Sinais visíveis de ferrugem no costado do navio chamaram a atenção (Sílvio Luiz/AT) A Corazul Cruzeiros vai reembolsar integralmente os passageiros que embarcaram no navio Buenavista para o cruzeiro de estreia da armadora espanhola, que aconteceu entre o dia 30 de outubro e a última segunda-feira, partindo e retornando ao Porto de Santos. A empresa promete ainda um bônus de 25% para uma nova viagem ainda este ano. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! A medida visa compensar o público pelos problemas de manutenção nas cabines, pelo fechamento das piscinas e pelo não funcionamento do cassino, entre outros transtornos que geraram reclamações. A convite da R11 Travel, distribuidora oficial da armadora no Brasil, A Tribuna esteve na viagem e constatou a situação. O primeiro cruzeiro do Buenavista, com escalas no Rio de Janeiro e em Búzios (RJ), teve a presença de jornalistas, influenciadores, agentes de viagem e, em menor proporção, clientes. Ajuste foi a palavra de ordem no navio. Ficou nítido o processo de adaptação em termos de serviços, insumos e do trabalho da própria tripulação, ainda em número insuficiente. Era possível perceber, porém, o esforço de todos para tentar solucionar os problemas. “Claro que houve mais percalços e desafios do que gostaríamos, mas ao final temos a avaliação de que os ajustes necessários são possíveis em curto prazo e que temos muito potencial para crescermos no Brasil”, afirmou o diretor de Operações da Corazul, Camille Appeldoorn. Como pontos positivos, ele citou a boa acolhida dos passageiros ao modelo de incluir o pacote de bebidas no valor do cruzeiro para todos os hóspedes, a cortesia e a atenção dos profissionais no atendimento do público e a “excelente recepção” à marca e à proposta da empresa no Brasil. “Os pontos de melhoria envolvem principalmente detalhes em nossa operação para atender à cultura local, como oferta de alimentação 24 horas, horários de refeições e maior detalhamento na comunicação com os hóspedes, além da ativação de espaços de entretenimento e lazer, como as piscinas, o cassino e as lojas”, lista. Duas das três piscinas do navio permaneceram fechadas e com redes (Ted Sartori/AT) Piscinas Das três existentes, apenas uma, no deck 8, localizada na popa (parte traseira) funcionou. “A disponibilização escalonada das piscinas a bordo decorre do cumprimento rigoroso dos protocolos sanitários da Anvisa e das diretrizes marítimas internacionais”, justificou Appeldoorn. “O abastecimento e a renovação de água das piscinas não podem ser realizados em ambiente portuário, dependendo da navegação em mar aberto para a captação segura de água marítima limpa e para o ciclo adequado de filtragem e cloração”, continuou. O diretor de Operações da Corazul explicou que, durante a viagem inaugural, foi priorizada uma piscina, enquanto as demais passaram por testes para pleno funcionamento nos próximos cruzeiros. O cassino tinha apenas algumas mesas, mas nenhuma máquina eletrônica de apostas, como é comum nos cruzeiros (Ted Sartori/AT) Cassino e lojas O cassino a bordo do Buenavista, o Monte Carlo, localizado junto a um bar do mesmo nome e com a presença de elementos retrô, não estava operando. Havia algumas mesas, fichas e cartas destinadas aos jogos. Camille explicou que a área passa pela etapa final de montagem e homologação de equipamentos. “Por se tratar de uma embarcação que operava no mercado asiático (antes chamava-se Piano Land e pertencia à chinesa Astro Ocean), onde este tipo de entretenimento não é normalmente oferecido, o espaço está recebendo um projeto totalmente novo, adaptado aos padrões ocidentais. Este processo já está em desenvolvimento e os equipamentos necessários já foram adquiridos. Nossa previsão é de que, em cerca de quatro semanas, o cassino do Buenavista esteja completo”, calcula. Por sua vez, as lojas a bordo não estavam operando de forma regular. Eram vendidos apenas artigos referentes à Corazul e ao Buenavista - casos de sacolas, bolsas, bonés, camisas, bichos de pelúcia e réplicas do navio. “As lojas tiveram sua montagem finalizada ainda durante o primeiro cruzeiro e operaram em horários de navegação. A partir das próximas saídas, teremos novidades para atender aos diversos interesses de nossos hóspedes”, garante o diretor. Ferrugem por fora A chegada do Buenavista a Santos, no final da tarde de 28 de outubro, foi marcada por sinais visíveis de ferrugem no costado - parede lateral do casco que fica localizada acima da linha d’água (foto no início na matéria). O diretor de Operações da Corazul, Camille Appeldoorn, explicou que as marcas correspondem a escorrimentos de oxidação superficial, conhecidos em inglês como rust bleed. Isso ocorre quando manchas de ferrugem penetram ou escorrem pela superfície de uma estrutura, indicando que há ferro ou aço sofrendo corrosão por baixo da camada visível. O diretor comentou que se tratou de uma “ocorrência de natureza estritamente cosmética” provocada pela severa e ininterrupta exposição à maresia e às intempéries oceânicas durante a travessia intercontinental de quase 40 dias entre a Ásia e o Brasil, com apenas uma parada técnica de reabastecimento nas Ilhas Maurício, no Oceano Índico. “Durante longas travessias em mar aberto, intervenções externas no costado são suspensas por estritos protocolos internacionais de segurança do trabalho e da navegação. Reafirmamos que a integridade estrutural e a estanqueidade do casco estão plenamente atestadas pelas vistorias da sociedade classificadora e pelas autoridades marítimas competentes”, afirma. Os trabalhos de preparo técnico e repintura estética das áreas externas, detalha Camille, foram iniciados logo após a atracação no Porto de Santos “e seguem o cronograma de manutenção preventiva da companhia em consonância com as normas ambientais vigentes”. Embarcação possui bares elegantes com grande variedade de bebidas (Ted Sartori/AT) Companhia pretende permanecer no Brasil A Corazul estuda permanecer no Brasil durante o ano inteiro, o que a tornaria a primeira empresa a operar fora da temporada regular. A companhia espanhola também quer o português como primeira língua na embarcação. Na primeira viagem, os idiomas da tripulação giraram entre o português, o espanhol e o inglês. “Estamos ampliando nosso quadro de tripulantes para oferecer um serviço melhor aos nossos hóspedes. Nesta sexta-feira (6) temos uma quantidade bastante grande de profissionais de atendimento ao público que falam português e espanhol, e os novos tripulantes terão essa mesma característica, ampliando ainda mais este percentual”, afirma o diretor de Operações da Corazul, Camille Appeldoorn. Durante o cruzeiro, a arrumação das cabines estava sempre em dia. As camas traziam o conforto necessário. Houve problemas eventuais na temperatura da água (muito quente ou fria demais) que foram resolvidos pela equipe de manutenção. Tons pastéis e escuros predominam na embarcação. São típicos da Inglaterra, onde o navio foi construído, em 1995, com o nome de Oriana. Tons pastéis e escuros predominam no navio, construído em 1995 (Ted Sartori) Alimentação O Lido Buffet, localizado no deck 12, oferecia comida e bebidas à vontade. A pouca variedade de opções no local no café da manhã, no almoço, no jantar e no lanche da noite não comprometia o bom sabor. Nos restaurantes à la carte - Corazón e Azul -, havia filas e demora no serviço. “Estamos trazendo um chef brasileiro para acelerar a adaptação de nosso cardápio ao paladar dos brasileiros, além de destinar parte de nossos novos tripulantes para reforçar o time de alimentação”, revela Appeldoorn. Já os bares gravitavam entre a informalidade do Riviera e o conforto do Star Club. As filas para conseguir bebidas foram maiores no primeiro dia, mas diminuíram ao longo do cruzeiro. “Tivemos em geral uma boa resposta sobre nossa oferta de bebidas alcoólicas e não alcoólicas. Um ponto de melhoria que estamos considerando é oferecer algumas opções extras de bebidas, já dentro das cabines”, revela o diretor. Teatro e cinema também fazem parte das diversões do navio. Visão do setor Gerente de Operações Portuárias do Terminal de Passageiros Giusfredo Santini, administrado pelo Concais, Javier Carnevale espera que o Buenavista seja um sucesso e que continue por mais tempo no Brasil. “Em algum momento, vamos parar de falar em temporada e começar a falar em alta e baixa temporada. Tenho certeza de que, em um futuro não muito distante, isso vai acontecer”, afirmou, pouco antes da realização do embarque para a viagem inicial do navio. Javier projeta que a presença do Buenavista irá abrir os olhos das outras empresas. “Elas, com certeza, estão de olho no Brasil. Isso irá trazer mais navios para a nossa região”. A expectativa de movimentação no terminal santista nesta temporada é positiva: aproximadamente 900 mil passageiros, considerando embarques, desembarques e trânsito, irão passar pelo local. “É um número 10% maior em relação à temporada passada (2025/2026), o que é bem positivo, uma volta ao crescimento”, finaliza Carnevale. Saídas de Santos A temporada de cruzeiros 2026/2027 começou no último dia 30, com a saída do navio Buenavista, da Corazul. A primeira viagem teve escalas em Búzios (RJ) e Rio de Janeiro. A companhia espanhola, estreante no setor, terá, ao longo da temporada, 37 saídas planejadas, compostas por minicruzeiros de três e quatro noites e roteiros completos de sete noites, tendo capacidade para até 2.140 hóspedes. Em novembro, serão 10 escalas no Porto de Santos. O Buenavista abre uma temporada que deve se estender até abril, e que tem na programação de novembro 15 datas, somando 26 escalas e 5 navios diferentes, com até 86.720 hóspedes. Outros cinco navios embarcarão no Porto de Santos.