[[legacy_image_158172]] Após mais de 30 anos, o Porto de Santos voltou a realizar embarques de café a granel. O motivo, segundo especialistas, é a crise logística mundial que reduziu a oferta de contêineres para as exportações do produto. A expectativa é de que o problema se arraste por todo este ano, o que deve ampliar os custos operacionais. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Desde novembro do ano passado, foram registrados cinco embarques de café em break bulk, a chamada carga fracionada. De acordo com o coordenador da Câmara de Exportadores de Café da Associação Comercial de Santos (ACS), Ronald Pires de Moraes, a commodity é colocada em big bags de uma tonelada nos porões dos navios. “No embarque de café em contêineres, os equipamentos devem ser próprios para a mercadoria (limpos, sem cheiro e sem furos). O café tem alto poder de absorção, podendo absorver resíduos de embarques anteriores no contêiner”, explicou o executivo. Por conta disso, para a operação ser bem sucedida, o diretor técnico do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Eduardo Heron, explica que os porões de navios devem estar limpos, revestidos com papel kraft e climatizados. “Apesar de ser uma forma antiga de exportação, muito utilizada no passado para escoar a safra de café e de outros produtos agrícolas, os modelos atuais de embarques em break bulk possuem detalhes operacionais novos e requerem maior atenção e cuidado nos procedimentos para acondicionamento da carga nos porões dos navios, visando garantir a qualidade do produto até o país importador”, destacou Heron. DificuldadesSegundo Moraes, a opção de embarque gera maiores custos aos exportadores. “Na modalidade break bulk, os exportadores devem entregar as bags preferencialmente em armazéns alfandegados ou Redex próximo ao Porto de Santos, previamente a chegada do navio. Os custos nesta operação aumentam devido ao transbordo e manuseio dos bags em diversos pontos até serem colocado a bordo do navio. No contêiner, o processo é mecanizado e mais ágil”, afirmou o coordenador da ACS. Já Heron destaca a escassez de portos que utilizam esse sistema como um entrave para essas operações. “Com a evolução da logística global, o acondicionamento de cargas em contêineres cresceu de forma expressiva em razão de sua facilidade no manuseio, transporte e armazenamento, levando os portos a também se modernizarem para tais operações. No entanto, tal evolução logística limitou o número de portos que operam embarques e desembarques de break bulk, o que acaba sendo um obstáculo para ampliação das exportações nessa modalidade”, afirmou o executivo do Cecafé. De acordo com Moraes, não há previsão de melhora da situação em curto prazo. “Além do aumento na quantidade de espaço nos navios e maior disponibilidade de contêineres, os fretes marítimos precisam baixar”. Heron explica, ainda, que o problema logístico “é resultado da concentração do fluxo do comércio nos eixos da Ásia, EUA e Europa, em decorrência da abertura dessas economias, dos avanços das vacinas e dos incentivos financeiros observados nessas nações importadoras, que aumentaram a demanda, elevaram os fretes e limitaram a oferta de equipamentos (contêineres e navios) no Brasil”.