Trabalhadores fizeram manifestação durante a manhã desta sexta-feira na frente da sede da APS, no Macuco (Vanessa Rodrigues/AT) Dirigentes de sindicatos de diversas categorias de trabalhadores do Porto de Santos devem se reunir na próxima semana, em Brasília, com o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho. O objetivo é buscar soluções para evitar o fechamento do Ecoporto e a consequente perda de empregos. Além disso, os sindicalistas pretendem fazer pressão contra o leilão da área onde está o terminal, o STS10, no cais do Saboó. Clique aqui para seguir agora o canal de Porto & Mar no WhatsApp! A reunião com o ministro, que deve acontecer na quarta ou na quinta-feira, foi acertada nesta sexta (30) durante encontro das entidades sindicais com o presidente da Autoridade Portuária de Santos (APS), Anderson Pomini. O presidente da APS recebeu os representantes dos trabalhadores, que fizeram uma manifestação durante a manhã desta sexta-feira (30) na frente da sede da gestora do Porto, na Avenida Rodrigues Alves, no Macuco. O protesto foi organizado pelo Sindicato dos Estivadores de Santos, São Vicente, Guarujá e Cubatão (Sindestiva) e contou com a participação de várias outras entidades. Mais de 200 trabalhadores participaram do ato. “O ministro (Silvio Costa Filho) pediu para estudarmos um formato que prestigie a manutenção dos trabalhadores. O ministro está absolutamente sensível à manutenção da única empresa que presta esse serviço de movimentação de cargas gerais, mas ao mesmo tempo há necessidade de expandirmos o Porto de Santos com a realização do leilão do STS10”, disse Pomini. O presidente do Sindestiva, Bruno José dos Santos, e outros dirigentes sindicais consideraram a proposta vaga e gostariam de algo mais consistente para resolver o problema. Segundo ele, o Ecoporto possui mais de 500 funcionários vinculados, os quais devem ser demitidos com o fim do contrato de arrendamento, previsto para dezembro, causando o que ele chama de “caos social” na região. Além disso, Santos explica que o cais público (representado pelo restante do STS10 que não está ocupado) é responsável por empregar a maior parte dos trabalhadores avulsos. Quando a área é privatizada, esses profissionais são descartados. “Precisamos defender o nosso campo de trabalho, porque em Manaus (AM) acabaram com o cais público e as categorias de lá estão há oito anos sem trabalhar. Estamos no aguardo do retorno da data para que possamos falar pessoalmente com o ministro. Até queriam que fosse on-line, mas preferimos presencialmente”, diz. Apoio O deputado federal e presidente da Frente Parlamentar de Portos e Aeroportos, Paulo Alexandre Barbosa (PSDB), se manifestou. Disse que o fim das operações do Ecoporto pode afetar quase 2,5 mil famílias. “Não podemos admitir isso na Baixada Santista e manifestei meu posicionamento ao Governo e ao ministro, para que sejam encontradas soluções. Deve-se criar uma alternativa para que as operações da empresa e os postos de trabalho sejam mantidos”. Presidente da gestora do Porto recebeu sindicalistas para reunião (Vanessa Rodrigues/AT) STS10 marca descompasso de discursos Na véspera da manifestação, o presidente da APS, Anderson Pomini, já tinha informado em nota para A Tribuna que estuda a implementação de um terminal STS10 em formato menor para contêineres. Assim poderia permanecer com o Ecoporto e receber ainda o terminal de cruzeiros do Concais (cuja transferência de Outeirinhos é dada como certa). A ideia também foi transmitida para os sindicalistas. “Faremos uma consulta ao Tribunal de Contas da União (TCU) sobre a possibilidade de renovarmos com o Ecoporto, com uma cláusula de permuta de área”, disse Pomini. “Após o leilão do STS10, o Ecoporto teria um prazo de dois ou três anos, que é o tempo para implementação desse terminal, para que fizesse a transferência da sua área dentro da própria região do Porto”, continua. O presidente da APS afirma que a expansão do Porto será feita com responsabilidade. “Faremos essa reunião com o ministro para projetarmos o bom debate. Levaremos os representantes dos sindicatos para dialogarmos em conjunto sobre todos esses projetos, não só da região do Saboó, mas da expansão do Porto”, comentou Pomini. No último dia 21, o ministro Silvio Costa Filho disse, durante leilão de terminais, em São Paulo, que pretendia fazer o leilão do STS10 em 2025. No dia seguinte, em Santos, ele desconversou sobre o prazo. Antes, em 1º de agosto, o presidente da APS havia dito que o STS10 não seria viabilizado antes de quatro anos, o que mostra descompasso nos discursos. Já sobre o Ecoporto, segundo o Valor Econômico, o ministro havia dito que não faria a renovação do contrato. Mas não confirmou para A Tribuna. O arrendamento do Ecoporto venceu em 2023 e foi prorrogado por três vezes, com último prazo até dezembro deste ano.