O diretor da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), Alber Vasconcelos, defende uma formulação de política muito clara de Estado e olhar para o futuro envolvendo o setor portuário como um todo. Ele foi um dos palestrantes do 2º Encontro Porto & Mar, promovido pelo Grupo Tribuna, nesta terça-feira (22), no Píer Mauá, no Rio de Janeiro, com o tema Gargalos regulatórios e o futuro concorrencial dos portos brasileiros. "O Brasil é grandioso demais. Temos que parar com a mentalidade simplesmente colonialista de pensarmos que a gente exporta o que a natureza nos deu e de importarmos a engenharia que os outros países criam. Isso tem que acabar", afirma. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! Alber citou como exemplo a Missão Internacional Porto & Mar, promovida anualmente pelo Grupo Tribuna. Em 2026, o destino foi a China e ele esteve entre os integrantes da viagem. "Tivemos uma reunião e um professor que estava dando a palestra era professor de Inteligência Artificial em uma universidade pública da China. Em 2008 ele já era professor de graduação. Hoje, estamos discutindo absolutamente os mesmos temas de 2008", relembra. "Quando a gente fala de inteligência artificial, a gente fala sempre da briga China e Estados Unidos. Será que a gente não tem gente capacitada?", questiona. O diretor da Antaq vai além nas comparações. "O que eram a China e a Coreia do Sul em 1985 ou 1986? E olha a política de Estado, principalmente, que a Coreia fez na questão de como tratar os estaleiros, que são ativos do país. Quem mexe com embarcação sabe que o país é uma referência. Por que não somos?", argumenta. Rodoviário Alber também citou matéria publicada por A Tribuna nesta terça-feira, que mostra que os operadores logísticos faturaram R\$ 247 bilhões no País no ano passado. Os dados fazem parte do estudo Perfil dos Operadores Logísticos no Brasil 2026, apresentado na última quinta-feira pela Associação Brasileira de Operadores Logísticos (Abol) e pelo Instituto de Logística e Supply Chain (Ilos). "Será que a resiliência climática nos portos é só do cais para fora? Mas também é a chegada e a saída da carga. O Brasil é eminentemente rodoviário. E o que temos feito para mudar ou então para melhorar os nossos modais. Sobre essa questão do faturamento, boa parte trazem no setor rodoviário. É algo que está na discussão", argumenta, referindo-se à informação do estudo de que 80% das cargas passam por apenas um modal, o rodoviário, 17% por dois e 3% por três ou mais, sendo que o modal rodoviário está presente em 94% das operações. Transporte marítimo, internacional e de cabotagem (dentro do País), escoa apenas 14% das mercadorias de operadores logísticos brasileiros. "Quando discutimos a omissão de escala no setor aquaviário e as denúncias que temos na Agência, principalmente de omissão de escala, não repercute, mas está na hora de começarmos a discutir. Para onde queremos avançar? Qual será o nosso norte? A gente discute a análise concorrencial hoje diferentemente do que discutíamos há cinco, seis anos, sem dúvida alguma. E estamos no caminho certo, sim ou não? Então, eu acho que é um ponto de partida que a gente tem de olhar", finaliza. *Com informações de Maurício Martins