Fabíola afirma que a complexidade das operações foi o que mais a desafiou e motivou no setor portuário (Divulgação) A diversidade é uma vantagem competitiva porque diferentes experiências e perspectivas contribuem para melhores resultados. Mas a inclusão no ambiente corporativo não acontece por acaso. Ela começa com ações como ofertas de oportunidades para ampliar a participação de profissionais de perfis diversos. Essa é a visão da gerente executiva de Experiência do Cliente da Santos Brasil, Fabíola Stocco Baccarin. Em entrevista para A Tribuna, ela comenta a importância da diversidade e da participação feminina em um setor historicamente masculino. “A diversidade acontece quando deixamos de esperar que ela surja naturalmente e passamos a agir para que ela seja uma realidade”, afirma a gerente executiva, que ingressou na Santos Brasil em 2020, sem experiência no setor portuário. Ela própria é um exemplo dessa inclusão: uma mulher contratada para ocupar um cargo de liderança em um segmento predominantemente masculino, mas com uma trajetória consolidada em sua área de atuação. Na Santos Brasil, Fabíola assumiu o desafio de estruturar a área de experiência do cliente, além das áreas de relacionamento com clientes e administração comercial. Segundo ela, a experiência acumulada na gestão do relacionamento entre empresas e clientes foi o diferencial para sua contratação. “Cuidar da experiência do cliente não significa apenas resolver problemas, mas compreender necessidades, identificar oportunidades de melhoria e construir relações de confiança. Esses princípios são universais e podem ser aplicados em qualquer setor”, ressalta. Fabíola conta que, quando a Santos Brasil decidiu criar a área de customer experience, buscava alguém capaz de conectar as demandas dos clientes às estratégias de negócio. “Foi esse desafio que me atraiu. Desde então, além da estruturação da área, a transformação digital e a evolução da jornada dos clientes passaram a fazer parte da nossa agenda”. A executiva afirma que a complexidade das operações foi o que mais a desafiou e motivou no setor portuário. “No Porto, cada etapa influencia diretamente a cadeia logística e qualquer variação pode gerar impactos relevantes para os negócios dos clientes. Percebi que um dos principais diferenciais competitivos é oferecer previsibilidade, com informações confiáveis, clareza nos processos e segurança para o planejamento das operações”. Inclusão e valorização Quanto ao aumento da participação feminina no setor, Fabíola defende que a construção de ambientes mais diversos e inclusivos depende do compromisso de todos. “Refiro-me à decisão consciente de incluir, respeitar e valorizar diferentes perspectivas. Isso envolve líderes, colegas, homens e mulheres trabalhando juntos para criar oportunidades, eliminar barreiras e reconhecer talentos pelo que realmente entregam”. A executiva ressalta que a diversidade amplia perspectivas e melhora a qualidade das decisões. “Quando reunimos pessoas com experiências e visões diferentes, ampliamos nossa capacidade de compreender os clientes, antecipar necessidades e encontrar soluções mais inovadoras. A diversidade não é apenas uma pauta social. É uma vantagem competitiva e uma alavanca para inovação, desempenho e geração de valor”. Fabíola também defende modelos de liderança mais colaborativos e humanos. Para ela, o setor portuário vem avançando nesse processo, com um número crescente de mulheres ocupando posições estratégicas. “Temos a oportunidade de construir lideranças que valorizem o diálogo, o desenvolvimento das pessoas, a diversidade de pensamento e o equilíbrio entre resultados e cuidado com as equipes”, afirma. Sobre a participação feminina, a executiva destaca a necessidade de mais mulheres ocupando espaços no setor. “Cada nova profissional que ingressa abre caminho para que outras também se sintam representadas e acolhidas”. Às mulheres interessadas no setor portuário, Fabíola deixa uma mensagem de incentivo. “Não deixem que o receio seja maior do que a vontade de crescer. O conhecimento pode ser adquirido. Eu mesma entrei sem experiência prévia no setor e precisei estudar muito para compreender esse universo. A disposição para aprender, a dedicação e a confiança na própria capacidade fazem a diferença”, resume.