<p data-end="541" data-start="205">A Lei Complementar 224/2025, em vigor desde o final do ano passado e que determina corte linear de 10% em benefícios e incentivos fiscais federais, pode gerar insegurança jurídica e até desacelerar investimentos em infraestrutura nos terminais portuários no País. A preocupação é de representantes de entidades de operadores portuários.</p> <p data-end="1036" data-start="545"><a href="https://www.whatsapp.com/channel/0029Va9pacEEQIajbRkGGm1Y">Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp!</a></p> <p data-end="1036" data-start="545">O texto impõe redução mínima de 10% nos benefícios federais entre 2026 e 2027, sendo 5% em cada ano, eliminando isenção ou alíquota zero. Também pode afetar o Regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária (Reporto), voltado aos setores portuário e ferroviário e que permite a suspensão de tributos federais (Imposto de Importação, IPI, PIS e Cofins) na importação ou aquisição no mercado interno de máquinas, equipamentos e peças de reposição até 2028.</p> <p data-end="1294" data-start="1040">Pelo novo texto, operadores portuários e empresas ligadas à logística passam a pagar parte dos tributos em operações hoje contempladas pelo benefício integral. Isso aumentará custos de investimentos em modernização, automação e renovação de equipamentos.</p> <p data-end="1439" data-start="1298">O presidente da Federação Nacional das Operações Portuárias (Fenop), Sérgio Aquino, afirmou a medida pode comprometer investimentos do setor.</p> <p data-end="1853" data-start="1443">“Propostas como essa prejudicam a imagem do País por representar falta de segurança jurídica e institucional. Como se pode pensar em alterar programas de investimentos no próprio ano em curso e achar que isso seria normal? Provavelmente, as arrendatárias precisarão buscar reequilíbrio de seus contratos junto ao Governo Federal. Porém, os TUPs (terminais de uso privado) não têm essa possibilidade”, comentou.</p> <p data-end="1881" data-start="1857"><strong data-end="1881" data-start="1857">Insegurança jurídica</strong></p> <p data-end="2314" data-start="1885">Na avaliação do diretor-presidente da Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP), Jesualdo Silva, o principal impacto é na insegurança jurídica. “O efeito disso é desastroso. O investidor já estruturou o projeto contando com a condição tributária do Reporto. Da noite para o dia, muda-se a regra prevista. Há compromissos assumidos, propostas de aquisição fechadas e investimentos planejados com base nesse benefício”.</p> <p data-end="2661" data-start="2318">Assim como Aquino, Silva frisa que uma mudança repentina gera aumento de custos e pode provocar pedidos de reequilíbrio contratual. “Estamos falando de milhões de reais em equipamentos que sustentam a infraestrutura básica do setor portuário e ferroviário, como guindastes, sistemas operacionais e máquinas de movimentação de cargas”, alertou.</p> <p data-end="2984" data-start="2665">A ABTP já está tomando providências. “Estamos dialogando com a Receita Federal para que ela entenda que o Reporto não está contemplado nessa redução”. Silva ressaltou que, caso não haja entendimento, a ABTP recorrerá ao Congresso Nacional. “Teremos que trabalhar um projeto de lei para excluir o Reporto dessa redução”.</p> <p data-end="3000" data-start="2988"><strong data-end="3000" data-start="2988">Impactos</strong></p> <p data-end="3461" data-start="3004">O presidente da Associação de Terminais Portuários Privados (ATP), Murillo Barbosa, afirmou que poderá haver impactos diretos sobre os TUPs. “Na prática, a medida aumentará o custo de aquisição de equipamentos portuários, muitos deles importados, tornando mais caros os projetos de implantação, ampliação e modernização dos terminais. Isso reduz a atratividade dos investimentos e afeta a previsibilidade tributária necessária para projetos de longo prazo”.</p> <p data-end="3934" data-start="3465">Barbosa pontuou que “diversos terminais já estruturaram projetos de autorização, ampliação e renovação de equipamentos considerando a manutenção integral do Reporto. A mudança das regras durante a execução desses investimentos pode elevar custos e comprometer a viabilidade econômica dos empreendimentos. Segundo dados do Governo Federal, os projetos incentivados entre 2023 e 2025 somaram aproximadamente R\$ 28 bilhões, cerca do dobro do registrado entre 2019 e 2023”.</p> <p data-end="4148" data-start="3938">“Assim, a redução poderá afetar diretamente a expansão e a modernização da infraestrutura portuária brasileira, em um setor que depende de investimentos elevados e planejamento de longo prazo”, afirmou Barbosa.</p>