[[legacy_image_282889]] O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Estado de São Paulo (Crea-SP) apresentará soluções logísticas para aprimorar o projeto do túnel submerso Santos-Guarujá. O acordo de cooperação técnica entre o órgão e a Autoridade Portuária de Santos (APS) foi formalizado ontem, na sede do conselho, em São Paulo, após as instituições discutirem o projeto que promete ligar as duas margens do Porto de Santos. A próxima etapa, segundo o presidente da APS, Anderson Pomini, será a retomada das reuniões da comissão criada para aperfeiçoar o projeto da ligação seca, nos próximos dias. “O principal objetivo é trocarmos experiências e contarmos com o apoio dos engenheiros do Crea-SP para a construção do túnel”, disse Pomini para A Tribuna. No encontro, ele apresentou as projeções progressivas de movimentação de carga no Porto de Santos até 2040, com um aumento de 32,1% em 17 anos, atingindo 214 milhões de toneladas a cada 12 meses. Com a demanda crescente, ele argumentou que a obra do túnel é imprescindível. Segundo a APS, em 2022, o maior ativo portuário do País movimentou 162,4 milhões de toneladas. Para este ano, a movimentação prevista é de 165 milhões de toneladas. Nos próximos anos, as projeções são de 170 milhões em 2025; 184 milhões em 2030; 192 milhões em 2033 e 214 milhões em 2040. Já o presidente do Crea-SP, Vinicius Marchese Marinelli, afirmou que o objetivo desse protocolo de cooperação técnica é dar subsídios técnicos em todas as iniciativas da Autoridade Portuária de Santos. “O túnel é uma necessidade e já foi apontado pelo próprio Crea-SP como uma das prioridades quando se fala de infraestrutura, mobilidade e transporte no Estado. Este é o início de uma parceria que tem como objetivo atender a população”. Marchese explicou que o protocolo assinado ontem permite diversos planos de trabalho, incluindo uma comissão para debater os próximos passos para que o túnel se torne uma realidade. “O nosso grande objetivo é auxiliar na realização, na execução. A parceria abre um leque de possibilidades dentro um planejamento de aproximação com o poder público para ser realmente demandado para que boas iniciativas da engenharia, da agronomia e das geociências sejam realizadas”. O túnel Santos-Guarujá foi identificado como alternativa logística em diagnóstico do Crea-SP que foi entregue ao Governo do Estado em fevereiro deste ano. O levantamento identifica gargalos e apresenta propostas de integração entre os sistemas aquaviário, rodoviário e ferroviário na logística e infraestrutura estadual. Projeto na Casa CivilAtualmente, de acordo com Pomini, o projeto do túnel submerso se encontra sob análise da Casa Civil da Presidência da República, que definirá qual será a modelagem de concessão da obra. “Aguardamos a análise da Casa Civil sobre o melhor formato: obra pública ou parceria público-privada (PPP). Isso está bem avançado. Aguardamos, também, a renovação das licenças ambientais que foram expedidas pela Cetesb, mas que agora estão sob a competência do Ibama. Superada essa questão burocrática, formal, passaremos à publicação do edital”. No entanto, o prazo de lançamento do edital dependerá do modelo de concessão da obra escolhido. “Lançar o edital ainda neste ano está no nosso plano de metas. Defendemos a obra pública para que esse cronograma seja cumprido. Agora, há uma orientação da Casa Civil pela formatação jurídica de uma PPP. Uma PPP demandará mais tempo burocrático, principalmente porque demanda análise junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) e da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). A obra pública assegura a tarifa social, que é o preço da balsa”.