Os prédios altos e com arquitetura moderna marcam a bonita e planejada capital da Coreia do Sul (Fábio Pires/TV Tribuna) O Rio Han, que corta a Coreia do Sul e é exemplo de despoluição, foi o cenário do jantar de abertura da Missão Internacional Porto & Mar Brasil – Coreia do Sul 2024, promovida pelo Grupo Tribuna e que vai até sexta-feira. A comitiva, formada por empresários e autoridades, começou ontem a mergulhar na cultura sul-coreana. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A embaixadora do Brasil no país asiático, Márcia Donner Abreu, recebeu os brasileiros e lembrou que a Coreia do Sul superou a pobreza extrema em 60 anos e atualmente é uma das economias mais desenvolvidas do mundo. Ela citou três pilares: o planejamento estatal no início do processo e os programas de desenvolvimento tecnológico que continuam sendo incentivados pelo governo; a abertura para o comércio internacional, uma vez que a única fronteira terrestre está fechada e é com a Coreia do Norte; e a modernização dos portos. “A Coreia é um prodígio de desenvolvimento econômico e tecnológico”, disse Márcia. “Fico muito feliz de ter esse grupo aqui, tenho certeza de que será uma semana de muito aprendizado para todos”, completou. Tecnologia e trabalho Acompanhando a comitiva do Grupo Tribuna, Ricardo Martins, vice-presidente da Hyundai Motors no Brasil, adiantou alguns pontos que os brasileiros poderão entender melhor durante a missão. “Os atos regulatórios dos portos da Coréia do Sul, como as leis colaboram para ter mais investimentos e fazem com que o parque industrial possa gozar desses benefícios com tecnologia para uma maior competitividade”. Uma visita à Hyundai, que nasceu na Coreia do Sul, está na agenda da missão. Martins explica que companhia lida com mudanças no mercado de trabalho, buscando, como outras companhias, reduzir os custos e aumentar a eficiência. “A questão da perda de postos de trabalho não existe. O que existe é uma requalificação profissional”, explicou Martins. O ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST) Douglas Alencar Rodrigues, que faz parte da missão Porto & Mar, destacou a transição que está ocorrendo no mercado de trabalho do mundo. “A tecnologia é um processo irreversível, com o uso cada vez mais intenso de máquinas. Isso exige dos trabalhadores uma qualificação diferenciada, especializada, para poder atuar no segmento tecnológico”. Expectativas Os participantes da viagem estão ansiosos pelo conhecimento que será possível absorver e trazer para o Brasil. O diretor-presidente do jornal A Tribuna, Marcos Clemente Santini, destacou a pauta técnica da missão, que todos os anos procura levar os participantes para lugares que respiram inovação. “Vai ser muito produtiva a viagem, acredito que será um sucesso”. O diretor-presidente da TV Tribuna, Roberto Clemente Santini, lembrou da organização e do preparo na educação dos sul-coreanos. “A transformação impressiona. Um país que há pouco tempo era subdesenvolvido e hoje é uma potência. Isso mostra que os projetos desenvolvidos aqui podem servir de referência para o Brasil, para o Porto de Santos”. O consultor para Assuntos Portuários do Grupo Tribuna, Maxwell Rodrigues, afirma que a relação porto-indústria será destacada na agenda. “É importante o Brasil olhar para o planejamento de longo prazo. A indústria próxima ao porto vai gerar muitas oportunidades. Vamos entender, na Coreia do Sul, como eles transformaram essa relação em um tempo tão curto”. Trazer ao Brasil Para o diretor comercial da BTP, Cláudio Oliveira, todo o conhecimento adquirido em portos mais avançados, especialmente na área de tecnologia, é fundamental. “Estamos entrando em uma nova fase, com equipamentos elétricos, prontos para serem operados de forma remota (nos terminais brasileiros). A Coreia já atua fortemente nessa questão. Vamos ver aqui toda a tecnologia que podemos levar aos nossos terminais”. O diretor executivo da Van Oord Brasil, Erick Aeck, acha fundamental esse intercâmbio de conhecimento. “Temos muito o que aprender com a Coreia do Sul. A parceria público-privada ajudou muito no desenvolvimento do país”. O diretor de Operações de Terminais Portuários da Santos Brasil, Bruno Stupello, lembra que o país asiático tem como pauta a tecnologia, dentro ou fora dos portos. “Estar aqui, visitar terminais e ver como essas tecnologias são empregadas vai trazer muito know-how para levarmos ao Brasil”. O presidente da Bandeirantes Deicmar, Washington Flores, diz que nos anos 1970 o Brasil era mais desenvolvido do que a Coreia do Sul, que hoje virou uma superpotência. “Eles demonstraram que é possível trazer o conhecimento em benefício do país. Temos que entender o que deu certo e tentar aplicar isso no Brasil”. Organizada e limpa, Seul é destaque em tecnologia A Coreia do Sul respira tecnologia. Seja no aeroporto, nos pontos de ônibus, nas estações de trem ou metrô, na rua. O número de habitantes por quilômetro quadrado da capital é de aproximadamente 17 mil, segundo o Arquivo de Políticas de Seul, mais que o dobro da Capital paulista. Ao desembarcar no Aeroporto de Incheon, na região metropolitana de Seul, a máquina que lê o passaporte passa as instruções no idioma da pessoa. No caso dos participantes da Missão Porto & Mar, o equipamento falou em português. Como a internet no país funciona muito bem, aplicativos de tradução ajudam na comunicação. Mas muitos sul-coreanos falam inglês. A educação é prioridade e toda a população é alfabetizada. Fumar na rua é proibido. Prédios altos com arquitetura moderna, ruas limpas e sem lixeiras. Seul é planejada, sendo difícil encontrar casas. Com tanta gente morando na cidade, ela cresceu para o alto. O vaivém frenético de milhões de coreanos é organizado: de trem, metrô, ônibus, carro, de bicicleta pelos 1.316 km de ciclovia. O conhecimento e o investimento financeiro permitiram o desenvolvimento. O país, que tinha metade do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro após a 2ª Guerra Mundial, tem hoje uma riqueza três vezes maior que a do Brasil, possuindo área equivalente ao estado de Pernambuco. A Coreia do Sul é um dos países mais avançados em tecnologia e inovação. É modelo de investimentos na relação porto-indústria e sede de três das maiores multinacionais do mundo: Hyundai, Samsung e LG.