O monitoramento da infraestrutura portuária e hidroviária do País tem os drones como aliados estratégicos. Para cobrir áreas de difícil acesso e dar maior precisão às vistorias em terminais, pátios e embarcações, a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) vem consolidando o uso do recurso para otimizar o trabalho de campo, acompanhar o ritmo de obras e garantir mais segurança aos fiscais. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! A iniciativa está alinhada à nova Política Nacional de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação Portuária (PD&I-Portos), instituída pelo Ministério de Portos e Aeroportos (MPor). A diretriz da pasta busca incentivar soluções tecnológicas que elevem a competitividade, a eficiência operacional e a sustentabilidade dos complexos portuários brasileiros. No Porto de Santos, maior complexo do Hemisfério Sul, a expectativa é que o modelo da Antaq sirva de referência para otimizar o monitoramento contínuo das rotas de acesso e das áreas arrendadas, integrando agilidade regulatória e segurança em operações de grande escala. Antaq tem reservado vagas em seus treinamentos para servidores de outras instituições parceiras (Antaq/Divulgação) Iniciativa individual A história do uso de drones na Antaq começou de forma espontânea em 2016. Na Unidade Regional de Porto Velho (RO), o especialista em regulação Wescley Sousa decidiu utilizar um drone particular para testar a viabilidade do equipamento em vistorias. Os resultados positivos abriram caminho para que a agência oficializasse a tecnologia em 2019, estruturando cursos internos de pilotagem. “As imagens aéreas trouxeram um salto qualitativo para as atividades fiscalizatórias”, aponta Sousa. Segundo o especialista, um dos principais ganhos é inspecionar estruturas de elevado risco, como o topo de armazéns e grandes equipamentos portuários, sem a necessidade de exposição física dos fiscais a riscos de acidentes. Além do ganho em segurança do trabalho, os drones alcançam pontos de difícil acesso logístico, como costados de navios, correias transportadoras e píeres afastados. As câmeras de alta definição geram modelos tridimensionais e cálculos de volumetria, além de permitir a medição de áreas com precisão. Nos portos, os equipamentos monitoram o fluxo de veículos nos acessos terrestres e a ocupação dos pátios. Na navegação interior, ajudam a identificar excesso de carga ou serviços não autorizados. Além da fiscalização, a Antaq utiliza os sobrevoos para auditar e comprovar o avanço físico de obras de infraestrutura previstas nos contratos de arrendamento e concessão. Integração A capacitação para a operação dos drones também virou ponte para a cooperação entre diferentes instâncias do governo. A Antaq tem reservado vagas em seus treinamentos para servidores de instituições parceiras, como as agências nacionais de Transportes Terrestres (ANTT), de Telecomunicações (Anatel), a Marinha do Brasil e as autoridades portuárias. Em contrapartida, a Polícia Federal (PF) atua no treinamento dos fiscais da Antaq em disciplinas avançadas, como fotogrametria, mapeamento aéreo e processamento de dados geoespaciais. Apoio A Antaq e o MPor ressaltam que, embora a tecnologia forneça um volume expressivo de dados em alta precisão, os drones atuam como ferramentas de triagem e apoio. Qualquer indício de irregularidade captado pelas câmeras passa obrigatoriamente pela análise e formalização dos fiscais em procedimentos oficiais. A consolidação do uso de aeronaves não pilotadas ganha força em meio às novas metas impostas pela PD&I-Portos, que passou a exigir planos anuais de inovação e inclusão de métricas de modernização nos relatórios de desempenho das autoridades portuárias públicas. Precisão Além de mitigar acidentes ao dispensar a escalada de fiscais a estruturas de grande altura, como o topo de armazéns e guindastes, os drones operados pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) produzem dados de altíssima precisão técnica. As imagens registradas em alta definição são convertidas em modelos tridimensionais e cálculos volumétricos detalhados, capazes de medir estoques a granel, checar o avanço real de obras contratuais e identificar sobrecarga em embarcações antes mesmo do embarque da equipe de solo.