerias em Investimentos (SPI), quanto ao Governo Federal, por intermédio do Ministério dos Transportes, considerando que se trata de um empreendimento de interesse regional, cuja implantação extrapola as competências e a capacidade de execução exclusiva do Município de Cubatão”, lembra. Lopes acrescentou que, por esse motivo, todas as etapas futuras serão conduzidas com absoluta transparência e diálogo institucional. “À medida que o projeto evoluir tecnicamente, os estudos serão compartilhados e debatidos com os órgãos públicos competentes, a Autoridade Portuária de Santos (APS), concessionárias, entidades representativas e o setor produtivo, permitindo que as contribuições apresentadas sejam analisadas e, quando pertinentes, incorporadas ao seu desenvolvimento”, afirma. Diálogo O secretário de Indústria, Porto, Emprego e Empreendedorismo de Cubatão, Fabrício Lopes, disse que, em 4 de março, realizou uma reunião com a Associação das Empresas do Distrito Industrial e Portuário da Alemoa (AMA), o Sindicato das Empresas de Transporte Comercial de Carga do Litoral Paulista (Sindisan) e a Associação Brasileira dos Terminais Retroportuários e das Empresas Transportadoras de Contêineres (ABTTC) para mostrar o projeto. O secretário não esclareceu, porém, o motivo pelo qual a Prefeitura de Santos não participou das discussões técnicas sobre o Copi.